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A HISTÓRIA DOS EUROPEUS DE FUTEBOL – FRANÇA 1960

GONÇALO NOVAIS
O sonho de Henri Delaunay
A aproximação da grande festa futebolística envolvendo selecções europeias de futebol tem um mentor, um “cérebro” por detrás de uma ideia que hoje, parecendo-nos tão básica, teve de começar por algum lado. Começou com este importante dirigente desportivo francês, antigo dirigente da Federação Francesa de Futebol e secretário-geral da UEFA, quando ainda em 1927 Delaunay já concebia a realização de uma prova que envolvesse as selecções europeias da modalidade.
A reticência de muitas federações europeias levou a que só no Congresso da UEFA de 1957 se tivesse dado definitivamente “luz verde” para que o projecto de Delaunay se materializasse. Pese embora o dirigente francês já ter falecido em 1955, o seu nome ficou “imortalizado” no nome a atribuir ao troféu.
O primeiro anfitrião, as inscrições, ausências importantes e formato competitivo
EURO 1960
DR UEFA 
A realização de uma prova inédita comportou, e comporta, sempre uma certa dose de imprevisto, sendo sempre uma iniciativa que, pela sua originalidade, traz sempre situações para as quais a preparação e a competência organizativa ainda não estão suficientemente apuradas. É evidente, à luz disto, que o Euro’1960 teve portanto algumas peripécias quer antes quer no decurso da sua realização, que não sendo propriamente nada de muito espantoso, são sempre curiosidades interessantes.
Falei em cima de reticência das federações. À data das pré-eliminatórias de acesso à fase final da competição essas reticências mantinham-se, traduzindo-se na ausência de equipas como a Itália, a Inglaterra ou a República Federal da Alemanha.
E mesmo para conseguir as 17 inscrições finais a tarefa não foi fácil, mas felizmente as pré-eliminatórias lá tiveram lugar, com o primeiro jogo de sempre a ser disputado a 5 de Abril de 1959, em Dublin (Irlanda), com a selecção irlandesa a bater em casa a Checoslováquia por 2-0, Checoslováquia que acabaria por golear os irlandeses na segunda mão por 4-0, e chegariam bem mais longe na prova, dado que seriam os futuros 3ºs classificados desta primeira edição do certame.
O formato competitivo desenrolou-se em cinco fases. Na primeira fase, e dado que o número de inscritos era de 17, a República da Irlanda e a Checoslováquia disputaram uma ronda inaugural, cujo desfecho já se anunciou. Já com 16 selecções disputaram-se, ainda com a categoria de pré-eliminatórias, os oitavos e os quartos-de-final da competição, e só nas meias-finais é que os semifinalistas se deslocaram até à anfitriã França para decidir a fase final da competição.
Os «oitavos» e os «quartos», e rescaldo da participação de Portugal
De modo a organizar melhor a informação desta fase, e tendo em conta que houve apenas quatro apurados para a fase final, faz todo o sentido descrever os acontecimentos das pré-eliminatórias segundo a perspectiva dos semifinalistas.
A França, que viria a ser a primeira anfitriã, teve uma tarefa relativamente fácil com gregos e austríacos, que veio a afastar de forma categórica. Aos gregos, os franceses resolveram os «oitavos» ainda em Paris com uns esclarecedores 7-1, de nada valendo aos gregos o empate a uma bola conseguido em solo helénico. Perante a Áustria valeu aos gauleses a veia goleadora de Just Fontaine na primeira mão em solo francês, no qual o goleador francês contribuiu com um «hat-trick» na vitória caseira de 5-2, consolidada com um outro triunfo volumoso na Áustria por 4-2.
A Checoslováquia, que até tinha tido um percalço contra os irlandeses na ronda preliminar, voltou a sentir dificuldades na Dinamarca (2-2) nos «oitavos», que seriam compensadas com uma goleada caseira aplicada aos nórdicos em casa (5-1). Nos «quartos», os checoslovacos já não facilitaram diante da Roménia, impondo um duplo triunfo nos dois jogos (3-0 e 2-0).
A União Soviética foi porventura a semifinalista mais azarada nas pré-eliminatórias, nas quais teve de se haver com outras fortes selecções da época, a começar pela Hungria nos oitavos-de-final. No entanto, a magia da selecção que em 1954 encantou o Mundo sob a batuta de Ferenc Puskas estava já numa fase descendente em termos de performances e resultados, e a comprová-lo esteve a superioridade dos soviéticos, que venceram em casa por 3-1, e foram à Hungria arrancar outro triunfo, dessa vez por 1-0. Depois do azar, a sorte. Quando os soviéticos preparavam o embate contra a Espanha, o General Franco impede a selecção espanhola de se deslocar a território soviético para disputar a primeira mão, e a eliminatória fica desde logo anulada e resolvida a favor dos soviéticos, numa decisão algo controversa que afastou provavelmente da fase final uma séria candidata ao título, onde pontificavam Alfredo di Stefano ou o húngaro naturalizado espanhol László Kubala.
A Jugoslávia, “carrasco” de Portugal, também não teve vida fácil nas pré-eliminatórias, pois teve de ultrapassar nos «oitavos» a sempre competitiva selecção búlgara (2-0 e 1-1), e teve de se aplicar para dar a volta à eliminatória contra os portugueses nos quartos-de-final, respondendo com uma goleada caseira de 5-1 à derrota por 2-1 sofrida em solo nacional.
Pode dizer-se que a campanha de Portugal foi bastante positiva, apesar de não ter chegado a França. A vida dos portugueses não foi fácil no início, tendo nos «oitavos» como adversário a RDA. A dupla vitória lusitana, com Matateu e Coluna a marcar os dois go

los sem resposta na primeira mão em Berlim, e com nova vitória no Estádio das Antas por 3-2 (dois golos de Coluna e um de Cavém), conduziu os portugueses à eliminatória contra a Jugoslávia, da qual saíram eliminados apesar de uma vitória caseira. Estava o nosso futebol prestes a entrar num período de grandes resultados internacionais, que culminariam com a grande prestação no Mundial de 1966.

A decisão final
O primeiro Europeu de futebol, cuja fase final contou apenas com quatro equipas, teve as suas meias-finais disputadas a 6 de Julho de 1960, realizando-se o França-Jugoslávia em Paris e o Checoslováquia-URSS em Marselha.
Num jogo emocionante disputado na capital francesa, os gauleses, que não puderam contar com o seu artilheiro Fontaine, encontraram em François Heutte um digno substituto, que bisou na partida, em que de resto os franceses chegaram a estar a vencer por 3-1 e 4-2. Porém, três golos de rajada em quatro minutos apontados pelos jugoslavos entre os minutos 75 e 79 acabaram com as aspirações francesas à conquista do troféu.
No jogo de Marselha os soviéticos mostraram ter categoria para estarem presentes na final do certame, e não perdoaram a inconstância da Checoslováquia, que nada pôde fazer face à vitória convincente da URSS (3-0). O destaque desta partida vai para o soviético Valentin Ivanov, que com os seus dois golos embalou a sua equipa para uma vitória tranquila.
Após a desilusão das meias-finais, nem no jogo de atribuição do 3º e 4º lugares a França se conseguiu despedir com um bom resultado, sendo batida por uma Checoslováquia que acabou por ser uma justa vencedora do encontro (2-0).
Quase 18.000 pessoas assistiram à final no Parque dos Príncipes, na qual a Jugoslávia até chegou a estar a vencer graças a uma excelente execução de Milan Galic. Mais golos os jugoslavos poderiam ter marcado por força do domínio que tiveram, só que na baliza estava um senhor de nome Lev Yashin, que juntamente com um forte sector defensivo, fizeram com que o golo soviético de Slava Metreveli fosse suficiente para levar a primeira final da história dos Europeus de futebol a prolongamento. Aí, valeu o golo de cabeça de Viktor Ponedelnik aos 113’ para resolver a final a favor dos soviéticos, que se tornaram os primeiros campeões europeus de sempre em selecções.
Diria Ponedelnik após a final: “Há jogos e golos realmente especiais, que marcam o auge da carreira de um jogador”. Acrescentou ainda: “Foi um momento marcante de toda a minha vida desportiva”.
Marcante foi também este evento, que deu assim início a uma longa série de certames, que nos acompanham e apaixonam até à actualidade!
Nota: Este artigo foi realizado graças à informação facultada publicamente pela UEFA, no seu site oficial.

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