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CIRROSE NÃO É SINONIMO DE ALCOOLISMO

ANTONIETA DIAS 
A cirrose é uma patologia que afeta o fígado e transforma a célula hepática normal num tecido fibrótico, com estrutura nodular destruindo-o completamente e comprometendo ou anulando a sua função.
A prevalência mundial da cirrose é desconhecida.
Nos Estados Unidos da América (USA), esta doença causa 25.000 óbitos por ano.
No Reino Unido nos últimos trinta anos a mortalidade por cirrose na mulher jovem aumentou 1000%.
Os últimos dados estatísticos apontam para uma percentagem de 11% de mortes nos homens na Europa Ocidental, por cirrose, calculando-se que em Portugal a estimativa anda por volta dos 5.000 portugueses.
Em Portugal representa a 10.ª causa de morte, sendo que a principal causa (cerca de 70 a 85%) dos casos é de etiologia alcoólica.
No nosso País o consumo de álcool é elevadíssimo, e nós estamos nos dez primeiros países do Mundo com maior consumo de álcool, acresce ainda, o fato de termos um número muito grande de acidentes de viação associados ao excesso de álcool.
O flagelo do consumo de álcool no nosso país representa um grave problema para a saúde pública, verificando-se que a idade de inicio de ingestão de bebidas alcoólicas é cada vez mais precoce, preconizando-se que seja por volta dos 13 anos de idade, não havendo grandes diferenças entre os dois sexos (feminino e masculino com bebedeira de fim-de-semana de grandes quantidades – shots) cujas repercussões socias estão associadas a fenómenos altamente desestabilizadores tanto para a pessoa, família ou até para a economia social (absentismo escolar e laboral, disfunções familiares, abandono familiar, desemprego, incumprimento adequado das tarefas escolares e profissionais, degradação e distúrbios da personalidade), enfim uma série de fenómenos desencadeados por este distúrbio social.
A cirrose é uma doença altamente incapacitante (ascite com paracenteses frequentes, encefalopatia crónica, hemorragias frequentes por roturas de varizes com uma mortalidade de cerca de 30) com custos elevados no que se refere ao número de consultas, internamentos e tratamento.
A idade média da morte por cirrose hepática em internamento é de 12%, correspondendo ao triplo da média nacional que é de 4%.
Portugal carece de unidades próprias (hepatologia, cuidados continuados, cuidados paliativos) para o internamento destes doentes e de canais eletivos para o tratamento dos doentes, não só no que se refere às consultas, como nos internamentos.
Importa ainda referir que existem outras causas responsáveis pela etiologia desta doença para além do alcoolismo cronico, apesar de que o consumo exagerado de bebidas alcoólicas (cirrose hepática de etiologia alcoólica) ser a principal fonte para o desenvolvimento desta patologia, porém outras causas não menos importantes são responsáveis pelo aparecimento da mesma como por exemplo, as hepatites autoimunes, as hepatites virais, mais frequentes a B e C, as lesões hepáticas provocadas por drogas ou toxinas, doenças metabólicas das quais salientamos a deficiência de alfa -1-antitripsina, hemocromatose, doença de Wilson, e ainda uma série de outras patologias que originam esta doença tão frequente na população em geral como sejam os distúrbios vasculares (insuficiência cardíaca direita cronica, Síndrome de Budd-Chiari) , cirrose bilar primaria, cirrose biliar secundária a obstrução crónica, colangite esclerosante primária, cirrose criptogenica (etiologia desconhecida), atresia biliar, insuficiência congénita de ductos intra-hepáticos (Síndrome de Alagille).
O diagnóstico de cirrose na fase inicial é difícil de fazer porque a doença desenvolve-se de forma praticamente assintomática, sendo muito frustes os sintomas referidos pelos doentes, o que dificulta a sua deteção precoce.
Na maior parte dos casos esta doença é diagnosticada através da realização de exames complementares de diagnóstico (análises de rotina), que revelam alterações dos marcadores hepáticos (transaminases).
Em fases mais avançadas já surgem sinais importantes como o aparecimento de desnutrição, icterícia da pele e mucosas (olhos amarelos), sangramento das mucosas (especialmente gengivas), ascite (edemas localizados no abdómen), edemas generalizados e o aparecimento de encefalopatia hepática, que resulta da acumulação de toxinas, com instalação de um quadro neurológico grave que pode terminar em coma.
Todavia, é importante ainda alertar para a hepatotoxidade associada ao uso de substâncias denominadas de “produtos naturais”, que se encontram comercializados e dos quais destacamos os mais usuais: “chá verde”, “bioactive”,”noni”, “herbalife”, que estão a ser promovidas como elementos saudáveis para o consumo, e que são altamente prejudiciais, não havendo controlo na sua essência quer a nível nacional, quer internacional, sendo muito preocupante esta publicidade enganosa.
Em suma, deveriam ser incentivados os procedimentos e as recomendações com alertas e programas destinados e dirigidos a toda a população em que a educação para a saúde focalizasse de forma assertiva para os efeitos deletérios do consumo exagerado de álcool e para as suas graves consequências.

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