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BIRD Magazine

TRIBUTO AO AMARANTINO LUÍS COUTINHO

LUÍS COUTINHO

HÉLDER BARROS

«Há personalidades e memórias indeléveis.

As principais características que conheci no contacto de amizade que tive o privilégio de manter com o Dr. Luís Coutinho, passavam notoriamente pela sua enorme sabedoria, inteligência, um trato muito gentil e educado para a toda a gente, sem excepção, qualidades que aliadas a uma cultura da amizade e da camaradagem que pouca gente se digna ter, nos dias que correm, o tornavam um ser incontornável da vida amarantina.
Mas, talvez porque não era pessoa de se colocar em bicos de pés, nem se iluminava pelas luzes da ribalta, não procurava entrevistas, existem agora por aí alguns iluminados pseudo-intelectuais, que nem o conheceram real ou verdadeiramente, e que, pasme-se, decidiram querer apagar do mapa a sua forma simples de ser e os seus voluntariosos préstimos à sua amada Cidade de Amarante. Auto-intitulam-se de donos da verdade, ao ponto de determinarem a mudança de nome de algumas organizações… simplesmente, porque não concordam e querem ser os protagonistas da moda… pelo menos, desdobram-se em entrevistas à comunicação social!

Lembro-me que, juntamente com o Exmo. Padre Amaro Gonçalo, o Dr. Luís Coutinho encetou um trabalho, invisível, claro está, sem luzes da ribalta, de catalogação, inventariação e de preservação do Património Religioso local, simplesmente fantástico. Os amarantinos com memória, que ainda não foi silenciada, pelo mainstream da moda, podem testemunhar o estado em que estava a Igreja de São Gonçalo, São Domingos e de São Pedro, quando estes dois seres, iniciaram o seu árduo e penoso trabalho: Património Religioso em avançado estado de abandono, passível de degradação irredutível e de desaparecimento por “desvio” inconveniente da ação humana.

Numa das múltiplas e sempre enriquecedoras conversas que mantive com o saudoso, Dr. Luís Coutinho, falou-me da sua paixão pela Arte Sacra, pelo dinheiro que investia nisso, em moedas antigas, postais, etc. A Igreja de São Domingos era uma paixão que tinha desde idade bem jovem, pois, segundo ele, quando ia para o Colégio de São Gonçalo de Amarante, ficava fascinado a contemplar aquele monumento religioso, tão importante na história sacra do burgo amarantino. É também por isso que sinto o peso da injustiça vindo de homens que pregam os valores cristãos, mas que não agem em conformidade: “Bem prega Frei Tomás…”.
A falta de competência não pode ser, honestamente, imputada ao trabalho do Dr. Luís Coutinho e ao Ex.mo Padre Amaro Gonçalo. Souberam sempre documentar-se com rigor e nunca passavam para a obra sem o suporte documental bem estudado. Tive a oportunidade de estar na Universidade do Minho, aquando da apresentação póstuma de um livro “As moedas das Carvalheiras”, pela Docente Universitária Dra. Manuela Martins, que coordenou este magnífico trabalho de investigação arqueológica que o Dr. Luís Coutinho realizou em Braga, enquanto estudante de mestrado daquela reputada faculdade minhota.
Também aí, pude constatar da qualidade, seriedade e rigor científicos, do trabalho académico do Dr. Luís Coutinho, cuja passagem por aquela instituição académica de referência, ficou marcada de forma indelével, pelo trabalho proficiente e substantivo que produziu. É claro que se perguntarmos em Amarante pouca gente conhece estes factos: o Dr. Luís Coutinho não investia no show off, muitos com muito menos, deitam foguetes, saltam, fazem piruetas e apanham as canas… mas para alguns seria bom lerem o livro, sempre aprenderiam algo mais! Confesso que sou daqueles, que estou muito entusiasmado, até à data, com o Ministério do Papa Francisco I. E até acredito que, com a sua forma contagiante de viver a Fé, conseguirá ser uma influência muito positiva para uma Igreja com uma prática clerical muito desfasada no tempo. No entanto, verificar que nem toda a nova geração de clérigos segue as suas pisadas, da humildade, do desprendimento, de uma missão de serviço aos outros, em contraponto com o culto do eu, deixa-me bastante céptico para com o futuro… alguns são até autocráticos, no pior da velha tradição clerical!
Para que conste, o Doutor Luís Coutinho, não fazia questão de ter o seu nome numa qualquer lápide evocativa, associado a nada. Procurou sim que, com o seu trabalho e dedicação, essa ligação fosse natural, pois quem trabalha com a paixão que ele trabalhou em prol de uma causa, jamais será dissociado da mesma… há sempre alguém que se lembra! Tenho saudades de o ver sentado numa mesa do Café Bar, a dar lições de história sobre Amarante e São Gonçalo, a quem nunca abjurou em jantares mais ou menos secretos… Ora, o Dr. Luís Coutinho na sua bondade deverá estar a dizer a Deus, o que disse o Seu filho, Jesus Cristo: “Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem!”»

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