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SETE DIAS EM PARIS. DIÁRIO. DIA 1 #

(#Aeroporto Sá Carneiro – Orly #Reconhecimento da Rue de La Verrerie e zonas envolventes #Hôtel de Ville #Île de La Cité #Notre-Dame # Ponte dos Cadeados, ao rio Sena # Sainte-Chapelle)
Família Borges Lopes: “Hotel de Ville à Paris”
Não importa se já fomos antes a Paris. Se temos filhas adolescentes, elas vão querer voltar lá.
Chegar a Paris às 14:00 (hora local) pode ser encantador. Na verdade, pode ser perfeito para primeiro dia de viagem.
Depois de instalados num pequeno apartamento na Rua de La Verrerie, no Marais, reconhecido como um dos bairros mais “simpáticos” de Paris, guiados pela luz da “cidade-luz”, fomos fazer o reconhecimento das ruas envolventes.
O Hôtel de Ville é, sem sombra de dúvida, um dos edifícios mais belos de se contemplar. E a animação na praça, a prática de desportos, a vida circundante dão-lhe um charme ainda mais especial.
De todo o lado, avistávamos a catedral de Notre-Dame. O desejo era aproximarmo-nos mais e mais. A sua visão funciona como um íman, atraindo pela imponência das torres e o pináculo retorcido contra o céu. Depressa estávamos à porta. Todos os pescoços esticados procuravam escrutinar a complexidade de trabalhos catedral acima: torres, janelas de rosácea, portais, gárgulas, animaizinhos diabretes (como lhes chamávamos). Havia uma grande uma fila de turistas, mas a entrada foi rápida. A visita a essa que é uma das catedrais mais famosas do mundo faz-se calmamente: deixando-nos envolver pelo silencioso interior da pedra; contemplando os imensos arcobotantes, o intrincado trabalhado gótico, as altas abóbadas, as capelas, os vitrais, o órgão, a Pietá, de Nicolas Coustou – e eu, que me comovo de lágrimas com as “pietás”, como gostaria de conhecê-las a todas, as do mundo inteiro!
Voltando lá fora, frente à catedral, contrastando com os militares armados que patrulhavam a praça, dois noivos faziam uma sessão fotográfica. É frequente avistarmos noivos em Paris, muitas das vezes não se tratando do dia do casamento, apenas acompanhados por um fotógrafo. Julgo que será mais fogo-de-vista do que outra coisa, na inquietação de dizer que celebraram o casamento em Paris, na ânsia de registar essa fantasia em fotografia, nesse medo de não aparecer – essa fobia –, porque é preciso aparecer para parecer.
Atravessando os portões para o jardim, comprova-se que o pináculo e a Chapelle St.-Georges são de uma extravagância difícil de explicar. Logo se avista uma das pontes dos cadeados, neste caso, a Pont de l’Archevêché, debaixo do olhar complacente da estátua do Papa João Paulo II. Independentemente da campanha “Love Without Locks” (Amor sem Cadeados), levada a cabo pelas autoridades parisienses, milhares de cadeados continuam a ser colocados nos gradeamentos, selando promessas de amor, numa tradição secular, vinda de lendas e histórias contadas em vários lugares do mundo. Será a tradição, se assim se pode chamar, uma forma de pôr trancas ao Amor – “Tu só, tu, puro Amor, com força crua / Que os corações humanos tanto obriga /[…]” (já dizia o nosso Camões), não o deixando correr, amar, louvar-se, honrar-se livremente? Uma forma de o agrilhoar? Ah, essas coisas do amor são muito complicadas. É a loucura! Um casal português pediu-nos que lhes tirássemos uma foto. No Sena, os barcos recheados de pessoas. Acenavam, felizes, passando debaixo da ponte carregada de amores selados com cadeados. Como? Queriam saber se lá deixei o meu?
Ao fim da tarde, fizemos o caminho a pé até à Sainte-Chapelle. É magnífica a Île de La Cité. Barraquinhas estendem-se a perder de vista nas margens do Sena, com pintores, alfarrabistas e diversas vendas de “souvenirs”.
Tudo concorria para a magia que sempre guardamos da “cidade-luz” – e aquele era um fim de tarde especial de calor e luz –, enquanto se ia cobrindo de ouro a planície parisiense.
Na Sainte Chapelle, no Palais de Justice, o controle é apertado, sendo necessário passar uma enorme fila com detector de metais. A pequena capela, obra-prima do estilo gótico, construída para alojar relíquias acumuladas durante as Cruzadas, é, para muitos, a mais bela do mundo. Para nós, avistá-la a partir dos pesados portões dourados, fotografá-la longe da multidão, na sua beleza impregnada de sobrenatural, com a simpática permissão dos dois monsieurs gendarmesque os fechavam (os portões)
de-va-ga-ri-nho, debaixo do olhar atento do anjo que atira uma flecha para o céu, símbolo maior do desejo do homem de subir até Deus, foi um gosto surreal, como o são tantas outras coisas que fomos encontrando na cidade. E eu, que amo os anjos, vejo nesse um dos mais belos que já vi – eu que gostaria de conhecer todos os anjos, os de pedra e os de carne que habitam o planeta.
Foi ainda tempo para visitar a misteriosa tour de Saint Jacques, outro marco que, pela beleza e altitude, nos serviria, doravante, de orientação dos dias.
E pronto. Perto daí, avistávamos os imponentes edifícios do Musée du Louvre. A visita estava guardada para outro dia. Foi mesmo, como dizia o outro, um “adeus compadre, até outro dia”, porque era tarde e estávamos cansados e o museu estava a fechar e as coisas estavam programadas assim… Ai, que vontade de entrar logo! As filhas queriam entrar logo. Diziam que queriam ir lá. Agora!
Aspectos positivos: é muito agradável, fácil e relativamente seguro, andar a pé em Paris. A cidade é plana e temos a oportunidade de observar tudo com bastante calma e atenção. É possível sentir, debaixo da pele, a pulsação da cidade.

Aspectos negativos: para este dia, nada. Ainda mal começámos a viagem, não é verdade?

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