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DIETAS DE ELIMINAÇÃO, GLÚTEN E A DOENÇA CELÍACA

JOANA MALHEIRO 
Com os teste de alergias e intolerâncias alimentares cada vez mais na moda, é comum nos dias atuais, assistirmos a um maior uso das chamadas dietas de eliminação. Estas dietas consistem na eliminação de um determinado alimento do dia-a-dia da pessoa, ou seja, o alimento é retirado (normalmente por um determinado período de tempo), para avaliar a resposta do corpo e detectar alergia ou intolerância alimentar a esse mesmo alimento. Contudo, este tipo de dietas não são consideradas equilibradas nutricionalmente e devem ser utilizadas com o fim do diagnóstico.
Sendo a alergia alimentar é uma reação adversa do organismo que ocorre quando o sistema imunológico reconhece erradamente um alimento como agressor ao mesmo. Este processo provoca reações indesejáveis, que podem até ser fatais. 
Por outro lado, uma intolerância alimentar é caracterizada por uma reação adversa, reprodutível, que ocorre após o consumo ou a exposição a um determinado alimento, não envolvendo o sistema imunológico, mas com manifestações ou alterações do organismo à normalidade. A intolerância ao glúten é um exemplo desta condição.
O que é, então, o Glúten?
O Glúten, proteína vegetal insolúvel constituinte dos grãos de cereais como o Trigo, Centeio, Cevada e Aveia*1, suscetível de causar reação adversa em indivíduos com predisposição genética pela sensibilidade ou intolerância à proteína do glúten, que é deficientemente digerida ou intolerada ao nível do trato gastrointestinal, sendo tóxica para estes indivíduos.Podendo conduzir-nos ao diagnóstico da Doença Celíaca.
Existem assim, dois tipos de sensibilidades ao glúten:
– Intolerância ao glúten não celíaca, incapacidade ou dificuldade de digestão do glúten, em que a danificação intestinal provoca diarreia, dor, inchaço abdominal e dificulta a absorção de nutrientes.
– Doença celíaca é considerada uma doença autoimune intestinal, pois há uma reação do sistema imunológico, semelhante a uma alergia, em que há inflamação crónica da mucosa do intestino, devida a intolerância permanente ao glúten. A apresentação de sintomas intestinais como excesso de gases, dor de estômago, diarreia ou prisão de ventre, sintomas que aparecem em diversas patologias, faz com que na maioria das vezes a patologia não seja diagnosticada de forma correta.

Podendo surgir em criança ou em adulto, desde que o glúten faça parte da alimentação diária, esta patologia apresenta como sintomas mais marcados: vômito, barriga inchada, emagrecimento, falta de apetite, diarreia frequente, irritabilidade ou apatia e evacuações volumosas de fezes claras e com excessivo mau cheiro. 

Por fatores desconhecidos, as manifestações da doença tendem a ser mais intensas nos primeiros anos de vida, assim nas crianças mais velhas e nos adolescentes, as variações da dieta não permitem a correta identificação da patologia, fazendo com que não haja um adequado tratamento. Contudo, a intolerância ao glúten é permanente, a doença celíaca não tem cura por isso, é necessária a eliminação retirar completa do glúten da alimentação para que o intestino regenere completamente das lesões provocadas e o organismo recupere, fazendo com que os sintomas desaparecerem. Neste caso a dieta de eliminação é aconselhada e deve ser mantida, pois o tratamento consiste no cumprimento do regime alimentar durante toda a vida, se houver reintrodução do glúten, as inflamações regressam e os sintomas reaparecem.
O diagnóstico da doença celíaca deve ser feito pelo gastroenterologista ao verificar os sintomas que o indivíduo apresenta e baseado em exames complementares, como análise sanguínea, urinária, biopsia, endoscopia, entre outros. No entanto o papel do nutricionista neste processo de diagnóstico e tratamento/acompanhamento da patologia é fundamental, pois a dieta para doença celíaca é muito específica e deve ser elaborada individualmente e acompanhada por um profissional de saúde qualificado, só assim o doente será corretamente orientado para a exclusão completa do glúten.
Qual é então a abordagem nutricional mais correta na doença celíaca?
Os cuidados necessários com a alimentação não passam simplesmente pela exclusão o glúten da dieta. A alimentação deve ser variada e adequada a cada indivíduo, para satisfazer as necessidades do organismo em nutrientes, essencialmente na infância. Permitindo assim um normal desenvolvimento e crescimento, bem como a prevenindo problemas de saúde ligados à alimentação, como anemias, atrasos de crescimento, malnutrição, obesidade, diabetes, etc.

Assim:
– Deve ser feita uma dieta sem glúten, dieta sem trigo, centeio, cevada, aveia e os seus derivados;
– Os seus substitutos podem ser: Arroz de todas as variedades, batata, tapioca, trigo serraceno, milho, quinoa, soja, sementes de Amaranto, sementes de Girassol;
– Faça refeições sem glúten para toda a família, sempre que possível, por facilidade e segurança;
– Na preparação de pão e ou produtos de pastelaria utilize como substitutos misturas de farinha de arroz, fécula de batata e amido de milho.
– Não confecione alimentos sem glúten e alimentos com glúten juntos e não utilize os mesmos utensílios (tacho, talheres, etc.) para as suas confeções;
– Armazene os produtos sem glúten devidamente identificados e separados dos produtos com glúten;
– Atenção aos produtos de uso doméstico e medicamentos, pois podem ter glúten na sua constituição.
Em suma:
– Consulte SEMPRE os rótulos, pois pode haver contaminação por glúten e em caso de dúvida não deve ingerir o alimento.
– O doente celíaco nunca deve abdicar da dieta em situação alguma, pode sentir-se melhor mas não está curado;
[NOTA: 1. O papel da aveia na dieta isenta de glúten permanece controverso, assim esta pode ser introduzida com cautela e em pequenas quantidades de forma a avaliar a tolerância individual.] “

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