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FORMAÇÃO PROFISSIONAL PRECISA-SE

É o que nós pensamos que sabemos que nos impede de aprender”


Claude Bernard

GABRIEL VILAS BOAS
DR
O pó tira o brilho até às coisas mais belas. Ele é uma inevitabilidade da passagem do tempo e… da inércia. Com as competências das pessoas acontece algo semelhante: ou aceitam que precisam de ser recicladas de tempos a tempos ou então correm o risco de perder o brilho e em pouco tempo ninguém as reconhecer. 
A imagem é fator importantíssimo em qualquer área. A competência profissional também, dirão os mais conservadores, e com razão. Só que as competências profissionais são dinâmicas, isto é, vivem em função das necessidades dos mercados. Em cada campo profissional, o cliente procura alguém atualizado e ao mesmo tempo que domine as melhores técnicas de venda. 
É impossível um professor ter sucesso com os seus alunos ensinando segundo os ancestrais métodos que viu no seu mestre-escola há trinta anos, é inviável um restaurante sobreviver à custa duma cozinheira que faz os mesmos pratos há dez anos e os apresenta sempre da mesma maneira como se não houvesse outra. É pouco recomendável um empresário da restauração contratar serventes que não saibam explicar em várias línguas os pratos da carta, recomendar o vinho adequado para os pratos em lista e servir com rapidez, eficiência e discrição. Este raciocínio estende-se a uma vendedora de roupa, a uma empregada duma perfumaria ou a um vendedor de material informático. 
Com a velocidade com que a oferta de produtos e serviços evolui, em pouco poucos meses, estes trabalhadores estão desatualizados. Melhor do que contratar novos colaboradores (que termo horrível que o neoliberalismo encontrou para desconsiderar a relação laboral) é investir na formação daqueles que já existem. Eles não partem do zero e têm a experiência a seu favor. Além do mais podem expor as dificuldades que sentem. 
O empregador deve perceber que a formação profissional é mais do que uma mais-valia, pois torna-se, nos tempos que correm, uma necessidade para sobreviver num mundo dos negócios. Este entendimento deve tê-lo também o empregado, mostrando abertura em termos de horário e época do ano para se “reciclar”, como agora se diz. O empregado deve “exigir” e procurar atualizar-se. Mais cedo do que tarde, colherá os frutos desse investimento. 
Se empresário e/ou empregado desvalorizarem a relevância da formação em contexto de trabalho, facilmente cairão na sombra do mercado e o tempo colocará uma espessa cruz de pó sobre o seu risonho futuro.

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