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DIA DE PORTUGAL

GABRIEL VILAS BOAS
E se Portugal estivesse para acabar? Como reagiríamos? O que, verdadeiramente, poderíamos fazer? Afinal, que sentimentos nos unem a Portugal?
Por vezes, penso que grande parte de nós reagiria com a habitual resignação, que Guterres tão bem caracterizou: “É a vida!” Haveria também aqueles que fariam contas aos seus proventos pessoais: “Ai sim?! Se calhar é o melhor… E quem nos comprou?”
Mas a verdade é que também existiriam alguns milhões que sofreriam imenso. Uma dor profunda e lancinante de se perderem de si e na perda reconhecerem o grande amor de toda a vida. 
É provável que houvesse também um punhado de heróis anónimos que lutassem loucamente por impedir o fim. Talvez não fosse o suficiente, talvez fosse apenas comovedor… 
Muitas vezes, pressinto o quanto manietados estamos. As fronteiras parecem apenas uma linha no mapa, num tempo em que, descaradamente, se oferece a nacionalidade portuguesa no mercado negro a quem tenha uns dólares ou euros para a comprar. As empresas que habitam o nosso território já não são nossas, apesar do nome, apesar dos trabalhadores… 
É tão triste ver como os nossos endeusados empresários criaram tantos prejuízos nas empresas que herdaram dos pais, que, agora, as tentam empurrar/vender para as mãos angolanas de Isabel dos Santos ou para os comunistas mais capitalistas do planeta – os chineses – para fazer mais uns milhões que torrarão em Nova Iorque, Londres ou Paris, sem pudor algum.
Esses não amam Portugal. Não amam as gentes do Douro, do Ribatejo ou do Alentejo, dispensam a nossa língua e preferem o inglês; acham um horror fazer férias em Portugal e nunca valorizam os nossos rios, o nosso solo, os nossos costumes.
Tenho muita pena que não entendam o orgulho de ser português, plasmado nas canções de Mariza ou nos versos de Camões, nas fábricas centenárias que resistiram a todas as crises e mudanças, na língua falada por duzentos milhões de pessoas, na saudade dos emigrantes, na tristeza daqueles que partem… tenho muita pena, porque, infelizmente, são eles que têm o dinheiro e o poder. E eles não o sabem usar porque não nos amam!
Portugal não vai acabar! Ainda que agora apenas pareça mais um invólucro sem conteúdo, vamos resistir como sempre resistimos. Acredito muito nas novas gerações. Talvez porque nunca viveram o mito do “estrangeiro é que é bom”, eles amarão genuinamente o que é nosso e voltarão a encher o invólucro, resgatando o país dos seus avós, que um dia os pais puseram no prego!

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