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O JOGO DA MALA

EUGÉNIO QUEIRÓS
Já ninguém se lembrava do António Sala e da Olga Cardoso mas este final do campeonato veio recuperar o Jogo da Mala. Acho que nesse jogo da Rádio Renascença, quando Sala e Olga, a amiga Olga que ajudou a lançar a TVI com um concurso que excitava as sopeiras e por inerências os magalas, se ganhavam automóveis ou então sacos de compras no Continente. Não me lembro, confesso, apenas me recordo do Sala a cantar espirituais negros e da Olga em roupão a descer da sua casa para os estúdios (pois ficava tudo no mesmo prédio).
Ora bem, desculpem o nariz de cera mas este final de campeonato está a estiolar todas as cabeças pensantes das redações dos ditos jornais desportivos, povoadas por especialistas massacrados em cafés e tertúlias por quem pensa que só o futebol é a nossa vida. O problema é que é mesmo.
Mas, claro, dos jornalistas não reza muito a história do futebol. Somos pequeninos, quase insignificantes, sobretudo quando colocados ao lado dos milhões que rolam no que chamam agora, com pompa e circunstância, uma indústria.
Só uma indústria assim seria capaz de transformar um dono de um clube de vídeo de Vila Praia de Âncora no maior empresário de jogadores do mundo.
Só uma indústria com esta potência consegue pôr a correr e a dar chutos decentes na bola alguns matrecos que andam por aí.
Mandar para o terreno nesta altura a brigada anti-doping é um autêntico disparate. Quem devia estar no terreno era sim a brigada de minas e armadilhas. Porque, tanto quanto julgo saber, e acreditem que não pertenço ao grupo dos que sabem tudo (caso contrário já me tinham visto aí nas televisões, armado em paineleiro), as malas que andam por aí não saíram apenas de Alvalade.
Se repararem bem, não é nos jogadores que surpreendem pelo seu aumento de rendimento que está o cerne desta questão mas sim naqueles que, azar do caraças, têm deslizes inesperados.
Se por acaso conseguirem reduzir o ruído dos paineleiros, reparem bem nos detalhes. Porque é neles que o diabo mora.

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