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EU DIGO NÃO… E VOCÊ?

MOREIRA DA SILVA 
Eu digo não à mentira, à raiva, ao ódio, ao fanatismo que se alastra, cada vez mais, no mundo da política. Porque é um dos fatores que mais tem afastado os eleitores dos eleitos, as pessoas da política.
Eu digo não à falta de humildade, honestidade, sentido ético e sentido de estado dos dirigentes políticos que colocam os interesses pessoais e partidários acima dos interesses nacionais. Porque tem destruído a esperança e criado a desconfiança num futuro melhor para o nosso país.
Eu digo não ao centralismo «castrador» do progresso das periferias. Porque precisamos de um país que não seja macrocéfalo, mas sim coeso, com políticas de desenvolvimento idênticas, para as cidades e para o campo, para o litoral e para o interior, para o sul e para o norte.
Eu digo não à falta de rigor, à falta de profissionalismo, ao sensacionalismo, à agressividade verbal e à desonestidade que vigora no mundo da comunicação social. Porque precisamos de uma comunicação social pluralista e respeitadora das regras deontológicas e os portugueses precisam de conhecer a realidade dos factos e não a inverdade, a meia-verdade, a falsidade, a verborreia que faz vender mais jornais e faz crescer as audiências das rádios e das televisões.
Eu digo não ao regabofe desregrado que tem existido na gestão dos dinheiros públicos e à incompetência dos gestores da banca e de empresas públicas, mas também das entidades reguladoras, que nada regulam. Porque os portugueses já estão saturados de pagar os défices, os prejuízos e as falências, que muitos incompetentes têm originado.
Eu digo não à falta de planificação, investimento, criatividade e inovação que se continua a verificar, em grande parte, nas nossas organizações empresariais, e não só. Porque o país precisa de empresas, empresários, e colaboradores que façam crescer a economia, pois só assim é que se pode combater o flagelo da pobreza e do desemprego.
Eu digo não à falta de patriotismo que o povo português tem demonstrado nas suas opções de compra, nos últimos anos, ao dar preferência aos produtos importados, em alternativa aos produtos que produzimos «cá dentro», mesmo ficando um pouco mais caros. Porque precisamos de fazer baixar significativamente a dívida soberana do país e fazer crescer a economia, e colorir a esperança.
Eu digo não à deslocalização dos centros de decisão das organizações, para Madrid, Amesterdão ou para Bruxelas. Porque o país precisa de ter, e defender, as suas próprias estratégias empresariais, assim como reforçar a sua própria independência.
Eu digo não a uma justiça parcial, injusta, lenta, cara e uma para ricos e outra para pobres. Porque não deve existir nesta matéria, assim como noutras, descriminações, pois todos são merecedores de uma igualdade, em termos de direitos e respeitabilidade.
Eu digo não a uma Europa a duas velocidade, uma dos países do norte (Alemanha, Luxemburgo, Holanda e outros) e outra dos países do sul (Portugal, Espanha, Grécia e outros). Porque é contrário ao pensamento dos fundadores da União Europeia: uma europa unida, uma europa solidária.
Eu digo não à intriga, à tristeza, à inveja, ao fatalismo e ao negativismo dos portugueses. Porque somos um povo que já deu novos mundos ao mundo, com audácia, criatividade e crença em nós próprios, que nos levou a ser uma potência mundial.
Eu digo não aos extremismos exacerbados e ao pensamento único e politicamente correto. Porque é na liberdade e na diversidade de opiniões que está a evolução do ser humano e das sociedades.

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