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PAULO MAGALHÃES NA EQUIPA DE MARCELO REBELO DE SOUSA

Tive a oportunidade de o entrevistar para o projeto «À Conversa com Ricardo Pinto».


Paulo Magalhães, jornalista da TVI, vai ser o novo chefe do gabinete de comunicação da Presidência da República. Fica assim fechada a equipa de Marcelo Rebelo de Sousa.Recorde a entrevista. 

 

Paulo Magalhães encontra-se actualmente à frente na Edição das 10, na TVI 24, que conta com o comentário semanal de Luís Marques Mendes, às quintas-feiras.

Leia, agora, a entrevista, exclusiva, ao jornalista.

1) Como foi crescer em Lisboa?
-Aqui não há história, sou de Lisboa, nado e criado em Alvalade, numa altura em que por vezes nas Avenidas Novas ainda passavam rebanhos de ovelhas, o leite e o pão eram entregues à porta de casa e o Bairro de São Miguel, em Alvalade, parecia uma aldeia, com as crianças a brincar na rua, à solta, ao longo de todo o dia.-
2) Que brincadeira com os seus colegas guarda da sua memória de infância?
– As descidas de ruas mais íngremes em carrinho de esferas.
3) Desde sempre quis ser jornalista?
– Só na adolescência, quando optei pela área de Humanísticas se começou a desenhar essa hipótese; tenho um irmão mais velho que foi jornalista da Lusa e que me influenciou, embora sempre tenha preferido a Rádio como caminho.
4) Como inicia a sua ligação à rádio? 
Considera que a rádio é uma boa escola para quem posteriormente quer fazer televisão?
– Ainda no tempo das rádios piratas, havia no Instituto Superior Técnico a RUT, Rádio Universidade Tejo; aí, estando eu já a frequentar Comunicação Social na Universidade Nova de Lisboa, tive com alguns amigos um programa de informação semanal chamado “Nevoeiro” e assegurávamos também os três noticiários diários da“estação”; depois foi uma questão de sorte: durante o último ano de faculdade, foi criada a TSF, depois de um curso em que tive a sorte de ser dos que ficaram para arrancar com o projecto; éramos todos jovens, cheios de ideias, cheios de genica e, sob a batuta sábia do Emídio Rangel entre outros, fizemos uma Rádio diferente, de notícias, com Alma, que rapidamente se impôs; desses tempos datam muitas das melhores amizades, com gente que está hoje espalhada um pouco por vários órgãos de comunicação social. Passados uns anos, fui com a Elisabete Caramelo fundar a TSF Porto, cidade onde vivi cerca de ano e meio, e onde fui convidado para a Rádio Renascença, uma grande Casa, onde aprendi imenso, viajei pelo Mundo e se me entranhou o tal “bichinho” da Política.
A Rádio foi para mim a MELHOR escola de jornalismo, aprende-se a escrever como se fala, porque a linguagem de rádio tem de ser oral, a ser sintético, a ir logo ao mais importante e também me tem ajudado nesta nova etapa na TVI.
5) Acredita que uma voz com sonoridade tem de ser bem trabalhada, ou é algo inato?
– A voz é algo inato, nasce connosco, mas pode sempre ser melhorada em termos de colocação e entoação; agora o que pode e deve ser trabalhada é a dicção, a articulação das palavras, a respiração, e há excelentes profissionais que nos podem ajudar nessa matéria.

6) Como surge a oportunidade de vir para a TVI?
– A oportunidade foi um convite da Constança Cunha e Sá, então Editora de Política da TVI, pouco antes do arranque do TVI24, há cerca de dois anos. É alguém de quem sou amigo e que admiro há já muitos anos, e veio “desinquietar-me” à Renascença onde eu de resto já era Editor de Política; ainda estive na dúvida, mas depois pensei que era um bom desafio, uma experiência nova, e pronto, cá estou.
7) Vemos o Paulo como pivô da informação no jornal da 10, na TVI 24. Como é um dia normal da sua rotina, até à apresentação do jornal?
– Chego à TVI por volta da hora do almoço e preparo as entrevistas e os debates do dia, depois de ler os jornais; como a actualidade é muito mutável e variada, e ninguém sabe tudo sobre tudo, tenho muito que estudar. À hora do Jornal Nacional é tempo da caracterização, saio de Queluz por volta da meia-noite.

Com a família
8) Acha que um jornalista consegue desligar-se completamente da sua profissão, ou é muito complicado, mesmo em férias?

– Completamente nunca, mas até por causa de filhos, mulher e família, além da própria sanidade mental, faço por “esvaziar” a cabeça durante as férias e por desligar a ficha, leio menos jornais, televisão vejo só mesmo o essencial.

9) Reportagem no terreno ou pivô da informação? Porquê?

– Uma coisa não impede a outra, são acumuláveis e até é bom que o sejam; os pivôs correm o risco de não só perder fontes de informação, como também de se alhearem da vida real, de se limitarem apenas ao jornalismo sentado; de resto, o que gosto mesmo mais de fazer são as campanhas eleitorais e os congressos partidários, tudo cheio de adrenalina e notícias, que puxam muito mais por nós do que o trabalho em estúdio.
10) É adepto das redes sociais?
Sim, mas não obcecado; são boas fontes informais de informação e servem por vezes para reatar ou manter laços com quem está longe.
11) Qual foi a reportagem que o mais marcou até ao dia de hoje, porquê?
– A reportagem que mais me marcou não tem nada a ver com política; há alguns anos a Argélia estava em guerra civil, os islamitas que tinham sido ilegalizados, desenvolviam acções terroristas por todo o pais e o governo militar também não era flor que se cheirasse; fui o primeiro português a aterrar em Argel, percorri o pais, ouvi e contei histórias duras e cruéis mas que me solidificaram muito quer pessoal quer profissionalmente, e vi pela primeira vez gente morta á minha frente nas ruas.
De outro ponto de vista (e porque as reportagens foram muitas e marcantes) tive o privilégio de estar em Roma quando morreu o Papa João Paulo II; cheguei dois ou três dias antes da sua morte, fiquei até á eleição de Bento XVI; e assisti às emoções, á tristeza, ao milagre da fé de milhares e milhares de pessoas que foram à Praça de S. Pedro para se despedirem do agora Beato João Paulo II.

13) Acredita que o jornalismo consegue ser independente a 100% da Política e do Estado? 
– Sim, deve ser, tem de ser; é essa a raiz da própria profissão, a credibilidade cai de pantanas se se quebrar o dever de isenção; agora, há formas de pressionar jovens jornalistas, precários e mal pagos como o são cada vez mais nos nossos dias, por forma a que nem sempre todos os pormenores da historia sejam contados; há as represálias através do corte na publicidade que alimenta os mass media privados, há as simpatias excessivas, tudo, ou quase tudo legitimo da parte “deles”; é uma luta que deve ser travada e ganha pela profissão.

14) Como vê a nova equipa de directores da informação da TVI, José Alberto Carvalho e a Judite de Sousa?
– Com enorme esperança e optimismo, são profissionais de mão cheia, com ideias e um rumo, que pensam a Televisão alem do imediato e que de resto, desde que cá chegaram, já deram provas e marcaram, no caso da Judite, a própria actualidade.

15) Como é que foi entrevistar a pintora Paula Rego?
– Acima de tudo, muito divertido; é uma senhora que não tem pa
pas na língua, que deu já todas as provas que tinha de dar, que diz tudo o que pensa; é uma grande figura portuguesa, que rompeu as fronteiras de uma mulher nascida durante o Estado Novo, que pinta com alma os fantasmas dela e nossos, e que ao mesmo tempo guardou uma ingenuidade quase infantil e muito pura na maneira como ve o mundo.

16) Como é que vê a actual conjuntura económico-política do nosso país?
Costuma reunir-se com o comentador das quintas-feiras, Luís Marques Mendes para falarem do que abordaram no comentário semanal, ou tudo surge naturalmente?

– Com o Dr Marques Mendes já estamos em velocidade de cruzeiro: no inicio, há mais ou menos um ano, costumávamos reunir todas as semanas ás segundas feiras, para analisar os temas e escolher os que iriam ao programa; depois falavamos mais duas ou três vezes por telefone; hoje em dia, é mais só por telefone que acertamos os pormenores, temos longas conversas e por vezes discussões sobre os ângulos pelos quis se deve pegar na actualidade, sobretudo sobre os “mais” e os “menos” da semana…
Quanto á situação do pais, é grave e preocupa-me, sobretudo pelos meus filhos e pelo futuro deles e do país, mas também sei que temos mais de oito séculos de história e quero crer que amanhãs mais sorridentes nos aguardam.


18) Paulo Magalhães, Paula Magalhães: afinal é só os nome que os une ou também uma grande relação de amizade?
– Conhecemo-nos apenas quando entrei para a TVI, não há qualquer laço familiar que nos una, mas costumamos brincar com a coincidência. Recebemos correio e telefonemas trocados todas as semanas e até já falámos em ter um programa
“Magalhães e Magalhães”, que com a minha inteligência e a beleza dela, seria um sucesso de certeza…


19) Que conselhos gostaria de deixar aos futuros jornalistas deste país?
Não dou conselhos, cada um é si próprio e a sua circunstancia, mas sei que a vida de jornalista, e sobretudo de jovem jornalista, é hoje muito mais complicada do que quando eu comecei; o mercado não chega para tanta oferta, há muita exploração dessa mão-de-obra barata, é uma vida dura em que é preciso persistir.

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