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NATAL, MEXILHÕES E OBRIGAÇÕES

Pois é, fim do ano, início das festas natalícias ! … de todas elas e de todos os tipos, géneros e espécies …

CLARA CORREIA

pois que as há para todos os gostos, embora, como noutros contextos, se possa concluir que “vira o gosto e toca o mesmo”; toca o mesmo, por exemplo, no que toca aos tons rubros e áureos a dourar, não a pílula da desatenção mais ou menos assumida nos outros trezentos e tal dias do ano, mas, quantas vezes, a dourar a pílula da obrigação mais ou menos exibida na cauda do mesmo, que é como quem diz, neste último mês mal “pesado” … a passar enquanto o diabo esfrega um olho para os que sentem o peso da saudade de quem só vêem no Natal, vá lá o diabo saber porquê, porque nesta dita “crise”, mingam os feriados, quanto mais as folgas, sejam de Natal ou de visita papal e, por isso, as reuniões familiares e ceias natalícias podem, a bem dizer, ser como o Natal … quando um homem quiser, desde que não seja mais “mexilhão” do que homem e, portanto, menos sujeito à míngua dos feriados laborais; e “viva o velho” por poder laborar nem que seja a estagiar, para as estatísticas nacionais do emprego ajudar. Mas, voltando aos “tons rubros e áureos”, estes estão omnipresentes na insidiosa sugestão de presentes, prazeirosos ou obrigatórios, ao “mexilhão”! … e aqui voltamos à renovada designação oficial, quiçá obrigação imposta, não pelo AO, mas na AR, para “Zé Povinho”; ora, este, ou seja, nós todos, até nos sentimos assim como que mais europeus, e logo da capital europeia mais badalada nos noticiários, Bruxelas! … ou não fossem os mexilhões tão popularmente comidos por lá, por acaso exactamente como nós somos … enfim, adiante! Resistente a palavrões, raios, coriscos e demais fenómenos climáticos, é esta “crise”, ao que parece, mais eterna do que o reino dos céus para quem cumpre, sem religião nem vocação, a tradicional obrigação da natalícia e familiar reunião; pois a “crise” eterniza-se, sobretudo, ao próprio conceito, pois que, até etimologicamente, uma crise anuncia, mais tarde ou mais cedo, uma inevitável mudança, o que significa que esta já teria tido obrigação de ter obrigado aquela a aliviar-nos a nós, “mexilhões”, de tantas obrigações para a obrigar a zarpar deste nosso cantinho que, mesmo no pino do Inverno, é de tal forma belo … que até a “créme de la créme” europeia, em Bruxelas, se lembra sempre dele como se a ele pertencesse … assim um bocado como nós, velhos mas, numa ilustre boca, sempre renovados “mexilhões”, fomos lembrados na AR, num discurso natalício, evidentemente, de tão comovente. 

Bom Natal!

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