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REGRESSO À ESCOLA

PAULO SANTOS SILVA 
Depois de umas sempre retemperadoras férias, o regresso. Todos os anos por esta altura, começa a azáfama de alunos e encarregados de educação. Ele é os livros, os cadernos, o material escolar… Enfim, um sem número de coisas que é preciso comprar e que, cada vez mais, pesam no orçamento familiar já de si tão castigado, em particular nestes últimos anos.
Todos nós temos certamente bem presentes o cheiro inebriante dos livros e dos cadernos novos, assim como o brilho reluzente da nova caixa de marcadores, das novas canetas e das novos lápis e borrachas! Isto sem falar nas pastas ou, mais recentemente, nas mochilas que existem para todos os gostos. Passe a publicidade, marcas como a Molin, Pelikan, Bic e UHU farão parte das lembranças do tempo de escola de muitos de nós. 
No entanto, o título desta crónica fala em regresso à escola e não em regresso às aulas. Não é por acaso. É que nem só de alunos se faz o regresso à escola. Também se faz de professores. 
Todos os anos por esta altura, milhares de professores assomam aos Centros de Emprego depois de a angústia pela saída das listas de colocação nas escolas, dar lugar à desilusão e à frustração pela não colocação nas mesmas. Serão todos estes milhares necessários? Certamente que não. Tivesse havido a coragem de em tempo útil ter encerrado alguns cursos e certamente não seriam, hoje, tantos sem colocação e, pior do que isso, sem a mínima hipótese de algum dia a virem a ter. Agora, a pergunta certa é:
– Estarão as nossas escolas, nomeadamente as públicas, dotadas dos recursos humanos necessários para promover o sucesso escolar de TODOS os alunos?
A resposta é um claro e rotundo NÃO. Ao longo destes últimos anos, os sucessivos governos têm contribuído para a degradação da Escola Pública, muitas vezes à custa do descrédito da classe docente, lançando e fomentando ideias pré-construídas de que os professores são “uns grandes malandros que trabalham pouco e recebem muito”. Bons e maus profissionais, existem no professorado, na medicina, na magistratura, na política, etc… 
Juntando esta falta de recursos ao nível da classe docente, à falta de recursos ao nível dos assistentes operacionais, ao elevado número de alunos por turma (onde muitas vezes existem alunos com Necessidades Educativas Especiais) e às metas extensíssimas que o Ministério da Educação impõe a algumas disciplinas, sendo que o seu grau de exigência começa desde cedo a ser bastante elevado, fica a dúvida se o que realmente se quer é o sucesso de todos os alunos, ou o regresso aos tempos em que apenas alguns (poucos) estudavam até ao ensino superior. 
O tempo se encarregará de aferir o custo que estas políticas terão no futuro dos nossos jovens. A nós, que orgulhosamente continuamos a resistir e a encontrar em cada aluno a motivação necessária (ano após ano e apesar de todas desconsiderações de que temos vindo a ser alvo) para continuarmos a ser PROFESSORES, não nos demoverão do firme propósito de continuarmos a contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, mais formada e informada. 
A todos os professores que vão continuar nos seus Agrupamentos e nas suas Escolas, a todos os professores que, tal como eu, vão iniciar uma nova etapa da sua vida profissional em outros Agrupamentos e a todos os professores que não tendo sido colocados, ainda o vão ser porque a Escola precisa EFETIVAMENTE deles, desejo um BOM ANO LETIVO!!!

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