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HOMOFOBIA: E SE FOSSE CONSIGO?

CLÁUDIA SILVA 
O sexo de uma pessoa é determinado antes do seu nascimento por uma definição biológica. O papel sexual é determinado por leis sociais que indicam como cada sexo se deve comportar na sociedade. São leis culturais, não biológicas. 
O indivíduo desenvolve dois esquemas de identidade sexual no cérebro. Um é o esquema de identidade de si mesmo e o outro é do sexo oposto. A identidade sexual é a perceção de ser homem ou mulher que cada indivíduo tem a seu respeito. 
O amor é um dos sentimentos mais procurados. Quando uma criança chega a casa e afirma “eu tenho um namoro na escola”. Mas se esse namorado for do mesmo sexo?

A homossexualidade esteve presente na Sociedade desde os tempos mitológicos. As grandes orgias de Athenas já apontavam para a liberação do sexo entre iguais como uma prática natural (Santos, Machado & Bonfim, 2008).

O preconceito e discriminação das pessoas homossexuais denomina-se homofobia. Este termo parece ter sido utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1971, mas somente no final dos anos 1990 é que começou a figurar nos dicionários europeus. Trata-se de uma forma de discriminação que conduz à marginalização e exclusão de pessoas com base no seu sexo. Esta discriminação é traduzida por atos de violência verbais e físicos. Com o passar dos anos, o termo homossexual foi sendo associado a termos pejorativos e gírias, tais como, “bicha”, “sapatão”, “veado”, “sapa”, etc.; e foram-se criando expressões de baixo calão, usando como sujeito principal o homossexual, a fim de diminuir ou ofender as pessoas. Ao longo de décadas os homossexuais foram um dos grupos que mais sofrem exclusão social, principalmente aqueles estigmatizados, ou seja, aqueles que possuem estereótipo diferenciado do convencional.
O ato da homofobia interfere na vida psíquica de quem o recebe. Os homossexuais desenvolvem medo de demonstrar os afetos, apresentam uma diminuição da sua autoestima, autoconceito, escolhem o isolamento social invés da interação social, principalmente porque apresentam receio significativo da sociedade. Interfere também na família dos indivíduos homossexuais, na medida que qualquer pai, mãe, irmão ou amigo do homossexual desenvolve medos e preocupações constantes da sociedade. A família procura, por vezes, nos consultórios de Psicologia e Psiquiatria o tratamento para a homossexualidade. Mas a sexualidade não admite alternativa. Simplesmente é. Podemos controlar o nosso comportamento, mas jamais conseguiríamos controlar o nosso desejo. 
Quer se trate de uma escolha de vida sexual, quer se trate de uma característica estrutural do desejo erótico por pessoas do mesmo sexo, a homossexualidade deve ser considerada tão legítima quanto a heterossexualidade. De fato, ela não é mais que a simples manifestação do pluralismo sexual, uma variante constante e regular da sexualidade humana. Na condição de atos consentidos entre adultos, os comportamentos homoeróticos devem ser protegidos como qualquer outra manifestação da vida privada. Como um atributo da personalidade, a homossexualidade deve permanecer fora do interesse interveniente das instituições.

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