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“YO NO LO CREO PERO QUE LAS HAY LAS HAY”

GABRIEL VILAS BOAS
Hoje é sexta-feira 13, ou seja, o dia de sorte do Azar. 
A sexta-feira 13 é o maior ícone da superstição humana. Uma série de mitos, lendas e histórias verdadeiras contribuíram para que o chamado Dia do Azar ganhasse um carácter institucional.
A superstição ligada à sexta-feira 13 encontra raízes dentro do cristianismo e em culturais pagãs anteriores. Uma lenda mitológica nórdica conta que houve um banquete e 12 deuses foram convidados. Loki, espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e criou tamanha confusão que terminou com a morte de Balder, o favorito dos deuses. Talvez por isso, haja quem acredite que convidar 13 pessoas para um jantar é uma desgraça, simplesmente porque os conjuntos de mesa são constituídos, regra geral, por 12 copos, 12 talheres e 12 pratos. 

Outra versão diz-nos que Friga (o nome haveria de dar origem a Frigadag), deusa do amor e do sexo, foi transformada em bruxa, quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo. Como vingança, ela passou a reunir-se todas as sextas-feiras com onze outras bruxas e o demónio – 13 – para rogar pragas aos humanos. Da Escandinávia, a superstição ter-se-á espalhado por toda a europa. 

Como diria António Aleixo, a mentira para atingir profundidade tem de trazer sempre à mistura alguma coisa de verdade, assim a superstição ligada à sexta-feira 13 ganhou alguma credibilidade no espírito das pessoas quando alguns factos negativos e profundamente marcantes ocorreram numa sexta-feira treze ou tão somente num dia 13. Relembremos: Cristo morreu numa sexta-feira (provavelmente dia 13); a 13 de outubro de 1307 (sexta-feira), a ordem dos Templários foi declarada ilegal pelo rei Filipe IV de França e todos os seus membros foram presos em simultâneo; a 13 de agosto de 1521, Hernán Cortés capturou Cuauhtémoc, e aí começou o fim do Império Asteca, o mais devastador incêndio na Austrália aconteceu numa sexta-feira-feira 13, de 1939; o avião que transportava uma equipa de rugby uruguaia despenhou-se nos Andes, em 1972, numa sexta-feira 13…

A isto acrescento, só por curiosidade, que na última ceia de Cristo se sentaram à mesa 13 pessoas e que a 13.ª terceira carta do Tarot é a Morte.

Quer tudo isto dizer, quer queiramos ou não, que a superstição faz parte da nossa vida, ainda que uns sejam mais supersticiosos que outros. Por mais racionalistas que sejamos, por mais que abjuremos as crendices e ridicularizemos bruxas e bruxedos, há uma parte irracional que escondemos por debaixo dum sorriso nervoso ou duma piada que nos faz duvidar. E se for verdade… 
A verdade é que todos sabemos que há coisas irracionais, inexplicáveis, “esquisitas”, que nos escapam ao entendimento. A uns causam medo, a outros seduzem, porque o mistério é absolutamente afrodisíaco. Eu acho que a superstição é uma das faces do mistério da existência. Tentar capturá-la é tanto inútil e contraproducente. A vida humana se fosse apenas racionalidade seria um tremendo aborrecimento.

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