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O QUE PRECISAM AS NOSSAS EMPRESAS PARA SEREM MAIS COMPETITIVAS E SAÍREM DA CRISE QUE AS CERCOU

ANDREIA TEIXEIRA
O nosso tecido empresarial tem vivido num ambiente macroeconómico adverso, operando mais anos do que o desejável dificuldades diversas decorrentes do fraco crescimento económico, situação que se refletiu num enorme desajustamento entre os resultados obtidos com os investimentos realizados e as previsões presumidas aquando da decisão de investir previamente ao rebentar de crise financeira. Todo este problema merece ainda mais preocupação se tivermos em conta a composição do nosso tecido empresarial cuja predominância de micro, pequenas e médias empresas é por demais evidente, senão veja-se informação extraída do último relatório do INE “Empresas em Portugal 2014” publicado em março deste ano:
Dimensão
2014
PME
49,93%
Micro
44,34%
Pequenas
4,82%
Médias
0,78%
Grandes
0,13%
Fonte: INE
Ora se o problema é grave, se já nos deu mostras severas das consequências que tem para a economia real, não
são menos importantes as medidas, implementadas no passado e as que são agora projetadas, para o ultrapassar.
No passado, um instrumento relevante, foi a implementação do PER em 2012, quer pelo número de empresas que recorreu a este expediente, quer pela inovação que representou para desconstruir o estigma tantas vezes associado à recuperação financeira das empresas, promovendo o recurso a processos de reestruturação financeira e operacional mais precocemente do que até aí.
Atualmente destacam-se as medidas do Programa Nacional de Reformas, nomeadamente no seu eixo “Endividamento Privado e Capitalização de Empresas” que visa resolver os principais problemas das empresas, nomeadamente ao nível da capitalização, admitindo que estruturas financeiras e empresariais desequilibradas com insuficiência de capitais próprios, originam excessivo endividamento e dependência bancária das empresas, situação que acentua o risco de incumprimento bancário.
Mas, para mim o mais importante, não se fica por aí admite também a necessidade de ajustamento dos instrumentos legais e financeiros no âmbito da necessária Reestruturação das Empresas acudindo aquelas que, tendo viabilidade económica, precisem de ser reestruturadas, não só a nível financeiro, mas também ao nível económico e de gestão, visando atuar ao nível preventivo. Paralelamente é-nos apresentada a criação da Linha de Apoio à Capitalização – Fundos Capitalizar – como meio complementar para incentivar a reestruturação empresarial, com instrumentos de reforço do capital da generalidade das empresas (PMEs).
Em suma, promessas de apoios na capitalização e financiamento das empresas, por si só, nada podem se a procura (interna e externa) não recuperar, e as empresas fragilizadas pelos fracos desempenhos dos últimos anos não se tornarem mais competitivas, não se reestruturarem. Invariavelmente empresas desestruturadas, nomeadamente ao nível financeiro, canalizam quaisquer fundos para a estabilização da tesouraria e não ao desejável investimento produtivo, esse sim potencialmente gerador de riqueza.
No momento atual não nos podemos permitir falhar, por isso, governantes, empresários, técnicos, associações e sociedade civil devem fazer uma reflexão conjunta e responsável sobre o presente e futuro que queremos para as nossas empresas e sobre o que de melhor pode ser feito para as ajudar a sobreviver e prosperar após anos de severa crise económica e social no nosso país.

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