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NEM TUDO SÃO ROSAS NA ESCANDINÁVIA

JOÃO RAMOS
Durante anos, a Finlândia foi amplamente elogiada pelos parceiros Europeus, como um exemplo a seguir para países como Portugal. A forte aposta em indústrias altamente intensivas em tecnologia, os elevados salários, as inúmeras regalias e o baixo desemprego faziam da Finlândia um dos locais mais procurados pelos emigrantes do leste europeu. Porém, actualmente os estado finlandês enfrenta graves problemas económicos resultantes da forte contracção do mercado russo (quebra de 50% das exportações) e da situação de pré-falência da Nokia, que representava cerca de 25% da riqueza total do país. Afinal, e ao contrário do que nos fizeram querer durante anos a fio, a economia Finlandesa encontrava-se muito pouco diversificada e competitiva, em virtude dos elevados salários e da rigidez do mercado de trabalho. As previsões apontam para mais um de 4 anos seguidos de recessão, contribuindo para que o PIB se mantenha, 7,8% abaixo dos valores pré-crise, ou seja, numa situação bastante pior do que a economia Portuguesa. Em 2016, o PIB deverá crescer uns residuais 0.5 p.p., o pior desempenho da união europeia, a par da Grécia. Em resposta o governo pretende aprovar um amplo programa de corte de despesas públicas no valor de 400 milhões de euros, ou seja, 0.5% do produto e flexibilizar o mercado de trabalho.

O desemprego ultrapassou os 10% e atinge aproximadamente as 300 mil pessoas, Ao contrário do que acontece em Portugal, a diferença entre o salário médio (2 mil euros) e os apoios sociais, nomeadamente o subsídio de desemprego (700 euros) é extremamente elevada, de forma a promover a procura activa de trabalho. Porém, este modelo foi desenhado numa altura de pleno emprego, longe da realidade actual, o que significa que o rendimento de 700 euros é manifestamente insuficiente, para dar resposta ao elevado custo de vida dos países escandinavos, onde o aluguer de uma casa, pode facilmente ultrapassar os 600 euros. Como consequência, os pedidos de apoio e ajuda sofreram um crescimento entre 10% a 15%.

Curiosamente, os muitos que apregoavam as virtudes do Euro, são os mesmos que se queixam da impossibilidade de utilizarem a depreciação da moeda para relançarem a competitividade da economia. Afinal, não são apenas os países do sul da Europa que possuem economias pouco diversificadas e competitivas, ou talvez, não seja o problema dos países em si, mas sim do próprio desenho da união monetária. Afinal, somos todos iguais.

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