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SOCIEDADE & NATUREZA

GABRIEL VILAS BOAS

Ao longo dos tempos, a Natureza tem revelado grande capacidade de resiliência e de paciência com o ser humano. Agredida das mais variadas formas, amputada de vários filhos queridos, a natureza continua a proporcionar ao Homem oportunidades de reconciliação. Infelizmente o ser humano tem recusado a maior dessas possibilidades, continuando a desfigurar a mãe da vida.
O egoísmo, essa célula cancerígena dos tempos modernos, define também a relação do Homem com o meio ambiente. Grande parte das intervenções do ser humano nas florestas, nos rios, nas praias, nas cidades ou nas zonas industriais visam a satisfação imediata e fácil dos seus desejos e manias, em prejuízo do elemento natural. 
O mais estúpido é que, em muitos casos, esses desejos ou manias seriam também alcançados sem ferir mortalmente o ambiente, se houvesse paciência, racionalidade, um pouco mais de investimento. 
Desgraçadamente, chegamos ao início do século XXI numa situação de pré-rutura ambiental, em que começamos já a pagar a fatura de toda a ingratidão, egoísmo e estupidez do último século e meio. Somos forçados a intervenções de recurso, mas continua por tratar o problema de base: a educação ambiental. 
Alguns passos foram dados na última década, mas são claramente insuficientes. Foi positivo que os portugueses se tenham habituado a reciclar; constituiu um êxito a retirada do fumo do tabaco dos restaurantes, cafés e demais espaços fechados; os rios já não sofrem o ataque pesticida doutras décadas. 
No entanto, as matas continuam por limpar e os assassinos profissionais das florestas fazem questão de nos lembrar isso de junho a setembro; o mar continua a deglutir dunas; há fábricas que pintam o céu de cinzento carregado e fedorento. 
Dizem alguns industriais que Portugal ainda tem quota para poluir mais. É uma ideia idiota, perigosa e ignóbil. A indústria deve adotar o único paradigma que interessa a país: qualquer atividade económica deve respeitar o ambiente. 
Acho que a educação ambiental começa no contacto com a natureza. Se proporcionarmos às crianças e jovens esse contacto permanente com a natureza, eles vão aprender a amá-la. E é muito mais fácil respeitar aquilo que amamos. 
Quando o tempo das decisões chegar, essa geração, que habitou os bosques na primavera e no verão, estará mais consciente e preparada para tomar decisões verdes.
Por outro lado, penso que a floresta e o mar têm um potencial económico imenso que pode e deve ser aproveitado por pequenos e grandes empreendedores. Não é um favor que fazemos ao ambiente, é um favor que fazemos à humanidade.

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