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ALIANÇAS ESTRATÉGICAS EMPRESARIAIS

RUI LEAL
Os processos de internacionalização de pequenas e médias empresas (PME) devem revestir, sempre, um especial cuidado e serem merecedores de uma ponderada análise a todos os níveis, nomeadamente comercial, financeiro e até jurídico.
A mais das vezes, o aspecto jurídico é totalmente desprezado acabando todo o processo por ser baseado em relações de suposta confiança e numa total ausência de acordos ou contratos escritos, o que acarreta, quase sempre, inúmeros dissabores e custos elevados.
Uma das formas jurídicas de integrar processos de internacionalização consiste na celebração dealianças estratégicas.
Estas poderão ser consideradas como acordos, em princípio duradouros, considerados relevantes para as empresas, de efeitos recíprocos e determinado por conjugação de esforços, trabalhos e competências entre os parceiros.
Embora as alianças estratégicas possam envolver participações em capital, de forma mútua, irei referir apenas aquelas que o não envolvam, já que as demais possuem denominações específicas e características muito particulares.
Os tipos de alianças estratégicas mais relevantes são os seguintes:
– acordos de distribuição conjunta;
– estabelecimento de redes de distribuição conjunta;
– acordos de comercialização recíproca;
– especialização da produção;
Acordos de Distribuição Conjunta
Estaremos perante este tipo de acordos sempre que as empresas envolvidas desenvolvam esforços para a comercialização de produtos e/ou serviços das suas indústrias com a finalidade de ganharem capacidade ou escala para entrarem em mercados internacionais.
A finalidade destes acordos consiste na exploração de sinergias comuns, visando reduzir o risco envolvente a um processo de internacionalização, sobretudo relevante naqueles casos de oferta de produtos complementares por parte das empresas envolvidas.
Estabelecimento de Redes de Distribuição Conjunta
Esta forma de internacionalização é muito semelhante à anterior, tendo apenas como característica distintiva a criação de redes próprias de distribuição nos países de destino.
Novamente as empresas envolvidas partilham os riscos de toda a operação, bem como beneficiam da presença em mercados que não dominavam, criando uma pontos de venda internacionais.

Acordos de Comercialização Recíproca
Nestes casos, existe uma reciprocidade das empresas envolvidas na comercialização dos respectivos produtos e/ou serviços.
Revela-se vantajoso nos casos em que determinada empresa possa beneficiar da rede de distribuição do seu parceiro internacional, beneficiando, igualmente, da distribuição nacional dos produtos do seu parceiros, sobretudo se forem complementares ao da sua actividade.
Novamente estamos perante uma redução de custos e riscos enormes, aproveitando redes de distribuição já estabelecidas e com conhecimento de mercado, potenciadas pela eventual dimensão do parceiro, atenuando as distâncias entre mercados.
Especialização da Produção
Consiste na junção de esforços de duas ou mais empresas com o objectivo de repartição da produção.
Essa repartição ou divisão de esforços produtivos pode realizar-se por via da especialização de produção de determinados produtos, ou pela via da especialização de processos produtivos do mesmo produto.
O objectivo aqui presente é claro e resulta tremendamente benéfico em áreas produtivas complementares permitindo ganhar escala produtiva e competitividade internacional.
A estratégia deverá passar pela possibilidade de fabricar determinados componentes de um certo produto, em vários locais, procedendo, posteriormente, à sua montagem final, ganhando assim cada empresa na prestação de um serviço de alta especialização e enorme valor acrescentado.
Estas alianças, em concreto, são, no entanto, geradoras de tensões entre os vários parceiros, tanto na atribuição das tarefas em causa, como na repartição dos lucros gerados.

De todo o exposto resultam claros os benefícios das alianças estratégicas, permitindo alavancar recursos para a internacionalização e reduzir custos e riscos em todo esse processo.
Terá, porém, de se levar em linha de conta uma especial exigência em termos de gestão e rigor decorrentes da especial complexidade organizacional.
Extremamente importante em todos estes processos é a definição, a montante, das “regras do jogo” a fim de evitar comportamentos oportunísticos por parte das empresas envolvidas.

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