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MARIA CALLAS, 38 ANOS DEPOIS

PAULO SANTOS SILVA

Passam hoje, precisamente, 38 anos que desapareceu aquela que é considerada por muitos, a maior diva do canto lírico de todos os tempos – Maria Callas.

Nascida a 2 de dezembro de 1923, em Nova Iorque, Ánna Maria Kekilía Sofia Kalagerópulu era filha de imigrantes gregos. Devido às dificuldades económicas que a família passou nos Estados Unidos, regressou à Grécia em 1937, onde estudou canto no Conservatório de Atenas.
Embora haja alguma incerteza quanto à data da sua estreia, é consensual que começou a despontar no panorama lírico, por volta do ano de 1948, interpretando a personagem principal da ópera Norma, de Bellini, na cidade italiana de Florença. No entanto, a verdadeira projeção mundial da sua carreira, só começa a acontecer no ano seguinte quando na mesma semana interpretou duas óperas, uma de Bellini e outra de Wagner. Diz-se mesmo, que terá preparado o papel para a ópera de Bellini em apenas dois dias, em virtude de ter tido de substituir quem efetivamente ia interpretar o personagem Elvira. 
O seu período áureo acontece, provavelmente, entre os anos de 1950 e 1965, em que se apresentou de forma regular em teatros como o La Scala de Milão, o Covent Garden ou o Metropolitan. Datam também deste período, os maiores registos do seu feitio temperamental, nomeadamente a acesa rivalidade que mantinha com a italiana Renata Tebaldi, que muitas vezes lhe valeram primeiras capas de jornais. 
Em 1964, encorajada pelo seu amigo e grande cineasta italiano Franco Zefirelli, volta aos palcos para aquela que é considerada a sua melhor interpretação em ópera – a Tosca de Puccini. A sua última apresentação numa ópera completa, em 1965, foi em Paris interpretando a Norma de Bellini. Uma vez que a sua saúde vocal já se encontrava bastante debilitada, não aguentou até ao fim tendo desmaiado ao cair da cortina no final da terceira parte.
Depois de alguns anos de afastamento, regressa em 1970 para dar aulas de canto na famosa Juiliard School e regressa aos palcos em 1974, para uma série de concertos na Europa, Estados Unidos e Extremo Oriente. Embora estes concertos tenham sido recebidos de uma forma extremamente positiva pelo público, foram completamente arrasados pelos críticos especializados. A sua última apresentação pública, data de 11 de novembro de 1974, no Japão.
Tão visível como a sua carreira artística, foi a sua vida pessoal. Aliás, as duas andaram sempre bastante associadas, nomeadamente pelo facto de ter sido casada com o multimilionário grego Aristoteles Onassis, que mais tarde viria a casar com a viúva do presidente dos Estados Unidos John Fitzgerald Kennedy – Jaqueline Kennedy, mais tarde Onassis. É precisamente após a morte de Onassis, que Maria Callas passa a viver numa espécie de clausura, tendo por companhia apenas a governanta e o motorista. O crítico John Ardoin chega mesma a afirmar que Callasjá está “morta” há muito tempo, tendo apenas deixado de existir no dia 16 de setembro de 1977, devido a um ataque cardíaco. As suas cinzas, repousam no Mar Egeu, tal como era da sua vontade.
Certamente que a sua vida privada conturbada, terá contribuído para a construção do mito em que se tornou. No entanto, o maior contributo terá sido dado pela extensão da sua voz, que lhe permitia ir desde o registo do mezzosoprano, até ao registo agudo do soprano lírico de coloratura, bem como a expressividade que punha na interpretação. Maria Callas terá sido das primeiras cantoras líricas e sem dúvida a maior, a aliar a interpretação cénica ao virtuosismo vocal. 
Deixo-o, pois, com o virtuosismo de Maria Callas na aria “Vissi d’arte”, da ópera Tosca de Puccini, na acima referida gravação de 1964.

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