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PESSOA OSTOMIZADA

MARIA DO CÉU OLIVEIRA
A ostomia é um processo cirúrgico que permite criar uma comunicação entre um órgão e o exterior, com a finalidade de construir um novo trajeto para saída das fezes e da urina, para melhorar a função respiratória ou para entrada de alimentos e medicações. A nova abertura que se cria com o exterior, chama-se estoma.
Os estomas tomam diferentes nomes, consoante o órgão onde estão localizados. Existem três tipos de ostomias: de respiração, de alimentação e de eliminação.
· Ostomias de respiração
Traqueostomia: Trata-se de um procedimento cirúrgico que tem como finalidade a criação de uma comunicação entre a traqueia e o meio exterior, com o objectivo de melhorar o fluxo respiratório. Pode ser temporária, quando algum tempo depois se encerra o estoma sendo retomada a função respiratória normal. Ou permanentes, quanto alguma parte da estrutura das vias aéreas superiores é comprometida ou retirada devido a patologia ou trauma grave.
· Ostomias de alimentação
Gastrostomia: Procedimento cirúrgico que consiste na realização de uma comunicação entre estomago e o meio exterior através da fixação de uma sonda, permitindo uma via suplementar de alimentação.
Jejunostomia: Consiste em criar um estoma no jejuno com a finalidade de alimentação.

· Ostomias de eliminação
Urostomias: Procedimento cirúrgico que consiste em criar um estoma na parede abdominal que permite a saída da urina proveniente dos rins, ureteres ou bexiga. 
Ileostomias: É um estoma intestinal, efectuado ao nível do intestino delgado (ílion), onde se exterioriza uma terminação do intestino pela parede abdominal, formando um novo trajecto para a saída das fezes.
O intestino delgado é um órgão onde são absorvidos os componentes alimentares essenciais á nossa alimentação – vitaminas, minerais, proteínas, hidratos de carbono, etc.
O alto teor enzimático e o PH do conteúdo fecal, aumentam a possibilidade de danos na pele que circunda o estoma, sendo necessária uma vigilância apropriada. Paralelamente é importante uma alimentação adequada e ajustada de forma a não surgirem carências nutricionais pela deficiente absorção dos nutrientes.
Colostomia: É um procedimento cirúrgico que consiste em fazer-se uma abertura na parede abdominal (estoma), temporária ou permanente, e ligar-lhe uma terminação do intestino (Cólon), pela qual as fezes e gases passam a ser eliminados.
O intestino grosso ou cólon, surge a seguir ao intestino delgado e divide-se em várias partes. A primeira e mais próxima do ílion é o cólon ascendente, situado no lado direito do abdómen, a segunda corresponde ao cólon transverso seguida do cólon descendente e sigmóide, situado no lado esquerdo do abdómen.
As colostomias podem ser classificadas em três tipos, de acordo com a parte do intestino grosso que é exteriorizada:
Colostomia ascendente – É realizada na parte ascendente do cólon (lado direito do intestino grosso).
Colostomia transversa – É localizada na parte transversa do cólon (porção entre o cólon ascendente e descendente).
Colostomia descendente – É realizada na parte descendente do cólon (lado esquerdo do intestino grosso).
A colostomia geralmente tem de ser feita quando há obstruções transitórias ou permanentes do cólon ocasionadas por, neoplasias, processos inflamatórios, traumatismos, fístulas rectovaginais, lesões extensas ao redor do ânus, etc.
Entre as complicações pós operatórias mais comuns estão: irritação da pele circundante ao estoma; infecções da pele, hemorragia, prolapso do coto intestinal; necrose do coto intestinal; estenose do estoma, etc.
Uma vez que os estomas não podem ser controlados voluntariamente, a pessoa ostomizada necessita de utilizar um saco colector adaptado á parede abdominal para onde é eliminado o conteúdo fecal.
Um dos maiores problemas das pessoas ostomizadas, depois da cirurgia é a adaptação á “ vida normal”, apresentando várias preocupações: os ruídos, a utilização das casas de banho, o manuseamento dos sacos colectores, o tratamento da pele, os cheiros, a reintegração social, familiar, profissional, entre outras.

A adaptação da pessoa ostomizada á sua nova condição, é de extrema importância e requer a intervenção da família, profissionais de saúde e da própria comunidade onde se insere, disponibilizando os meios adequados á suas necessidades. (por exemplo casas de banho adaptadas, informação, dispositivos)

Depois de um período de adaptação, é possível realizar a maioria das actividades que fazia antes da cirurgia, como trabalhar, viajar, nadar, ir á praia, praticar alguns desportos, de forma a regressar ao seu estilo de vida.

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