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LEONARD BERNSTEIN

LEONARD BERNSTEIN 
PAULO SANTOS SILVA

Faz hoje, precisamente, 25 anos que desapareceu o primeiro compositor nascido nos Estados Unidos no século XX, a ser reconhecido mundialmente – Leonard Bernstein. 

Maestro, compositor e pianista, nascido a 25 de agosto de 1918 em Lawrence, no estado do Massachussets, este filho de judeus ucranianos foi batizado com o nome de Louis devido à insistência da sua avó materna. Aos quinze anos e após da morte dela, o seu nome foi oficialmente mudado para Leonard, de acordo com o desejo inicial dos seus pais. 
O seu pai, um homem de negócios e dono de uma livraria na sua cidade natal, não foi favorável ao filho enveredar pela carreira musical. Depois de ter terminado os seus estudos na Escola de Latim de Boston, Leonard ingressou na famosa Universidade de Harvard onde estudou com grandes nomes da música como Walter Piston. Terminados os estudos em Harvard, seguiu-se o Instituto Curtis de Música, em Filadélfia, onde mais uma vez estudou piano, orquestração, composição, formação musical e direção de orquestra, com grandes nomes da cena musical americana de então. 

A sua vida pessoal, foi tudo menos pacífica. Casou-se com a atriz chilena Felicia Cohn Montealegre, com quem teve três filhos. Durante vários anos, tentou esconder as suas aventuras extraconjugais, o que se tornou cada vez mais difícil com o passar dos anos. Com o aumento da visibilidade dos movimentos de libertação gay, Leonard acabou por “sair do armário” e deixar Felicia para assumir uma relação homossexual com Tom Cothran, o que não invalidou que ao saber que Felicia tinha sido diagnosticada com cancro de pulmão, tivesse voltado para a acompanhar na doença até à sua morte.

Ao nível profissional, podemos dizer que estamos perante um dos maiores vultos (senão mesmo o maior) da música americana de todos os tempos. Nos anos 40, frequentou o curso de verão da célebre Orquestra Sinfónica de Boston, tendo chegado a ser seu maestro assistente. Em novembro de 1943, tendo sido nomeado maestro assistente da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, acabou por fazer a sua estreia sem ter realizado nenhum ensaio, uma vez que o maestro titular tinha contraído uma forte gripe que o impossibilitou de dirigir a orquestra. A crítica é que não ficou indiferente uma vez que lhe teceu os mais rasgados elogios. Esta apresentação, difundida para o mundo inteiro, teve o condão de lhe abrir variadas portas, ao ponto do grande pianista Arturo Toscanini o ter convidado a apresentar-se em dois concertos com a Orquestra Sinfónica da NBC, tendo num deles o próprio Toscanini sido o solista na apresentação do Concerto para Piano em Sol Maior, de Maurice Ravel. Se os anos 40 foram de lançamento da carreira do jovem Bernstein, os anos 50 foram os da confirmação. Em 1957, foi nomeado Maestro Titular da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, tendo ocupado o cargo entre 1958 e 1969. Foi com esta orquestra e durante este período, que gravou para a cadeia de televisão CBS os 53 concertos intitulados de Concertos para Jovens, onde além da sua enorme qualidade musical, ficou bem patente a sua fantástica capacidade de comunicar. Estes concertos comentados, pretendiam desmistificar a música clássica para os jovens, no entanto, rapidamente se tornaram num programa televisivo de culto para todas as idades, sendo ainda hoje, uma referência para todos aqueles que pretendem entender um pouco mais os meandros da música clássica. É, também, neste período que acontece um dos maiores marcos da sua carreira como maestro. Em 1959, realiza uma tournée pela Europa e pela, então, União Soviética, com a “sua” Filarmónica de Nova Iorque. É aqui que tem a honra de dirigir a Quinta Sinfonia de Dimitri Shostakovich perante o próprio, que no final se dirigiu a ele para o felicitar. 
Estava, pois, mais do que confirmado que estávamos perante um dos maiores maestros de orquestra que algum dia a História da Música tinha conhecido. Os anos 60 e 70 foram a total e completa prova disso. Leonard Bernstein dirigiu as maiores e melhores orquestras do Mundo, atingindo o topo nos inícios de 1970, ao dirigir o “Rolls Royce” das orquestras – a Filarmónica de Viena – com quem gravou a obra sinfónica de Beethoven, Brahms e Schubert. 
Faltava, só, a sua afirmação como compositor. Esta chegou em 1985, com a gravação da sua obra West Side Story, que rapidamente se tornou num best-seller. Ainda assim, foi alvo de violentas críticas, pelo facto de nela participarem cantores líricos da envergadura de Kiri Te Kanawa, José Carreras e Tatiana Troyanos. Quatro anos mais tarde, estreou a obra em forma de teatro musical, na Brodway. Foi, também, neste ano de 1989 que dirigiu no Natal a 9ª Sinfonia de Beethoven em Berlim, celebrando desta forma a queda do Muro, num concerto que foi televisionado para mais de 20 países e que se estima que tenha sido visto por mais de 100 milhões de pessoas. 
A sua última apresentação pública, aconteceu em Tanglewood no dia 19 de Agosto de 1990. Dirigiu a Orquestra Sinfónica de Boston, na apresentação de uma obra de Benjamin Britten e da 7ª Sinfonia de Beethoven. No meio da apresentação desta sinfonia, sofreu um ataque de tosse que quase obrigou à paragem do concerto. Este concerto e apesar desta vicissitude, foi lançado em CD pela especializadíssima etiqueta Deutsche Gramophon, a maior referência na gravação e divulgação da música clássica. Faleceu apenas cinco dias após a sua aposentação e encontra-se sepultado no Cemitério Green-Wood, em Brooklyn, Nova Iorque. 

Embora a prosa já vá longa, não resisto a deixar-lhe duas sugestões de audição. A primeira, um dos Concertos Para Jovens, subordinado ao tema “O que é a Música Clássica?”, gravado no Carneggie Hall em Janeiro de 1959. 

A segunda, aquele que será um dos temas mais conhecidos da obra West Side Story – Maria – magistralmente interpretado pelo tenor José Carreras e com a orquestra dirigida pelo próprio Leonard Bernstein.

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