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ROTAÇÕES DE CULTURAS NA HORTA

JOÃO PAULO PACHECO
Uma forma de evitar que os solos possam ficar completamente infectados por determinada doença ou praga, é não cultivar sempre a mesma espécie no mesmo terreno. Tivemos em Portugal um gravíssimo problema de nemátodo dourado da batateira (Globodera rostochiensis) provocado pela forma desmesurada como se plantaram batateiras anos e anos sempre seguidas no mesmo terreno, o mesmo podendo ser dito para outras culturas e respectivas pragas, infelizmente menos conhecidas.
Mas não nos é suficiente variar a espécie que cultivamos; temos de ter sempre o cuidado de saber se a cultura seguinte, ainda que diferente, não estará sujeita a ser atacada pelas mesmas pragas e doenças da cultura anterior.
Prevenir e evitar a ocorrência de doenças e pragas é sempre menos oneroso do que tratar e conduz a produtos de superior qualidade para o consumidor.
Na Natureza, os agentes fitopatogénicos são variadíssimos e têm diferentes modos de acção. Enquanto que certas doenças e pragas atacam quase todas as plantas, como é o caso da Botrytis (fungo) e da Liryomisa (insecto), outras há que são de uma especificidade impressionante relativamente aos seus hospedeiros. Estas últimas são aquelas que costumam causar os mais graves problemas quando não é respeitado um bom esquema de rotação de culturas na prática da horticultura intensiva, tornando-se em verdadeiras pragas.
Poder-se-ia dizer que um esquema de rotações eficaz é aquele que assente no pressuposto de se praticarem seguidas no mesmo terrenos as culturas:
– com um sistema radicular de diferente tipo, porque do ponto de vista da exploração dos nutrientes do solo, esta será mais completa se a seguir a uma planta de raízes rastejantes se praticar uma cultura de plantas com raízes profundantes;
– com diferentes exigências nutricionais, porque os nutrientes que para uma planta não são importantes e como tal poderão ser deixados no solo, para outra de outra espécie podem ser de grande importância; tomemos o exemplo de seguir a uma cultura de feijão verde, que como se sabe fixa o azoto atmosférico no solo, uma cultura de alface, bastante exigente nesse nutriente. Ainda atendendo a este factor poderemos dizer que deveremos optar sempre por plantas aproveitáveis por diferentes partes, isto é, pelo fruto (tomate, melão, pimento, feijão verde), pela raiz (cenoura, nabo), pelo bolbo (alho, cebola, alho francês), pela flôr ou inflorescência (couve-flor, bróculo,alcachofra), pelas folhas (couves,alfaces), etc..
– que não sejam atacadas pelas mesmas pragas e doenças; neste campo, e como não podemos ser senhores de todo o conhecimento devemos ter pelo menos o cuidado de não cultivar seguidas plantas da mesma família botânica, como é o caso da batata, beringela, tomate e pimento (Solanáceas), do melão, meloa, pepino e abóbora (Cucurbitáceas), do feijão, fava, tremoço e grão-de-bico (Leguminosas), da cenoura, coentro e salsa (Umbelíferas), do espinafre e beterraba (Quenopodiáceas), do espargo, cebola e alhos (Liliaceas) e de todas as couves (Crucíferas ou Brassicáceas).
Por fim relembro que é sempre melhor prevenir que remediar

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