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ENVELHECIMENTO INTELIGENTE

ANTONIETA DIAS 
Todos sabemos o quanto é precioso para um País e para o Mundo garantir o bem-estar, a dignidade e a respeitabilidade das pessoas que conseguiram ultrapassar com sucesso a faixa etária dos sessenta e cinco anos.
Torna-se assim evidente que a Geriatria é uma ciência cada vez mais necessária para sustentar os pilares de decisão e de intervenção personalizada, fundamentando e solidificando os critérios e os modelos a adotar para conseguir manter um envelhecimento ativo tão carente de estabilidade e de segurança.
Os idosos são úteis, são capazes e fazem falta à sociedade. Os Censos de 2011,revelam que em Portugal existem 2,023 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, correspondendo a cerca de 19 por cento da população total. Nos últimos dez anos este grupo etário aumentou cerca de 19%. 
Os dados estatísticos apontam que em 2030 a percentagem de idosos será de 62%, sendo que o grupo da faixa etária dos jovens sofrerá uma redução de 18.8% nessa mesma época.
Prevê -se que em 2050 o número de idosos duplicará (35,7%) e haverá um decréscimo da população juvenil de 0.5 % (14.4%). Unir as gerações deveria ser uma prioridade para a Nação, pois não conseguiremos conciliar e partilhar o mundo sem que esta simbiose seja conseguida.
No Japão é normal um idoso chegar aos 100 anos, sendo uma mais-valia e uma inquestionável honra por parte da sociedade conseguir atingir este privilégio. Respeitar o idoso é uma obrigação social, que dignifica e valoriza a humanidade. Devemos proporcionar as condições e criar os meios necessários para que o envelhecimento ativo seja uma realidade, protegendo o idoso e o ajude a desenvolver hábitos e estilos de vida saudáveis.
Envelhecer não é sinónimo de encargo social, bem pelo contrário é usufruir da experiência e do conhecimento vivenciado por pessoas que representam a pérola de um grupo social que já demonstrou que tinha, tem e terá capacidade para nos ensinar e para enobrecer os padrões de cidadania. Por mais tentativas e por mais esforços que façam para denegrir a imagem do idoso nunca conseguirão apagar o percurso de quem trabalhou e alguns ainda trabalham para construir uma sociedade exemplar cujo alicerce é sustentado pela riqueza de uma vida dedicada à família ao trabalho e ao enriquecimento do País. Quem tenta encarar o envelhecimento como um “fardo ” irá de certeza receber uma enorme surpresa quando atingir essa idade porque a experiência vivenciada pelas pessoas que compõem esta faixa etária é de um valor incalculável e insubstituível. Os idosos representam o pilar de uma história, de uma vida vivida com sucesso e de uma felicidade indiscritível. Só quem não acredita na humanidade é que tenta passar a mensagem de inaptidão dos idosos ou de sobrecarga económica para um País. O envelhecimento não é algo pejorativo, mas sim a demonstração clara de uma geração que ajudou e continua a ajudar o mundo a crescer e a enriquecer.
Os idosos representam um ciclo natural da existência como é o ciclo das crianças, dos adolescentes e dos adultos. Então porque é que há cada vez mais casos de maus tratos e humilhação nas pessoas que demonstraram claramente serem capazes de enriquecerem a família, as empresas, a sociedade e o mundo?
É urgente fazer a mudança cultural e voltar a criar e fomentar o culto das qualidades e do valor dos idosos. Somar anos a vida não é vergonha mas sim sabedoria. São necessárias políticas sociais de integração dos idosos, valorizando o envelhecimento ativo e reforçando o seu contributo para solidificar a estrutura familiar, a sociedade e o País. Amar e respeitar os idosos é acreditar e reconhecer que estão preparados para harmonizar os valores inquestionáveis de uma sociedade mais acolhedora, mais culta, mais produtiva e mais experiente. Devemos ser inteligentes e não céticos. Já alguém pensou que este grupo etário poderia ser um excelente grupo para a recuperação económica dos Países e designadamente para Portugal? Em todas as carreiras profissionais existem pessoas capazes que já construíram muito, mas que apesar de serem consideradas idosas, muitas delas ainda estão em condições de exercer e executar as suas tarefas profissionais com excelente desempenho. Uma boa parte delas está disponível para salvar o País e continuam empenhadas neste objetivo, porque acreditam que a sua missão ainda não terminou e que ainda têm muito que dar ao Mundo. Se em vez de “alvejarmos” e “catalogarmos” os idosos como um fardo social, vitimando-os e maltratando muitos deles porque é que não lhes pedimos para nos ajudarem a reconstruir e melhorar a Nação? 
Uma boa parte dos idosos ativos estão motivados e desejosos que sejam criadas as condições para poderem colaborar e para nos ajudarem a ultrapassar a crise de valores e a crise económica que estamos a atravessar. Este acréscimo de sabedoria irá naturalmente ser extremamente útil e recuperadora de um bom setor da economia. Como são experientes e capazes não necessitam de muitos assessores, e talvez alguns deles até prescindissem do complemento dos seus honorários não só pelo prestígio que têm, mas porque não querem ver partir os seus filhos ou os seus netos para outros países, com todas as consequências que daí advém, designadamente o isolamento, o abandono e a desintegração da Família, o receio gerado pelo desafio de entrar num outro mercado de trabalho por vezes até incompatível com a sua esperança e motivação profissional
Esta necessidade vivenciada pelos jovens está a crescer abruptamente, sendo obrigados a emigrar para suprir as graves carências económicas e a falta de emprego instalada no nosso País. Tudo isto seria mais simples e menos oneroso se em vez de os “acusarmos os idosos”, os acolhêssemos como parceiros socais preciosos e imprescindíveis para a recuperação económica. Resta ainda acrescentar que o idoso precisa é de ser amado, respeitado e acarinhado. Devemos ser pacientes, compreensivos para os nossos familiares, amigos e conhecidos que tiveram a sorte de atingir uma idade respeitável dando-lhes o conforto que anseiam e que nós temos o dever de lhes fazer sentir, amando-os e proporcionando-lhes o afeto que necessitam.
São os frutos dos nossos atos diários que colheremos no futuro. Envelhecer é viver, é saborear as experiências vivenciadas é recordar é descobrir os momentos felizes que a vida nos proporcionou.
É sorrir, é presentear a família, os amigos, a sociedade
com a sua sabedoria, é amadurecer feliz com a certeza de que a missão foi cumprida e que ainda existem recursos disponíveis e que muito têm ainda para oferecer, como grandes conselheiros nos vários setores profissionais experienciados nos longos anos de trabalho que tiveram.
O idoso não é um “peso social ” mas sim é um tesouro que nos presenteia diariamente e que nos ajuda a enriquecer. Não podemos no século XXI abandonar este importante grupo etário.
“Nascer é uma virtude, viver é uma arte e sobreviver é um privilégio “

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