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MEMÓRIAS SUBMERSAS

CATARINA PINTO
O céu azul estende-se pela encosta de um horizonte longínquo, em todos os sentidos. Esvoaçam pássaros cinzentos sem saber que nas suas asas se escreve a história de vidas, de séculos, de ambições. A manhã fresca de primavera dará lugar a um dia agradável para passear, para brincar, para ser feliz, para sonhar… Ali, no parque a vida bucólica fervilha com o bater de relógios, um tic tac sem para de evolução humana, sem sequer se dar por isso. Ao fundo de tudo, uma velha e cinzenta ponte de pedra, parece conhecer tão bem o ritmo da vida, dos dias, dos séculos. Mas o notável de esta foto que parece um quadro, são de 14 meninas e meninos, alinhados para tirar uma fotografia inédita ou será que algo mais capta a atenção daquele grupo? Uns mais corajosos que os outros, já que se aventuram em molhar os pés, as pernas, inclusive o mais pequeno, ainda bebé, que sim parece estar incomodado, mesmo que seja o descobrir da água fresca pelo corpo. As roupas detalhadas de uma época de “novos descobrimentos”. Eis nos a olhar para uma foto com tanta juventude e frescura mas a verdade é que mais de 100 anos nos separam. Esta foto foi tirada em 1908 em Detroit, Estados Unidos. Desde o primeiro momento que a vi, me fascinou. A verdade é que os rostos têm algo em comum, com os rostos dos nossos dias… a maravilhosa infância, com os seus altos e baixos, as aventuras em cima de uma casa de uma árvore, os aranhões nos joelhos e braços, os sonhos frescos mas a verdade é que não são os “nossos filhos” mas sim os nossos avós e bisavós, em que o tempo já passou e não podemos mais reter em vida. O nosso sangue, a nossa história e que podemos sempre contar com a sua presença dentro do nosso coração, onde jamais morrem mas antes são a imortalidade do ser.
FOTOGRAFIA QUE INSPIROU A CRÓNICA

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