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TRANSGÉNICOS

JOÃO PAULO PACHECO
Os transgénicos começaram a ser produzidos massivamente…na Europa. Sim, em fungos, sobretudo em Penincilliuns e afins, produtores de antibióticos para uso humano e animal. Até aí tudo bem. A tecnologia foi, entretanto, resgatada pelos americanos que começaram a trabalhar com plantas superiores, com extraordinários avanços no milho e proteaginosas, nomeadamente a soja. Aí, a Europa entendeu por bem proibir os transgénicos. Chegávamos a um novo milénio, o milénio económico, o do dinheiro!
Há uns tempos, um jovem perguntou-me se eu tinha algum problema em relação aos transgénicos. Eu perguntei-lhe se ele tinha alguma coisa contra as t-shirts feitas na Índia por mão-de-obra infantil. Ao que ele me respondeu ser 100% contra. Depois perguntei-lhe se essas t-shirts tinham defeitos, se picavam na pele, se eram de inferior qualidade àquilo que se faz em qualquer vão de escada no Entre Douro e Minho. Aí o assunto ficou mais sério, complexo. Afinal, estávamos a falar de coisas sérias e ele apenas queria pegar comigo. Quero com isto dizer que me preocupa mais a produção do transgénico do que alimentar-me dele ou dum seu derivado industrial ou pecuário. O problema está na planta e na sua relação com o ambiente, essa é que não é natural, e influencia quem com ela convive ou supostamente deveria conviver, seja fungo, micoplasma, insecto, planta, roedor, anfíbio…
Sinceramente, prefiro comer uma broa de milho feita com farinha de milho transgénico, mas cultivado sem qualquer pesticida ou produtos de compostagem mal acabada cheia de E-coli, do que comer uma broa de milho de sementes regionais cultivadas com esse tipo de produtos. Uma coisa é o que sei que me pode não fazer, outra coisa é o que não sei, pois ainda ninguém mo provou. Claro que prefiro a broa feita com milho regional da forma tradicional, daí sei que não vem mal ao mundo, ou já cá não estaríamos.
Sou completamente a favor de se pegar numa semente de arroz regional indiana e meter-lhe um gene que a ponha a produzir a vitamina anti-raquítica, que aquele povo tanto necessita… se mantiverem os modos de produção, será tudo como dantes, excepto nos milhões de casos anuais de raquitismo. E isto é válido até que me provem o contrário. Mas isso foi proibido. Dos inventores à FAO, a FAO pediu à comissão europeia, etc etc …e não! A polémica chegou a despoletar a demissão de um fundador do GreenPeace, mas manteve-se a proibição, pobre mundo o nosso!
E no entanto noto que existem “Recomendações” e “Excepções” que têm vindo a permitir a entrada de transgénicos na Europa, em grande parte por pressão de agricultores, que em última análise serão as primeiras vítimas dos impactos ambientais.
Há uns tempos, vi um programa da BBC intitulado “Playing God” onde mostravam uma quinta de produção de cabras. A quinta quase parecia uma “Amish Farm” pois todo o modus operandi era muito antiquado, as cabras tratadas pelos nomes “Daisy” ou “Naughty”, sem brincos na orelha, todas conhecidas pela fisionomia pelos tratadores, estes de jardineiras de ganga e chapéus de palha. Tinham introduzido nessas cabras um gene tirado de uma aranha. Dessa forma, a proteína contida no leite deixaria de ser a caseína e passaria a ser a mesma da teia de aranha. Depois, de um copo de leite, conseguiam retirar cerca de100 km de teia, que era enrolada em bobines e usada posteriormente para “tecer” implantes humanos para substituição de lesões graves e irrecuperáveis em tendões. É no mínimo sinistro, mas digno de diversas opiniões… De uma coisa tive a certeza: aquelas cabras levavam uma vida santa!
Por outro lado, a realidade dum planeta com mais de 7 biliões de humanos, constitui uma pirâmide alimentar cheia de predadores no seu topo, mais parece um cogumelo do que uma pirâmide! E a proteína que serve de base a toda a carne produzida está fortemente alicerçada na soja transgénica. É um problema que tem de ser resolvido também através de novos hábitos alimentares. As perdas de proteína na cadeia alimentar até termos carne na prateleira, são enormes. O consumo humano de proteína vegetal tem de aumentar muito, ou corremos o risco de nos tornarmos dependentes de plantas e práticas indesejáveis para a Humanidade e até para as outras espécies.
Para terminar, e porque este assunto para mim já não tem discussão possível, sou completamente contra que se introduza um gene nas plantas de modo a que elas sobrevivam a tratamentos que visam aniquilar seja o que for ao seu redor! E isto, escusam de me tentar provar do contrário.

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