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O «ATEU CRENTE» E O «CRENTE ATEU»

CÓNEGO JOÃO TEIXEIRA
1.São muitos os que não pertencem a nenhuma religião e dizem ter fé. Mas também já não são poucos os que mostram não ter fé e continuam a fazer parte de alguma religião. 

2.É frequente encontrar pessoas crentes sem religião. Mas já não é tão raro descobrir pessoas religiosas sem fé. Estamos mais habituados a falar dos primeiros. Mas será bom que comecemos a prestar atenção aos segundos.
 3.A paradoxal figura do «crente ateu» tem vindo a conquistar o seu espaço. Há estudos sobre clérigos que se mantêm no universo eclesiástico por razões estritamente profissionais. Só parece contar a profissão, embora não seja a profissão de fé. 

4.Por exemplo, Klaus Hendrikse defende que «a inexistência de Deus não é um obstáculo». Segundo ele, Deus «não é um ser, mas uma palavra que designa o que poderá existir entre as pessoas». 

5.No mesmo registo, Thorkild Grosboll confessou-se cansado de falar sobre «milagres e vida eterna». Na sua óptica, «Deus pertence ao passado e pode considerar-se como algo antiquado».

6.Esta «dissidência interna» é muito mais intrigante que o «afastamento externo». Logo numa época em que se ouvem tantas profissões de fé fora da religião, surpreende que avultem estas atitudes de falta de fé dentro da própria religião. 

7.Daí que alguns procurem fora o que não conseguem colher dentro. Com efeito, nem sempre as religiões constituem o ambiente da escuta e da espera. Às vezes, não se respira muito Deus no interior da Sua própria casa. 

8.Pode acontecer que alguns abandonem a religião pelo mesmo motivo que outros permanecem vinculados a ela: porque não encontram Deus nela. Não é que Deus não esteja presente. Mas será que deixamos que O procurem?

9.Os comportamentos religiosos serão sempre comportamentos crentes? Que lugar para a oração e que compromisso com a missão? Qual a qualidade da liturgia e até onde vai a caridade?

10.Acontece que enquanto uns se recusam a acolher Deus na vida, outros há que vão ao ponto de oferecer a sua vida por Deus. São estes (heróicos) testemunhos de fé que continuam a interpelar, a convencer e a cativar. Nem tudo está perdido no mundo quando tantos se dispõem a perder tudo por Deus!

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