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(DES)AMAR E AMARRAR

CLARA CORREIA 
Diz-se, se é que já não passou de moda, que “quem casa quer casa”, sendo que o casamento assume, numa realidade cada vez mais actual, várias modalidades de coabitação, desde que mantenha a sua índole característica, supostamente amorosa e supostamente assente no respeito que qualquer relação supõe. Da mesma forma, supõe-se que a casa seja aquele reduto de segurança jamais questionável … pelo menos sem intrusões alheias. Mas, e quando o intruso na segurança da integridade física e/ou psicológica não é intruso e muito menos alheio? E quando o inimigo não só dorme com a vítima mas, sobretudo, não dorme na empreitada do terror ao domicílio? … um terror que, não obstante, não recusa ser volante, numa perseguição incessante! … terror às vezes pateticamente justificado por um alegado amor, tão fictício como fictícia terá sido sempre a inexistência da semente hostil que um dia haveria de germinar, não lhe importando a quem ameaçar e hostilizar nem em que circunstâncias, excepto a das quatro paredes de uma casa que, porventura, um dia terá testemunhado um casamento. 
Dos conselhos a granel, valem os primeiros, eventualmente de fuga face à primeira investida da agressividade; evite-se a necessidade de tentar remediar o irremediável, numa escalada aterradora que obriga a ter à mão contactos de emergência e, na bagageira, um saco de viagem com roupa. Das ilusões com morte adiada por uma crença desesperada, restará o fel que as sucessivas promessas de mel do agressor sustentam, intercaladas por bofetadas indiscriminadas no corpo e/ou na mente e em qualquer ocasião, sem discriminar o anonimato da exposição mediática e sem distinguir alvos ou classes sociais … e sem desculpa de quaisquer pretextos ou contextos, em contexto final de devastação do Ser ou até da Vida. 
Não se tolere que o (des)amar signifique “amarrar” o outro com as cordas da dita violência doméstica.

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