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MENOPAUSA NÃO É SINÓNIMO DE ENVELHECIMENTO

ANTONIETA DIAS
Menopausa é um dos ciclos vivenciados pela mulher que se caracteriza por um conjunto de sintomas e de transformações psíquicas, emocionais, fisiológicas e muitas vezes profissionais. 
Sendo certo que nem sempre faz parte dos momentos mais agradáveis para a mulher, havendo algumas que a aceitam como um fenómeno natural, estando devidamente preparadas e elucidadas das alterações que vão sofrer, outras porém enquadram esta fase da sua vida como uma série de eventos turbulentos e por vezes até a consideram traumatizante.
Porém, esta fase da vida não pode ser associada ao envelhecimento, porque as transformações cognitivas e morfológicas desencadeadas no corpo, na alma e na mente embora exijam uma adaptabilidade muito especial, representam só por si uma experiencia maravilhosa vivenciada pela mulher.

A menopausa é precedida de um período designado peri menopausa caracterizado por irregularidades dos ciclos menstruais, designadamente do fluxo e da periodicidade que podem durar cerca de um ano, até que se instala definitivamente.
Os afrontamentos “calores”, experienciados podem variar desde 1 episódio por semana até cerca de 50 por dia e durarem aproximadamente 5 anos.

Os afrontamentos surgem em cerca de 75% das mulheres que os relatam da seguinte forma: “tenho suores, fico vermelha no rosto, durante a noite não aguento o calor na cama, irrito-me facilmente, quer no trabalho, quer no seio da família e choro muito mais”. 
Relativamente às mudanças fisiológicas as perturbações na bexiga ” sensação de ardência ao urinar”, micções frequentes sobretudo de predomínio noturno, são sintomas muito comuns.
A nível da pele e mucosas surgem sinais de envelhecimento, aparecem as rugas, a diminuição da elasticidade e consistência da pele, a pele fica mais seca, surgindo alterações dérmicas, nomeadamente o acne tardio, por vezes um prurido cutâneo e uma certa fragilidade vascular resultantes da diminuição dos níveis de estrogénios.
Também a distribuição pilosa se altera, manifestando-se pela presença de cabelos mais finos, mais enfraquecidos, com quedas mais ou menos acentuadas, enquanto que noutras zonas corporais podem mesmo proliferar mais, aparecendo no mento, no buço e regiões malares.
Por sua vez, as unhas tornam-se mais duras, mais espessa e mais secas, podendo até alterar a sua cor habitual.
No que se refere à mucosa oral podem existir alterações do paladar, fragilidade vascular, manifestada por gengivorragias, halitose, boca seca, hipersensibilidade às mudanças de temperatura ao calor e ao frio e por vezes perda de peças dentárias. 

A mastodinia (dor mamaria), descrita pelas mulheres como uma sensação de ” seios mais sensíveis e edemaciados ” tensão mamária”, são outros sinais transmitidos como eventos desagradáveis e que motivam o recurso à consulta medica, pelo receio de uma neoplasia da mama.

A nível do aparelho sexual, cerca de 50% das mulheres referem secura e prurido vaginal, devido ao fato das paredes vaginais se tornarem mais friáveis finas e secas perdendo a sua elasticidade.
O apetite sexual, a dispareunia (dores associadas à relação sexual), diminuição da libido são queixas muito comuns nesta faixa etária.
A perda anual de cerca de 4% da massa óssea, origina alterações nos ossos, nos músculos e articulações, sendo a osteoporose frequente na menopausa.
Um numero significativo de mulheres revelam mialgias (dores musculares), astenia, cansaço fácil levando a um quadro clínico caracterizado por perda progressiva da coordenação, da força muscular, perda da mobilidade articular e rigidez, criando a sensação de uma fadiga constante e um cansaço generalizado. 
Acrescem ainda as perturbações do sono (insónias), enxaquecas, dores de cabeça frequentes, alterações do humor, retenção de líquidos ” sensação de edema, o aumento de peso e da tensão arterial por retenção de líquidos, consequência também das alterações hormonais.

Esta sintomatologia é precedida de uma fase de transição que surge por volta dos 45 anos ainda na passagem do período reprodutivo para o não reprodutivo que geralmente começa cerca de dez anos antes da menopausa.

A pré- menopausa é despoletada pela diminuição na produção das hormonais sexuais femininas, que são responsáveis pelas mudanças verificadas no corpo da mulher e por um certo encurtamento do ciclo menstrual que passa de 28 para 26 dias por exemplo, com posterior alargamento do intervalo dos ciclos menstruais e do aumento do fluxo.
A nível dos valores hormonais constata-se que quanto mais elevado estiver o valor da FSH, mais próximo está o período da menopausa na mulher. 

Recomendações destinadas a minimizar os efeitos desagradáveis deste ciclo de vida:
Estimular a prática de exercício físico, prescrevendo uma serie de atividades desportivas de acordo com as preferências da mulher, sendo que o tempo por cada sessão não deverá ser inferior a 30 a 45 minutos dia, cujo objetivo é manter um bom tónus muscular, a manutenção do peso e o fortalecimento ósseo, minimizando o risco de osteoporose.

Com o envelhecimento o volume muscular diminui e é substituído por gordura, o metabolismo torna-se mais lento e surge um acréscimo de gordura que se deposita principalmente na região abdominal, beneficiando também com a prática desportiva.
A nível alimentar, deve-se estimular a mulher para a necessidade de usar diariamente na sua alimentação sementes de linhaça, aumentar o consumo de cálcio e outros alimentos como soja, peixes e legumes. 
As bebidas alcoólicas, o café, devem ser evitadas, reduzir a ingestão de gordura, dos açúcares e aumentar as quantidades de água ingeridas ao longo do dia são hábitos saudáveis e muito importantes nesta fase da vida da mulher.
A mulher deve ter alguns cuidados com a sua beleza, cuidar da pele dos cabelos, das unhas, evitar produtos à base de queratina e fazer suplementos de colagénio para manter a pele e as articulações firmes.
O uso de terapêutica hormonal de substituição foi muito usado, mas atualmente não é aconselhado, apesar de minimizar os sintomas da menopausa. 
Podem ser prescritas isoflavonas da soja, nutrientes vitamínicos, dieta rica em fruta e vegetais e reforçar a alimentação com alimentos ricos em cálcio e vitamina D, como o leite e derivados, sardinhas, leguminosas, cereais integrais e legumes de folha verde. A quantidade de ingestão de sal e proteínas, deve ser diminuída assim como se devem evitar a ingestão de bebidas alcoólicas e café, pelo risco cardiovascular e de cancro da mama.
A exposição solar diária de pelo menos quinze minutos por dia ajuda a repor os níveis de vitamina D.
Andar a pé subir e descer escadas são também práticas diárias que devem ser fortemente incentivadas.
Outra recomendação que deve ser feita à mulher é que evite estar muitas horas sentada, que mantenha atividades desportivas três vezes por semana, sendo preferidas as que exijam fazer carga (corrida, dança musculação durante 30 a 45 minutos para preservar a massa muscular, a manutenção do peso, estimular a força óssea e reduzir o risco de problemas cardiovasculares.

Afim de reduzir o risco de incontinência urinária e fortalecer a musculatura pélvica deverá ser aconselhada a fazer exercícios que produzam a contração muscular durante cinco segundos e relaxando durante outros cinco segundos.

Estes exercícios deverão ser realizados ao longo do dia em séries de três e devem ser feitos dez exercícios por dia. 
Os estrogénios tópicos aplicados duas a três vezes por semana, diminuem o desconforto vaginal, provocado pela secura e permitem uma atividade sexual normal.
Em suma, a menopausa não deve ser vivenciada como o período de envelhecimento do corpo da mulher, mas sim deve ser entendida como mais um ciclo de vida da mulher enriquecido por parâmetros de beleza, de fortalecimento e intervenção social. 

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