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CARTA AO PAI NATAL

Querido Pai Natal,

ALINA SOUSA VAZ

Quando era criança apenas me concedias alguns presentes e todos aqueles que me destinavas chegavam na manhã de 25 bem cedo e tudo parecia ser mágico.
Hoje, não percebo porquê que as árvores das famílias, duas semanas antes, começam a encher-se de presentes e presentinhos, sim, porque ninguém pode ficar sem algo embrulhado. Dizem que é para alegrar o espírito conturbado da crise. Será? Outrora, em tempos das vacas gordas, a azáfama já acontecia. Eu diria que o nosso espírito consumidor está tão corrompido que mesmo o excesso é visto como o essencial e normal.
Hoje, a espera da meia-noite já se torna um suplício quando o jantar em família acontece à hora marcada. Então, engana-se as crianças, a abertura dos presentes acontece às 11 horas e o rasgar papel passa a ser a diversão da noite, quanto mais melhor!

Mas, Pai Natal, não te escrevo só para dizer que não entendo este espírito natalício em que o que parece contar é dar e receber prendas. Escrevo para dizer que algo me toca verdadeiramente, quando vejo e leio notícias como: – “2014 foi ano devastador para milhões de crianças”. Anthony Lake, diretor-executivo da UNICEF, disse que “foram mortas quando estudavam numa sala de aula ou dormiam na sua cama, ficaram órfãs, foram raptadas, torturadas, recrutadas, violadas e mesmo vendidas como escravas. Nunca na história recente tantas crianças foram sujeitas a uma brutalidade tão inqualificável”.
Pai Natal ao ler estas palavras o meu coração de mãe não aguenta. Faz-me refletir sobre a importância desta quadra e que valores passar aos nossos filhos que apesar das crises e do pouco dinheiro vão tendo muito.
Andamos todos a fazer de conta e não encaramos os verdadeiros problemas de frente. Como podemos deixar este capitalismo exacerbado gerir as nossas vidas em todos os setores? Como pode o jogo de interesses, por parte de alguns, deixar de lado os direitos humanos e gerirem os países sem rumo? Como pode o fanatismo religioso controlar ideias e vontades do ser humano criando guerras sem paz à vista?
Por tudo isto, e não sendo desejo de miss, apenas pedia no sapatinho de todas as 230 milhões de crianças que vivem em países ou regiões afetadas por conflitos tranquilidade, escolas e alimento.
Pai Natal sei que andas atarefado, mas atende o meu pedido pois o meu coração de mãe não aguenta.
Abracinho.

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