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BIRD Magazine

O IMPACTO DOS INCÊNDIOS DE GRANDE ESCALA NO ECOSSISTEMA GLOBAL

LUÍSA VAZ
Nesta minha primeira crónica na BIRD Magazine, optei por escrever sobre um tema que tem tido alguma expressão nos media mas que me parece que não está a ter alvo da devida importância dada a gravidade de que se reveste. Este tema torna-se importante não só pela sua vertente económica, como ecológica e humana.
Escolhi desta vez escrever sobre os incêndios que estão a lavrar na zona de Fort McMurray, na província de Alberta, capital da produção petrolífera na Costa Oeste do Canadá.
Não consigo apurar se o fogo foi ou não de origem criminosa mas o certo é que já consumiu uma área correspondente à da cidade de Londres e segundo especialistas, pode demorar meses a ser totalmente extinto. A recuperação da cidade já está orçamentada em 9 mil milhões de dólares canadianos o que corresponde a 6 mil milhões de euros.
O facto de as temperaturas rondarem 30º, os ventos cerca de 40km/h e o solo estar seco devido ao facto de não chover há meses, contribuem para que este incêndio se transforme numa catástrofe, se calhar uma das piores catástrofes ecológicas da História Moderna.
A destruição provocada no clima e nos ecossistemas pelos incêndios é de difícil reparação pois quando falamos de florestas, falamos das centenas de anos que demorou a que a floresta e os respectivos ecossistemas se formassem e se não ficarem perdidos para sempre, será necessário muito tempo para que recuperem, quanto mais para atingirem o ponto em que estavam. Tudo isto tem influência na qualidade de vida das pessoas e das espécies, na qualidade do ar, no suporte dos terrenos e até na temperatura que influencia as marés. Qualquer incêndio, ainda mais um com estas proporções pode ter consequências catastróficas para o meio ambiente e o Canadá é um dos países que mais se dedica a implementar medidas green e pró ambiente senão vejamos:
“Em um contexto global, a característica predominante do Canadá é a sua abundância de terras. De uma extensão territorial total de 9 970 610 Km2, 24% são usados pela indústria florestal e 7% pela agricultura. Nesses setores baseados em recursos naturais, o Canadá está introduzindo práticas sustentáveis. Em 1992, ministros da administração florestal; grupos de aborígenes, de industriais, trabalhadores e ambientalistas, endossaram uma estratégia florestal nacional, que apóia a mudança da produção sustentável para o desenvolvimento sustentável na administração florestal. Isso inclui o estabelecimento de 10 florestas-modelo e programas de reflorestamento por todo o país. O Canadá apoiou fortemente a Declaração sobre o Princípios Florestais adotados na Eco’92 e a vê como a base de uma eventual convenção global de administração florestal.” in http://www.canadainternational.gc.ca/brazil-bresil/about_a-propos/enviro.aspx?lang=por
Esta política canadiana irá com toda a certeza, assim que estiverem reunidas as condições, ajudar a que esta catástrofe seja mitigada.
Ao ler os relatos das vítimas, chegamos à vertente humana que foi despertada com esta situação. O povo canadiano é solidário por natureza, faz parte da sua índole mas ao longo destes dias são muitos os que com dinheiro, géneros, logística ou de outra forma, têm tentado trazer a normalidade à vida destas vítimas. Muitas delas perderam tudo excepto a esperança e ao ler sobre esta matéria, retive um testemunho que se pode aplicar a outras situações de vida:
“É simplesmente incrível ver tudo o que se fez. Há muita gente com necessidades, muita gente sem nada”, comentou Sarah, uma mãe de família que está sem saber para onde ir nos próximos dias. “Como eu disse à minha filha durante o caminho para cá, o importante é estarmos vivos, tudo o resto não passa de coisas materiais”. in https://www.publico.pt/mundo/noticia/incendio-no-canada-podera-durar-meses-1731336
Há portanto uma grande onda de solidariedade que atravessa o território e que tenta suprir, pelo menos numa primeira fase, as necessidades e carências das vítimas deste flagelo.
Na vertente económica, temos uma questão que se irá estender a todo o Planeta e que se prende com a redução para um terço da produção de barris de petróleo que em condições normais se situaria em um milhão de barris por dia. Neste momento, as três principais petrolíferas da região, a Shell, a Syncrude e a Suncore já procederam a essa redução que representa uma perda de dezenas de milhões de dólares por dia. Espera-se no entanto que as reservas da América do Norte e as canadianas, possam suportar esta baixa de produção temporária embora se saiba que vai haver um reflexo nos preços praticados. Vários oleodutos e companhias petrolíferas foram encerrados tendo algumas activado a cláusula de “força maior” nos seus contractos visto que não os vão conseguir cumprir.
Do outro lado do Mundo, na Arábia Saudita, acontecem profundas mudanças no sector petrolífero visto ter sido nomeado um novo ministro da Energia. Khalid al-Falih que ficará agora encarregue pelas decisões relativas ao petróleo do país, que antes estavam nas mãos do ministro do Petróleo,Ali al-Naimi. A mudança já era esperada, como parte de um conjunto de alterações que o maior exportador de petróleo pretende implementar, mas o facto de ter sido feita antes da reunião de Junho da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) poderá sinalizar as diferenças de opiniões entre Naimi e o Príncipe Mohammed bin Salman, que também vê os seus poderes reforçados com esta remodelação. – in:https://www.dinheirovivo.pt/bolsa/incendios-no-canada-impulsionam-precos-do-petroleo/#sthash.qaHum6uY.dpuf
Por todas estas razões e pelo impacto que tem no Mundo nas mais variadas áreas, eu considero que se trata de um tema actual e pertinente pois num Mundo global não há actos individualizados e todos deveríamos ter consciência do que uma catástrofe destas representa para o Plan

eta.

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