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AOS MEUS ALUNOS

ALINA SOUSA VAZ E OS SEUS ALUNOS ESTRANGEIROS 
10 anos dedicados ao ensino. 10 anos de instabilidade. Mas,10 anos com muitas histórias para contar.
Se me via a fazer outra coisa, sim, mas, provavelmente, seria uma outra pessoa. Trabalhar com jovens é das experiências mais gratificantes, percebes que a força que vive dentro deles te atualizam e te ajudam a compreender e a viver o presente, também, e ainda, de forma intensa. 
As horas lecionadas em conteúdos científicos são, de facto, uma mais-valia para a evolução da sociedade e do ser humano, pois a partir deles adquirimos novos conceitos, pontos de vista, técnicas, procedimentos e ferramentas. No entanto, e porque, hoje, parece que vivemos um pouco à sorte de cada um, imprimo sempre na ação do ensino-aprendizagem um olhar humanitário descomplexado, onde todos os intervenientes na sala de aula são figuras importantes, independentemente da sua origem, opinião e classe social. 
Observo-os…, e interiormente há uma dedicação a cada um de forma diferente, porque as suas essências são diferentes. Os estudantes são uma explosão de sentimentos; as reivindicações a par das suas lutas morais constroem a sua personalidade, por vezes rebelde. Confesso que esta rebeldia, sempre que fundamentada, me fascina. Aqui percebo a força interior de cada um, a forma como olham para além de si mesmo e o debate do “eu” e do “outro” começa como base para um crescimento mais sólido e só depois se inicia o percurso para as aprendizagens científicas. Consciencializá-los dos seus direitos e deveres é, na minha ótica, prepará-los para o futuro, pois só assim se tornarão cidadãos mais conscientes. Esta tarefa não é fácil e sinto que só mais tarde me reconhecem… Porém, não desisto!
Celebrar o dia do estudante é termos conhecimento que no 17 de novembro de 1939 um grupo de estudantes da antiga Checoslováquia lutou heroicamente contra as tropas nazis que atentavam contra a liberdade do povo deste país. As universidades do país foram fechadas na madrugada de 17 de novembro e as forças nazis invadiram a sede da Federação Central de Estudantes Checoslovacos matando dirigentes e levando centenas de estudantes para campos de concentração. O Dia Internacional dos Estudantes foi criado em Londres em 1941, pelo Conselho Internacional de Estudantes, a atual União Internacional de Estudantes, com a participação de 26 países.
Neste dia promove-se encontros entre estudantes de diferentes nacionalidades e enaltece-se a importância dos estudos e dos estudantes na construção da sociedade. Na experiência que me toca, a abertura das universidades ao exterior foi e continua a ser fundamental; o estudante de ERASMUS, por exemplo, para além de beneficiar de uma experiência gratificante a nível académico, adquire, também, ferramentas que irão contribuir para a construção de uma Europa mais unida na diversidade cultural, linguística e educacional.
Neste momento, que vivemos ainda com a dor dos acontecimentos em Paris, é urgente darmo-nos oportunidade de conhecer melhor o outro, para que o receio do desconhecido não se instale e o nosso juízo de valor não seja simplista. Logo, ser estudante é ter oportunidade para crescer/evoluir no contacto com as outras ideologias, religiões e culturas e querer um mundo melhor nas mãos. 

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