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NATAL: DEPOIS DA FESTA, QUE ESPIÍRITO SOBREVIVERÁ?

GABRIEL VILAS BOAS
Sim, o Natal é um tempo único e especial. Um pouco por todo o lado, fomos encontrando luzes, festas, árvores iluminadas presépios e em cada um de nós instala-se, por dois dias, a supremacia de sentimentos nobres. E não vejo nisto nenhuma falta de sinceridade. Acredito na nobreza dos nossos desejos, mas não na sua força.
Nestes dois/três dias, fazemos sobressair o melhor de nós, numa espécie de “trégua-conto de fadas” do quotidiano.
É óbvio que a maioria das pessoas deseja que este “melhor de nós” sobreviva além de hoje ou amanhã, mas, a cada ano que passa, fazemos muito pouco para que tal suceda. Percebo a desilusão do Papa Francisco que há dois dias declarou, em Roma, que a maneira como muitos de nós vive o Natal é uma farsa. Não creio que seja uma farsa, mas acho cada vez mais pobre o seu conteúdo.
As luzes, a árvore, o presépio são um símbolo e não a essência. A essência é o espírito de paz, de fraternidade, concórdia que subjaz ao nascimento de Cristo. Cristo é amor, é paz, é harmonia.
É bom comemorar, mas convém ter algo para brindar além dos copos e do champagne. E é nesse sentido que importa manter viva a mensagem do Natal. Não é preciso que seja Natal todos os dias, mas é necessário que o seu espírito preencha o coração de muitos homens e mulheres durante vários dias do ano. 
Seria bom e tudo o que é bom vale a pena ser tentado.
Talvez morram menos inocentes em guerras estúpidas, talvez o terror mate menos, talvez a ganância perca mais vezes o jogo da vida com a humanidade e tenhamos de lamentar menos mortes evitáveis em hospitais, talvez se trafiquem menos armas, talvez se governe melhor os recursos dos povos, talvez… Sim, talvez, porque nunca teremos certezas tal como nunca alcançaremos um mundo ideal, mas, certamente, ele será melhor se tentarmos.
A melhor mensagem de Natal seria aquela que desejasse manter e não mudar, visto que necessitamos mudar o que está mal e manter o que há de bom.
Durante dois dias resgatamos a consciência e acendemos a luz de um mundo melhor. Apesar de todas as pobrezas que nos invadem, acho que temos suficiente riqueza para comprarmos um futuro mais digno, mais pacífico e mais harmónico.

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