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A HISTÓRIA DOS EUROPEUS DE FUTEBOL – ITÁLIA 1980

Agora os apurados para a fase final são sete
GONÇALO NOVAIS 
E sete são os grupos de qualificação, numa edição do Europeu de futebol recheada de alterações no seu quadro competitivo. Uma novidade em termos de qualificação é o apuramento automático da selecção anfitriã para a fase final, cabendo a sorte à Itália, que aguardaria pelos seus sete adversários.
No Grupo 1 qualifica-se inequivocamente a Inglaterra, que estrelada por Kevin Keagan e aproveitando jogadores de topo das fortes equipas do Liverpool e do Nottingham Forrest, aparece como uma equipa particularmente temível no ataque, que alvejou 22 vezes as balizas adversárias nos oito desafios realizados. Além de Keagan, importa valorizar homens como Tony Woodcock (que futuramente brilharia no Arsenal), Trevor Francis (Nottingham Forrest), ou os jogadores da fantástica e dominadora equipa do Liverpool, como Ray Clemence, Phil Thompson ou Phil Neal, com numerosos títulos europeus nos seus fantásticos currículos. Sete vitórias e um empate em oito jogos expressam uma praticamente imaculada qualificação para Itália, deixando de fora os vizinhos Irlanda do Norte e República da Irlanda, a histórica mas muito apagada Bulgária, e a Dinamarca.
O Grupo 2 ficou marcado pela grande luta entre a apurada Bélgica e a Áustria, e a resolução até foi influenciada por Portugal. Olhando para a classificação final verifica-se que a Bélgica se apura para a fase final com 4 vitórias e 4 empates, enquanto a Áustria conquistou 4 vitórias, 3 empates e 1 derrota… E essa derrota foi precisamente em casa diante de Portugal, num jogo em que um golo de Alberto Gomes para lá dos 90’ “gelou” o Ernst-Happel de Viena, numa fantástica vitória lusitana (2-1). Equilíbrio foi o que pautou todo o decurso da campanha até ao fim do grupo, onde o jogo de Glasgow entre Escócia e Bélgica determinaria quem carimbaria passagem para Itália. O facto de a Bélgica ter que se deslocar às ilhas britânicas dava alguma esperança aos austríacos, que contavam que o ambiente difícil na Escócia pudesse levar à derrota belga, e mesmo o empate podia ser suficiente. Mas Erwin Vanderbergh e François van der Elst ajudaram a Bélgica a fazer a festa, numa vitória de 3-1 que coloca a Áustria fora da fase seguinte. Portugal, Escócia e Noruega foram eliminados também.
No Grupo 3 o apuramento sorriu a Espanha, que teve de discutir “taco-a-taco” a qualificação com a Jugoslávia. No confronto directo, ambas ganharam em casa do mais forte rival. Juanito e Santillana marcaram os golos da vitória espanhola (2-1) em Zagreb, mas os jugoslavos retribuiriam a gracinha no Mestalla (Valência) através de um golo solitário de Ivica Surjak. Foi no difícil terreno da Roménia que se definiu a classificação final, uma vez que enquanto os romenos venceriam a Jugoslávia (3-2), empatariam a dois com os espanhóis, que confirmaram o seu favoritismo em ambos os jogos com o Chipre. Os «merengues» Santillana e Vicente del Bosque e o «blaugrana» Juan Manuel Asensi eram as “estrelas” de uma equipa caracterizada pela sua competência colectiva e número relevante de opções de qualidade.
O Grupo 4 ficou marcado por um duelo a três, tendo por um lado as mais ofensivas Holanda e RDA e a mais equilibrada defensivamente Polónia. Não tendo nenhuma das três perdido um único ponto contra a Suíça ou a Islândia, foi no confronto a três que a Holandafacturou mais pontos, e por isso chega a Itália. O experiente Ruud Geels foi o melhor marcador de uma equipa cujo núcleo duro contava com jogadores de grande qualidade do PSV Eindhoven (Ernie Brandts, Huub Stevens, Willy van de Kerkhof).
No Grupo 5 a campeã europeia Checoslováquia acaba por ganhar, desde praticamente o início da campanha, uma vantagem que se veio a revelar decisiva, e isto num jogo em que nem sequer participou. Foi no França-Suécia, que terminou empatado a duas bolas, que a Checoslováquia conseguiu a margem que, mesmo com a derrota em França (1-2), não pôs em causa o apuramento dos checoslovacos, que ganharam todos os outros jogos. Panenka ainda é um jogador importante nesta selecção, que teve em Márian Masný o seu melhor marcador, e o terceiro de todas as equipas participantes desta fase de grupos, com cinco golos apontados.
No Grupo 6, a diferença pontual final entre primeiro e último do grupo foi apenas de dois pontos, o que mostra o enorme equilíbrio existente no grupo. E se o último lugar final da URSS é uma enorme surpresa, a qualificação da Grécia não é menos extraordinária. Foi a invencibilidade dos gregos em terras helénicas (destaque para os 8-1 aplicados à Finlândia) que os conduziu à sua estreia absoluta em fases finais de Europeus. Nomes como os de Giorgios Foiros (Aris Salónica), Ioannis Damanakis (PAOK), Maik Galakos (Olympiakos) ou Thomas Mavros (AEK) são hoje reverenciados pela grande conquista grega, que só voltaria a repetir-se na célebre campanha de 2004.
O que de mais surpreendente aconteceu no Grupo 7 foi o empate entre Malta e aRFA, que voltaria a qualificar-se sem problemas de maior. Já não havia Gerd Muller, mas havia Klaus Fischer, e começava a evidenciar-se Karl-Heinz Rummenigge, a garantir a continuidade do elevado nível competitivo desta equipa, que acaba com um «score» final de 17 golos marcados e um sofrido.
Novo formato – segunda fase de grupos
A segunda fase de grupos é, no Itália’ 1980, parte integrante da fase final, havendo a constituição de um Grupo A e um Grupo B, no qual apenas o primeiro de cada grupo se apura para a grande final, jogando os segundos o jogo de atribuiçã

o do 3º e 4º lugares.

No Grupo A, a RFA começou por ter os seus adversários teoricamente mais complicados nas duas jornadas inaugurais, onde dois “heróis” diferentes derrotaram com os seus golos a campeã europeia Checoslováquia (golo solitário de Rummenigge) e a Holanda («hat-trick» de Klaus Allofs no triunfo por 3-2), e selaram um apuramento que não ficou posto em causa com o empate diante da Grécia (0-0).
No Grupo B o grande mérito vai para a equipa muito bem liderada por Guy Thys, que após um meritório empate a uma bola diante da Inglaterra, conseguiu uma importantíssima vitória diante da Espanha (2-1), adiando para a derradeira jornada a discussão do primeiro lugar com a Itália, já com Inglaterra e Espanha completamente de fora dessa discussão. O empate a zero serviu os interesses dos belgas que, tendo o mesmo «goal-average» dos italianos, marcaram mais golos, e por isso apuraram-se para a final. Este jogo decisivo teve a particularidade de ser arbitrado pelo português António Garrido, que representou assim o nosso país numa fase final.
A Checoslováquia não conseguiu revalidar o título, mas consegue o terceiro lugar, um prémio de consolação obtido, curiosamente, através de um desempate por marcação de grandes penalidades. As duas equipas levaram o empate a uma bola até aos penalties, tendo a Checoslováquia ganho por 9-8 após o falhanço de Collovati. Panenka marcou o seu penalty com todo o sucesso mais uma vez.
Na final, realizada no Estádio Olímpico de Roma, a RFA mostra a qualidade da grande variedade de soluções para os seus jogos, sempre assegurando o nível competitivo elevado na selecção. Isto para dizer que mesmo jogadores como Bernd Schuster (médio que organizava todo o processo ofensivo e defensivo da selecção) ou Horst Hrubesch, que só jogou o Europeu devido a uma fractura na perna de Klaus Fischer, são capazes de passarem de segundas escolhas para heróis de uma final, que garantam a conquista de troféus internacionais prestigiantes. Foi precisamente uma assistência de Bernd Schuster a estar na origem do golo inaugural da RFA, marcado por Hrubesch. A Bélgica reagiu bem, pressionou os germânicos em particular na segunda parte, e isso rendeu-lhes a grande penalidade, convertida com sucesso por René Vandereycken. Mas num canto marcado por Rummenigge, Hrubesch cabecearia aos 89 minutos e tornar-se-ia a grande figura em Roma.
A participação portuguesa no Euro’ 1980
Acabando por ter um papel importante no desfecho do grupo, Portugal teria de aguardar mais quatro anos para se estrear na fase final de um Europeu. No que concerne à campanha de 1980, Portugal acabaria no terceiro lugar, atrás da futura finalista Bélgica e da Áustria.
A campanha começaria em Alvalade, com o empate caseiro diante dos belgas, com um golo para cada lado ainda na primeira parte. Eurico Gomes abriria o activo aos 32’, mas o futuro treinador do Sporting Frank Vercauteren, agora na pele de adversário, igualaria a partida cinco minutos depois, resultado que não sofreria alterações até final.
Os três jogos seguintes acabaram com três vitórias consecutivas para Portugal – já se falou do triunfo português no Ernst-Happel de Viena, mas não no triunfo sobre a Escócia no Estádio da Luz e perante a Noruega em Oslo, ambos por 1-0, com golos de Alberto Gomes e João Alves em Lisboa e na capital norueguesa, respectivamente.
Quando tudo parecia bem encaminhado para o sucesso português, veio a derrota em Bruxelas (0-2), com Wilfried van Moer e François van der Elst a serem os “carrascos” da turma lusitana, enterrando praticamente todas as esperanças na qualificação portuguesa.
A visita da Noruega ao Jamor serviu para Artur Correia e Nené (com um «bis»), darem a Portugal a sua última vitória na campanha, antes de derrotas com a Áustria em casa (1-2) e na Escócia (1-4), numa fase em que Portugal já não fazia parte das contas da luta pelo primeiro posto. Apenas a título de curiosidade, dizer que Reinaldo marcou aos austríacos e o futuro “Bibota” de ouro Gomes marcaria no desaire português em Glasgow.
Nota: Este artigo foi realizado graças à informação facultada publicamente pela UEFA, no seu site oficial.

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