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HOMENS POR TEMPO. UMA TROCA JUSTA HÁ 60 ANOS ATRÁS

LUÍSA VAZ
Hoje, na Discovery Channel, houve um documentário que me prendeu a atenção e quanto mais o via, mais paralelismos fazia com o Mundo actual e mais me impelia a escolhê-lo como base desta crónica.
Não raras vezes, precisamos de olhar para trás e para tudo o que se passou para compreendermos o momento que vivemos e prepararmos o futuro. Para pelo menos não cairmos nos mesmos erros e valorizarmos o que conseguimos atingir.
Este documentário em particular era sobre e Companhia George, ou Bloody George como ficou conhecida. A Companhia George, fiquei a saber, era uma companhia composta por jovens de 18, 19 anos e por reservistas, comandada por MacArthur, um Senhor da estratégia de guerra norte-americana e ia ser enviada para a Guerra da Coreia. Tinham como objectivo aprender a disparar uma metralhadora a bordo do porta-aviões que os levaria ao destino mas mal entraram no Mar Amarelo foram apanhados por um tufão. Já aí, os auspícios não seriam os melhores. Mas mesmo impreparados lá seguiram e conseguiram cumprir com o objectivo de segurar a cidade para onde tinham sido destacados. No entanto, MacArthur comete aí o seu primeiro e mais caro erro estratégico. Quando opta por perseguir os coreanos em fuga, o General põe toda a operação em risco.
Quando nessa perseguição, a Companhia George fica encurralada no Monte Leste pelas tropas chinesas que entretanto se deslocam, quando queria chegar a Hagaru-Ri, que era o ponto escolhido como base operacional. Local onde era necessário reconstruir o aeródromo que serviria de apoio aéreo a toda a operação. Uma vez encurralados pelas tropas chinesas, foi necessário mandar todo o auxílio possível para Hagaru-Ri. Nesse momento, os 5º e 7º Regimentos que incluíam a Companhia George, são forçadas a lentamente e debaixo de fogo inimigo, atravessar o Monte Leste e é nessa altura que a Companhia George passa a ser conhecida por Bloody George.
Com apenas 200 homens mais viaturas contra 2000 militares do exército chinês, bem posicionadas, bem armadas e habituadas a condições climatéricas austeras – nevava incessantemente – a Bloody George consegue que os 96 sobreviventes desse massacre atinjam a cidade de Hagaru-Ri que tinha escapado às balas inimigas e conseguido recuperar o tão precioso aeródromo. Hagaru-Ri contava nesse momento com 140 mil homens americanos e tinha o aeródromo a funcionar finalmente.
A Bloody George trocou “homens por tempo”, deu o que tinha para que a recuperação pudesse ser levada a cabo e os militares bem como os cerca de 100 mil civis que daí debandaram pudessem ser salvos. Com esta movimentação, a Bloody George virou o curso de uma guerra que estava perdida à partida conseguindo salvar não só os sobreviventes do seu contingente como todos os outros militares que se encontravam em Hagaru-Ri e que conseguiram fazer sair os voos em direcção aos porta-aviões que se encontravam estacionados ao largo da Coreia à espera para tirar dali os feridos e os homens que deveriam regressar a casa. Ainda hoje, os sobreviventes da Bloody George se encontram todos os anos e mantêm os laços que criaram naquele momento que recordam com dor.
E porque me lembrei eu de relatar um episódio com 60 anos que é mais um em cenário de guerra quando já tantas e tão sangrentas aconteceram? Porque à medida que ia assistindo me lembrava dos deploráveis candidatos às eleições norte-americanas e pensava como se sentiriam estes homens que lutaram, receberam louvores, viveram e recordam horrores, no que pensariam ao verem que o melhor que a América tem para oferecer é um Donald Trump mal-educado, mal-formado, xenófobo, belicista e mais uma série de adjectivos que lhe poderia apontar e uma Hillary Clinton que passa pelo impeachment do marido, um Senhor na política interna e externa que foi “queimado” por não alinhar com o sistema vigente, para manter viva a sua hipótese de passar de Primeira-Dama a Senhora do “Oval office?
. Assustador..penso eu.. Onde andam os americanos de ideais e ideias? O que foi feito das pessoas com Princípios e sólidos valores morais? O que aconteceu à sociedade norte-americana para se ver reduzida desta forma e isto ser o melhor que tem para apresentar ao seu País e ao Mundo? Sim, porque todos nós sofreremos mais ou menos dependendo do género ser o masculino ou o feminino nesta escolha.
Resolvi por isso pegar neste episódio na tentativa de demonstrar a coragem, o altruísmo, o humanismo dos Homens de há 60 anos que foram embarcados sem a mínima noção para uma guerra que não pediram numa terra longínqua mas que não deixaram ninguém para trás, trocaram como disse “ homens por tempo” enquanto Trump está apostado em trocar “dinheiro por conflitos em todas as frentes”.
Não valerá a pena parar e pensar? Eu fico assustada com a perspectiva dos próximos 5 anos com qualquer um dos candidatos sentados na cadeira com mais Poder no Mundo neste momento.

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