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A EUROPA QUE QUEREMOS

«Virá um dia em que todas as nações do continente, sem perderem a sua qualidade distintiva e a sua gloriosa individualidade, se fundirão estreitamente numa unidade superior e constituirão a fraternidade europeia. Virá um dia em que não haverá outros campos de batalha para além dos mercados abrindo‑se às ideias. Virá um dia em que as balas e as bombas serão substituídas pelos votos».

RUI CANOSSA 
Victor Hugo proferiu estas proféticas palavras em 1849, mas foi preciso mais de um século para que as suas premonições utópicas começassem a tornar‑se realidade. Durante este tempo, duas guerras mundiais e inúmeros outros conflitos prostraram em solo europeu milhões de mortos e houve momentos em que toda a esperança parecia perdida. Hoje, a primeira década do século XXI avança sob melhores auspícios, embora também traga à Europa novas dificuldades e novos desafios.
A atual crise na Europa veio pôr em causa os próprios alicerces de solidariedade europeia que sempre estiveram na génese da construção da União. De facto, os países mais fortes ajudarem ao desenvolvimento dos países menos fortes sempre esteve na base da União. Mas, será que se está a cumprir com esse objetivo?
A União Europeia tem como grandes objetivos promover valores humanitários e progressistas, deseja garantir que a espécie humana seja beneficiária e não vítima das grandes mudanças globais que estão em curso. As necessidades das pessoas não podem ser satisfeitas meramente através das forças do mercado ou impostas por uma ação unilateral.
A União defende, portanto, uma visão da humanidade e um modelo de sociedade apoiados pela grande maioria dos seus cidadãos. Os direitos humanos, a solidariedade social, a livre iniciativa, a justa distribuição dos frutos do crescimento económico, o direito a um ambiente protegido, o respeito pela diversidade cultural, linguística e religiosa e uma síntese harmoniosa entre a tradição e o progresso constituem para os europeus um precioso património de valores.
Também deverá ser, cada vez mais, a “Europa dos cidadãos. Já existem alguns símbolos representativos de uma identidade comum europeia, como o passaporte europeu (em uso desde 1985), o hino da Europa (a “Ode à Alegria”, da Nona Sinfonia de Beethoven) e a bandeira da Europa (um círculo de doze estrelas douradas sobre fundo azul). A carta de condução da UE é emitida em todos os Estados-Membros desde 1996. Além disso, a UE adotou uma divisa, “Unida na diversidade”, e o dia 9 de Maio passou a ser o “Dia da Europa”.
É essa a União Europeia que eu defendo. Esta integração europeia deve prosseguir nos domínios em que os Estados-Membros considerem mais relevantes para trabalharem em conjunto, em áreas como o comércio, a globalização nos seus mais variados discursos, o pensar o mercado interno, a promoção do desenvolvimento regional e social, a aposta clara na investigação e desenvolvimento, a procura de oportunidades no desenvolvimento sustentável para o mundo e sobretudo defender o crescimento económico e o emprego.

E assim se fará a Europa que todos queremos e não só marcar o dia 9 de maio como uma mera formalidade.

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