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UMA FAMÍLIA, UM CLUBE

“Sou do Benfica e isso me envaidece. Tenho a genica que a qualquer engrandece”. Escreveu, por volta de 1953, Paulino Gomes Júnior. O hino oficial do Benfica abre os jogos e os corações daqueles que vibram com o seu clube. 
Foi de um grupo de ex-alunos da Casa Pia que surgiu a ideia de criar um clube de futebol, o Grupo Sport Lisboa, mais tarde Sport Lisboa e Benfica. A ata de criação do clube leva-nos ao dia 28 de fevereiro de 1904. Reunidos na Farmácia Franco, que serviu a princípio como sede improvisada, estiveram 24 sócios, entre eles, Cosme Damião, jogador, capitão de equipa, elemento da direção e figura querida de todos os benfiquistas.

Assunção rima com Benfica

O futebol tem essa magia de se transmitir de geração em geração. Quem não herda o gene Benfica na família, teve más influências, certamente.
Pelo menos, na família Assunção é assim. Quando se reúnem o avô, o filho e o neto, a cor dos olhos pode variar e o cabelo passar de liso a encaracolado, mas o Benfica está lá.
Da esq. para a dta. O filho, Pedro João Assunção,
o pai, João Carlos Assunção e o neto Pedro Assunção,
benfiquistas
DR
O avô, João Carlos Assunção, 81 anos, viu o primeiro jogo do Benfica em dezembro de 1954, no antigo Estádio da Luz, quando este foi inaugurou. Viu, também, o último jogo que lá se jogou em 2003.
“O estádio já estava a ser demolido. Já se viam as paredes do novo a ser erguidas!”, conta.
Os anos passaram, mas há uma opinião que não muda em João Carlos Assunção.“Não gosto de ver tantos jogadores estrangeiros no meu clube. Eles não sabem o que é o Benfica. O Benfica é alma, coração e entrega!”, diz.
Quando questionado acerca do antes e do agora do seu clube, a resposta é quase imediata, um reflexo: “Antes jogavam com mais empenho. Eram todos portugueses, conheciam a história do Benfica”.
O porquê do clube da Luz também lhe parece uma soma simples de duas histórias que conhece de trás para a frente.“Sou benfiquista porque sei as histórias, do glorioso e do meu pai.”, acrescenta. O seu pai ia “de bicicleta ou a pé”, de Penacova a Coimbra para ver os jogos e ele foi também.
O filho, Pedro João Assunção, 53 anos, acredita que o Benfica “ganha sempre”, desde miúdo. Assistiu ao seu primeiro jogo em Coimbra, na época de 68-69 “às cavalitas do pai”. Tinha 8 anos e lembra-se dos dois golos que Eusébio marcou naquele dia. “Todos queríamos ser como o Eusébio a marcar golos!”, revela.
Já o neto, Pedro Assunção, 23 anos, conta que o seu primeiro contacto com o clube se deu quando tinha 4 anos. “O Benfica jogou contra o Vitória de Guimarães, empatou e fomos campeões. Nesse dia, o meu pai comprou-me um equipamento, bandeiras e águias de peluche que ainda hoje guardo em casa!”, acrescenta.
Mas foi aos 5 meses que recebeu o seu primeiro equipamento. “O meu pai comprou-o quando foi ver um jogo a Lisboa onde o Benfica ganhou para a Liga dos Campeões. Chegou a casa e vestiu-mo e assim dormi a noite toda”.
Nasceu no seio de uma família benfiquista e acredita que “o benfiquismo é como que um dos valores que se transmitem às crianças desde cedo”. 

Uma casa de Amigos

O ano de 1914 marcou o início da expansão dos núcleos benfiquistas. As Casas do Benfica estão, atualmente, espalhadas por todo o território português e por diversas cidades nos cinco continentes. Nas Casas do Benfica regularizam-se as quotas de sócio, compram-se os bilhetes para os jogos e até se pode votar nas eleições para a presidência do clube. O Benfica contabiliza mais de 230 mil sócios. Tendo entrado para o livro de recordes Guinness em 2006, como o clube com mais sócios do mundo, então com 160 mil.
Interior da Casa do Benfica de Penacova,
fundada em 2002 por Pedro João Assunção
DR
Pedro João Assunção, sócio do Benfica há 27 anos, assumiu em 2002 uma importante tarefa: erguer uma Casa do Benfica em Penacova. 
“Na zona centro já havia várias casas, mas quando queríamos ir ver um jogo a Lisboa, era eu quem tratava de tudo. Comecei a contactar com outros benfiquistas do concelho e a 11 de maio de 2002, num jantar com 650 pessoas, erguemos a Casa do Benfica de Penacova”, relembra.
Para Pedro João Assunção, as Casas do Benfica são o “braço armado do clube. Angariam mais sócios e são uma forma de transmitir o legado da luta pelo Benfica aos mais novos”.
É por lá que se reúnem os amigos em dia de jogo, “sabemos onde encontrar os amigos, porque vamos todos lá parar”. 
O que acontece em dia de jogo resume-se a dois desfechos na Casa do Benfica de Penacova: “Quando perdemos, a casa fica vazia em cinco minutos, quando ganhamos, inicia-se um serão sem fim!”, explica.

Palavrão é palavra de ordem?

O Benfica já foi o maior clube de futebol de Portugal em troféus (atualmente está a 4 troféus do Porto), mas continua a ser o maior em número de praticantes espalhados por diversas modalidades e em número de sócios. Foi considerado, em 2009, pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), o 9º melhor clube da europa do século XX.
Nos seus mais de 100 anos de vida, o Benfica conquistou, no futebol, 24 Taças de Portugal, 32 Campeonatos de Portugal e 2 Taças dos Campeões Europeus.
Devido às vitórias, poucos anos depois da sua formação, o Benfica passou a ser conhecido como O Glorioso.

Interior de um espaço dedicado ao Benfica
na casa da Pedro João Assunção
DR
Mas e quando o Benfica perde? Quem tem culpa do Benfica perder? Por que motivo não ganha o Benfica?
Pedro João Assunção, o pai, salta uma refeição quando o Benfica sai derrotado. “Se o jogo for à noite e perdermos, não janto”.
Para o filho, Pedro Assunção, a culpa das derrotas passa por más escolhas e… pela arbitragem!
“O Benfica tem sempre de jogar contra 15: equipa adversária mais arbitragem. Por isso, se quer ganhar três pontos, tem de marcar mais golos, para que os erros de arbitragem não condicionem”, explica.
Na época passada, o clube da luz perdeu todas as finais em que estava a participar. “Foram más escolhas que abalaram a equipa e os sócios”, diz Pedro Assunção. 
Neste cenário de derrota, a indignação ganha corpo nos palavrões. O pai, ainda não os aprendeu a conter e “quando a exaltação é grande, um ou outro palavrão surge”. O filho, que sempre foi educado a fazer o contrário, explica que durante os jogos o pai é condescendente em relação ao palavreado. “Tive sempre uma educação para não dizer ‘palavras feias’. Mas sempre joguei futebol e o meu pai foi treinador. Em campo, os palavrões eram permitidos. Em relação aos jogos do Benfica, essa liberdade estende-se”, explica. 

Sou benfiquista onde quer que esteja

Quando se está fora de casa, a paixão não esmorece. 
Pedro Assunção com o cachecol
dos Benfica Kaf Supporters 
DR

“Quando estou fora de casa, ligo ao meu pai no final dos jogos para trocarmos opiniões.”, revela Pedro Assunção.

Em Vila Real, cidade que o acolheu para os estudos, os jogos são vistos num café.  Nesse espaço, a dona faz promoções nos finos por cada golo do clube da Luz. 
Também por lá, um grupo de amigos fundou o Benfica Kaf Supporters. “Levámos uma faixa nossa para o jogo da final da Liga Europa, em Amesterdão. Fizemos um logótipo, cachecóis e camisolas alusivas”, relata. 
O grupo discute e marca os próximos encontros via Facebook “para nos reunirmos quando há jogos do Benfica”.
O pai, quando está sem o filho por perto, prefere ver os jogos sozinho, “longe de portistas ou sportinguistas”, acredita que “dá azar”.
Para as gerações vindouras, fica já uma certeza. 
“O meu filho será, também, Pedro e benfiquista. Vai estar-lhe no sangue! Quero que um jogo seja um momento de reunião da família”, adianta Pedro Assunção.
Nesta família, o Benfica é um pilar que segura memórias e sonhos pintados a vermelho.
Hino Oficial do Benfica

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