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SALGADO COLOCA A BOCA NO TROMBONE

GABRIEL VILAS BOAS
Em surdina, no meio judicial, não se fala de outra coisa: Ricardo Salgadinho decidiu pôr a boca no trombone e contar tudo o que sabe sobre as relações perigosas e promíscuas entre políticos e agentes do poder económico, pondo a nu o intricado esquema que permitiu ao nosso ex. PM receber e esconder milhões de euros, no estrangeiro.
Farto de esperar um sinal positivo sobre o seu processo, Salgadinho deu ordens aos seus advogados para negociar com o Procurador encarregue do seu caso. O ex. Dono Disto Tudo esperava que a subida do PS ao governo implicasse mudanças profundas na Procuradoria e na PJ, de maneira a colocar o seu processo em banho-maria ad eternum até que prescrevesse. No entanto, o gabinete do Costa de Lisboa não conseguiu convencer os seus parceiros de geringonça a alinharem nesta megaoperação de mordaça da justiça, já que é sabida a antipatia natural dos radicais de esquerda por tudo o que cheira a dinheiro. 
Ao perceber a periclitante situação em que Costa se encontrava, Ricardo Salgadinho tentou uma última cartada: a família Espírito dos Santos indemnizaria em 50% os lesados do papel comercial do GES, o governo assumiria 25% dos prejuízos e os lesados abdicariam do restante. No entanto, as esganiçadas do BE recusaram dar o acordo a esta situação. Desesperado, Salgadinho contactou o PP para votar favoravelmente uma solução para os lesados do GES, lembrando ao ex. amigo Paulinho o favores que o BES lhe fizera quando se sentiu a ir ao fundo com o caso dos submarinos, mas Portas recusou ser a tábua de salvação de Salgadinho, lembrando-lhe que o caso dos submarinos já prescrevera e que agora já não mandava nada e por isso devia falar com a D. Assunção. 

Furioso, Ricardo Salgadinho mandou fechar negociações com a gente da geringonça e encarregou o seu advogado pessoal de estabelecer contactos com o Procurador Rosário Teixeira da Cruz, oferecendo a sua ajudar para entalar o Sócrates. Em troca, o Procurador da Operação Marquês do Pombal teria de influenciar decisivamente o juiz Carlos Alexandre Barbosa a acusar Salgadinho apenas de crimes que implicassem penas leves, ou seja, sem prisão efetiva. 

Apertado pelos prazos para formular uma acusação contra Sócrates, o Procurador afiançou ao advogado pessoal de Salgadinho que conseguiria convencer o super juiz, mas na verdade só lhe tocou no assunto ao de leve, porque o juiz Barbosa já nem o pode ver, tal a demora que o Procurador tem levado a convencer “o amigo” de Sócrates a tornar-se mais um dos seus ex. amigos. 
A semana passada, o Procurador mais acossado do país decidiu arriscar tudo: sob disfarce, encontrou-se pessoalmente com Ricardo Salgadinho e pediu-lhe que mostrasse as provas cabais que dizia ter contra e engenheiro que nem engenheiro chegou a ser. O antigo líder do “banco mau” atirou para cima da mesa documentos autênticos e confidenciais que provavam como José Paulo Pinto de Sousa era o dono de várias empresas instaladas em paraísos fiscais, para onde os amigos tinham enviado generosos donativos. 
Ao ver, finalmente, as provas por que tanto ansiava, o Procurador sorriu de satisfação e fumou um longo charuto. Quis levar os documentos, mas Salgadinho não lho permitiu. Só quando saísse a acusação que o juiz incorruptível prepara contra si! O Procurador tremeu, mas não se desmanchou. Logo após o encontro telefonou ao seu amigo diretor do jornal “Contra Manhosos” e anunciou que a acusação contra o engenheiro sairia até ao final do Verão. O diretor ainda duvidou, mas depois do Procurador Cruz lhe ter relatado os últimos avanços, não escondeu o seu contentamento por mais três meses da telenovela em capítulos que o “Contra Manhoso” publica há vários meses.

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