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UM PRESENTE DE NATAL

GABRIEL VILAS BOAS
A uma semana do Natal, Estados Unidos e Cuba trocaram postais de Boas Festas, em forma de libertação de presos e reataram relações cortadas há mais de cinquenta anos. 
Timidamente, dois homens simples mas bons, como são Raúl Castro e Obama, entenderam o óbvio: este muro em forma de embargo não fazia sentido nenhum, há décadas. Ainda que nos respetivos países haja quem cultive o ressentimento das injustiças do passado, os presidentes dos dois países resolveram começar a reescrever a História, reatando relações.
Para já, pequenos passos, como um namoro desejado mas cujo passado de ódio entre as duas “famílias”, não permite declarações muito apaixonadas no início.

Obama anunciou o restabelecimento das relações diplomáticas, a facilitação das viagens de americanos a Cuba (na verdade, o regresso de muitos cubanos a casa), a autorização de venda e exportação de produtos americanos para Cuba e a intenção de ajudar os cubanos a ter um melhor acesso à internet.

Raúl Castro respondeu-lhe com um postal não menos carinhoso. Libertou um preso americano e afirmou as profundas diferenças entre os dois países em temas como os direitos humanos, democracia, política externa e soberania nacional, mas acrescentou algo de verdadeiramente assinalável: “Reafirmo a nossa vontade de dialogar sobre esses temas. Devemos aprender a arte de conviver de forma civilizada com as nossas diferenças”.

Parecia o Papa Francisco a falar. E talvez tenha sido, pois foi o seu discreto, mas decisivo labor que permitiu este acordo. Um dia após o seu aniversário, o Papa mais querido do último século recebeu como presente este sinal de paz para o qual trabalhou durante um ano.

Francisco e Obama, entre a poeira dos interesses e do politicamente correto, vão fazendo… Quando os seus discursos e ações não arrebatam os corações dos renitentes de modo avassalador que os levem a decisões, eles não desistem. Procuram atingir o objetivo doutro modo ou entretanto preparam as circunstâncias para que ele seja alcançado por outros.

Volto a Cuba e aos EUA. O destino dos povos é a paz, as relações cordiais. Haverá sempre acontecimentos negativos marcantes, momentos em que a ambição de uns ou a intolerância de outros se sobrepõe a este bem maior que é a Paz, no entanto, o Tempo encarrega-se quase sempre de fazer sobressair o essencial. 

Do norte ao sul da América sopra uma brisa doce e agradável que torna este Natal mais feliz para milhões de pessoas. Eu sou uma delas!

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