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TODOS A ATENOR – MIRANDA DO DOURO

CRÓNICA DE ANTÓNIO REIS
(PÃO TRANSMONTANO)
Licores, petiscos, música de origem Celta e burros…
Teve inicio, ontem, a V RONDA DAS ADEGAS na mais mediática aldeia transmontana na raia da fronteira hispano-lusa. Sexta, sábado, domingo, todos os caminhos vão dar a Atenor; seja pelas estradas de Espanha, que em tempos foram as melhores vias para chegar até ao concelho de Miranda do Douro, como pela mais recente via, IC5 (projetada e inaugurada no governo chefiado pelo ex-Primeiro Ministro José Sócrates). Quem por terras de Miranda se cruza vai ou vem de Atenor.
Cerca de 50 adegas abriram portas para receber os forasteiros, vindos de norte a sul de Portugal ou da vizinha Espanha. Todos os anos, na RONDA DAS ADEGAS, milhares de pessoas procuram Atenor para afugentar o stresse do dia a dia das metrópoles. Em cada esquina há uma adega onde por apenas um euro podemos saborear ou degustar os licores da terra ou as iguarias que aquelas gentes não querem deixar esquecer as receitas com séculos.
A música tradicional de terras de Miranda invadiu a aldeia, durante três dias, e em vários pontos de vielas encontramos palcos improvisados com base em fardos de palha, que mais tarde voltam à sua origem: alimentos para os burros; onde se pode assistir a um espectáculo musical de gaiteiros ou “rufos” bombos. Enquanto os pés mexem as mentes toldam-se com os vários coketeles já ingeridos, sempre com base em bebidas caseiras, tal como fazem questão de frisar os habitantes de Atenor.
Atenor era uma aldeia que até 2011, poucos conheciam, mas já procurada por alguns amantes da natureza local; onde se instalou uma comunidade de jovens e se dedicaram à criação do burro raça autóctone mirandês e reconstrução de casebres e pombais em muito mau estado de conservação. Jovens que vieram da cidade para ajudar a preservar o património e trouxeram novos conhecimentos aos poucos habitantes que ainda resistiam em viver em Atenor. Um dos maiores mentores deste grandioso encontro de bons amigos de Atenor foi o ex-presidente da junta Moisés, que em 2011 aceitou o desafio de alguns recentes residentes e lançou a – I RONDA DAS ADEGAS DE ATENOR -, desde essa data que algumas coisas se foram alterando, até mesmo o número de milhares de forasteiro a procurar a aldeia nestes três dias por ano. 
Nem mesmo a invasão dos espanhóis, há três séculos, consegui vergar este povo. Em tempos mais recentes viviam do árduo trabalho: durante o dia no campo e durante a noite no contrabando entre fronteiras. Há um “dicho” popular: em Miranda sê Mirandês. Mas, ou és guarda-fiscal ou contrabandista. Ou mesmo as duas “cosas”.

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