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"FRANCISCO XAVIER DA SERRA CRAESBEECK ESCREVEU SOBRE O CASTELO DE FRE-GIM, AMARANTE, EM 1726”

Capela de Santa Cruz

HÉLDER BARROS
A primeira pessoa que me fez referência a este documento escrito de Cra-esbeek, foi o saudoso Amigo, Dr. Luís Coutinho, Senhor de um conhecimento profundo e apaixonado por tudo o que à História em geral se referia e à nossa amada Amarante, em particular. Quando, numa agradável conversa que tive-mos no Café Bar em Amarante, O Dr. Luís Coutinho me referiu a existência de uma Castelo em Santa Cruz, anterior à nacionalidade e que faria parte de uma corda defensiva ancestral que englobaria o Castelo de Arnóia, fiquei fascinado, pelo seu poder narrativo consubstanciado num forte conhecimento científico e literário. O que mais me impressionava naquele ser, era o brilho que sobressaía dos seus olhos, num corpo já frágil, mas com uma vontade de conhecimento infinita, mormente, em assuntos relacionados com a Princesa do Tâmega, que tanto amou! Nunca se pôs em bicos de pés, não buscava louvores nem passadeiras vermelhas, o ambiente sociopolítico até lhe era hostil… procurava o Conhecimento; sem mais! Tratava-se de um ser humano fantástico, como já há poucos, de uma nobreza de caráter exemplar!

Por sua sábia indicação, procurei então consultar este documento, escrito por Craesbeek em 1726 que não deixa margem para dúvidas. Amarante e mais propriamente Fregim, então pertencente ao concelho de Santa Cruz do Riba Tâmega, tiveram um castelo cujas fundações podem ser observadas ainda ho-je, no lado Sul da Capela de Santa Cruz, atualmente pertencente à Freguesia de Louredo.
(…) “1. O Concelho de Santa Cruz, chamado de Riba Tamega, fica cituado quatro legoas desta villa de guimarães, para o Sul; parte do Nacente com o rio Tamega, de junto à villa de Canavezes athe a villa de Amarante; e com terras da villa de Basto, por confrontação tem huma grande legoa. Parte do Norte com da dita villa de Basto e com terras dos concelhos de Unhão e Filgueiras: e poe esta parte tem outra grande legoa de distancia. Parte do Poente com terras do concelho de Lousada (que he da comarca e ouvidoria de Barcellos e da Serenissima Caza de Bragança) e tambem com a Honra de meinedo e concelho de Penafiel (termo e comarca da cidade do Porto), pella qual parte tem outra grande legoa. Parte do Sul com o concelho de Porto-carreiro, termo e comarca da cidade do Porto, e com a dita villa de Canavezes, athe chegar ao dito rio Tamega, por onde tem outra legoa grande. E assim vem a ter en circuito este concelho sinco legoas ordinarias ou quatro grandes; e em direitura, de Nascente a Poente pelo meio, tres legoas; e de Norte a Sul, duas e meias; pello que he concelho grande, mas montanhoso; derivado o seo nome de huma alta serra e castello, que houve antiguamente, na freguesia de Santa Maria de Fregim, de que faremos adiante menção. 2. O mais antiguo Senhor, que achamos desta terra e castello, he D. Mem Vie-gas e Sousa, por merce do Conde D. Henrique (a quem servio), pellos annos de 1112” (…)
É notória a importância da Freguesia de Fregim, como local estratégico, ligado ancestralmente a vias de comunicação importantes, quer para os viajantes pa-cíficos e romeiros, quer para quem nos queria atacar e tomar. Assim, a exis-tência de um Castelo não causa surpresa, dado que, na Capela de Santa Cruz, tem-se uma perspetiva privilegiada de todo o vale que o Tâmega enforma, entalado pelas Serras do Marão e da Aboboreira, e pela nossa Amarante. Craesbeek, narra assim acerca da Freguesia de Santa Maria de Fregim e que também pertence à Ordem de Malta: (…) “2. Tem esta igreja 5 cappellas filliaes, a saber: Nossa Senhora do Souto; São Sebastião; São Jorge, que hoje esta demoida; São Miguel o Anjo, na quin-ta de Gonçallo Pinto, homem honrado desta freguesia; e São Miguel, na quinta de D. Catherina. Em hum alto monte estão vestigios que nelle estivera hum castello, que os mouros fizerão, e inda se achão pedras lavradas e algumas pias e no outeiro alguns buracos, a modo de dornas, aonde disem que os mouros deixarão seos thesouros, quando os deitarão fora de Portugal; e he este monte muito aspero e inhabitavel e lhe chamão ao citio o castelo de Santa Crus, donde se derivou o nome deste concelho.” (…)
Neste excerto do texto pode-se constatar a antiguidade das diversas capelas que existem em Fregim e a existência da Capela de São Jorge à data demoli-da, não restando, hoje em dia, vestígios da sua existência. Quando frequentei a Escola Primária em Louredo, sempre se falava deste cas-telo de Santa Cruz de forma mágica, com túneis para o Rio Tâmega, tesouros escondidos, mouras encantadas, etc. 
Penso que é um Património que Amarante deveria preservar com muito mais cuidado e afecto, promovendo estudos e teses académicas sobre este local que tem muita história e muitas estórias guardadas da nossa ancestralidade. Para terminar, deixo aqui uma palavra de gratidão para o meu colega e Amigo, Dr. Pedro Carvalho, Professor de História do Agrupamento de Escolas de Celorico de Basto, que muito me tem ajudado na procura de documentação histórica relevante sobre Amarante e não só.

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