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A PROPÓSITO DE UM DIA QUE NÃO É O DIA INTERNACIONAL DA MULHER

SUSANA DIAS
A propósito de um dia que não é o Dia Internacional da Mulher Ou do porquê de, todos os anos, ser necessário lembrar a desigualdade de género de todos os dias.
Esta rede social é uma excelente fonte de análise de comportamentos, da qual se podem inferir interessantes conclusões na área da psicologia e da sociologia. Muito recentemente vivi uma experiência no perfil de um conhecido, cujos contornos podem bem expressar os preconceitos que estão na base da desigualdade de género.
Esse conhecido publicou um texto, no seu perfil( no uso legítimo da sua liberdade de expressão, entenda-se) não apenas satírico mas também insultuoso( aos meus olhos) a propósito da proposta política de uma senhora muito conhecida nessa área que, para além do mais, é uma mulher gira. Não me contive, porque entendi que as suas palavras não procuravam desconstruir a proposta política da senhora mas, antes, insulta-la num comentário de teor sexual. Eu sei que o direito de liberdade de expressão permite, não só ao Charlie Hebdo, mas a qualquer um de nós dizer o que bem entender, desde que não ofenda a integridade das pessoas ( tal é garantido pela Constituição Portuguesa), mas, também permite o direito à discussão lógica, racional e ética de argumentos. Só assim é que eu entendo manter-me por aqui, pelo facebook, e participar na discussão de assuntos nacionais ou generalistas, conforme a minha vontade e disponibilidade.
Bem, a minha incursão no covil desse senhor onde há muito o cheiro a testosterona invadiu a massa cinzenta de parte dos seus intervenientes, foi deliberada. Porque eu creio que a discussão racional de um assunto não tem género mas argumentos, procurei alargar e aprofundar o nível intelectual da análise do que estava em causa naquele post, ou seja do olhar sexista em relação às mulheres. Bem, o desfile de comentários provocatórios dos vários intervenientes, todos adultos, que terminou numa insinuação de um deles de que o “ meu “ “ problema é mesmo falta de “afrontanço”…”, testemunhou a teoria que para certo tipo de homens, as prestações das mulheres se limitam ao desempenho sexual e à decoração estética do mundo. Que visão tão grotesca e neanderthal! E estes homens andam por aí, sabemos bem…incapazes de encontrar argumentos numa discussão ao nível que eu coloquei, limitam-se a mostrar a sua boçalidade, falta de elegância e de neurónios…Passados tantos anos desde o esforço pioneiro das sufragistas pela conquistas dos direitos só garantidos aos homens, e depois de tantas reivindicações, projetos, campanhas, continuamos a observar que as mulheres continuam a ser um alvo fácil para a arrogância e incapacidade intelectual de certo tipo de homenzinho, reduzidas a meia dúzia de clichés sexuais. E este meu desabafo não tem nada a ver com feminismos ou meio feminismos mas com a exigência de reconhecimento dos direitos mais básicos assegurados ao Homem no seu todo, logo à partida, o direito à integridade moral ( aqui) , física (acolá). 
Não estou a pedir favores para o género feminino mas para o Ser Humano no seu todo, porque é deste grupo que eu e as outras mulheres fazemos parte. Nunca me escusei no meu género para obter favores ou reconhecimentos e sempre fui vista em pé de igualdade no meu trabalho e na sociedade em geral, pelos meus pares masculinos. Mas episódios deste género dão-me que pensar porque não são esporádicos, e revelam as características psicológicas e sociológicas da certo tipo de atores sociais, o que demonstra que os nossos modelos educacionais (ao nível dos papeis de género na família, por exemplo) ainda têm muito a limar para terminar com estas e outras, bem mais graves, descriminações de género.

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