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ANTES DE QUALQUER DEFINIÇÃO

MÁRCIA CORREIA 
Dislexia, antes de qualquer definição, é uma forma de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes genial, mas que aprende de maneira diferente…
“A dislexia é um dos vários tipos de dificuldades de aprendizagem. É uma desordem específica, centrada na linguagem, de origem orgânica, caracterizada por problemas na descodificação de palavras, refletindo, geralmente, capacidades reduzidas no processamento fonológico. Estes problemas na descodificação da palavra são geralmente inesperados ao considerar-se a idade ou as aptidões cognitivas; eles não são o resultado de uma incapacidade de desenvolvimento generalizada ou de uma perda sensorial. A dislexia é manifestada por uma dificuldade variável nas diferentes formas da linguagem, incluindo, para além de um problema na leitura, um problema manifesto na aquisição de proficiência na escrita e na soletração.” (Associação Internacional de Dislexia, EUA)
Entender como aprendemos e o porquê de muitas pessoas inteligentes e, até, geniais experimentarem dificuldades paralelas no seu caminho diferencial de aprendizagem, é um desafio que a ciência tem travado ao longo de vários anos de pesquisas. Com o avanço tecnológico dos nossos dias, com destaque ao apoio da ressonância magnética funcional, as conquistas dos últimos dez anos têm trazido respostas significativas sobre o que é Dislexia.
A complexidade do entendimento do que é Dislexia, está diretamente vinculada ao entendimento do ser humano: de quem somos; do que é memória, pensamento e linguagem, no entanto o maior problema para assimilarmos esta realidade está no conceito arcaico de que: “quem é bom, é bom em tudo”; isto é, a pessoa, porque é inteligente, tem que saber tudo e ser habilidosa em tudo o que faz.
Deste modo, os sintomas da dislexia variam de acordo com os diferentes graus do transtorno, mas a pessoa tem dificuldade para decodificar as letras do alfabeto e tudo o que é relacionado à leitura. Contudo, esta realidade pode ser agravada com a conjugação de outros tipos de “problemas´´ tais como:
Disgrafia– é uma inabilidade ou atraso no desenvolvimento da Linguagem Escrita, especialmente da escrita cursiva. Escrever com uma máquina datilográfica ou com o computador pode ser muito mais fácil para o disléxico. Na escrita manual, as letras podem ser mal desenhadas, ou incompletas. Os erros ortográficos, inversões de letras, sílabas e números e a falta ou troca de letras e números são características muito frequentes… 
Discalculia – as dificuldades com a Linguagem Matemática são muito variadas nos seus diferentes níveis e complexas na sua origem. Podem-se evidenciar na aprendizagem aritmética básica como, mais tarde, na elaboração do pensamento matemático mais avançado. Embora essas dificuldades se possam manifestar sem nenhuma inabilidade na leitura, há outras que são decorrentes do processamento lógico-matemático da linguagem lida ou ouvida. Também existem dificuldades vindas da imprecisa perceção de tempo e espaço, como na apreensão e no processamento de fatos matemáticos, na sua ordem…
Défice de atenção – É a dificuldade de concentração e de manter concentrada a atenção num determinado objetivo, para discriminar, compreender e assimilar o foco central de um estímulo. Esse estado de concentração é fundamental para que, através do discernimento e da elaboração do ensino, possa completar-se a fixação do aprendizado. O Défice de atenção pode manifestar-se isoladamente ou associada a uma Linguagem Corporal que caracteriza a Hiperatividade ou, opostamente, a Hipoatividade..
Hiperatividade – Refere-se à atividade psicomotora excessiva, com padrões diferenciais de sintomas: o jovem ou a criança hiperativa com comportamento impulsivo é aquela que fala sem parar e nunca espera por nada; não consegue esperar pela sua vez, interrompendo e atropelando tudo e todos. Age sem pensar e sem medir as consequências, está sempre envolvida em pequenos acidentes, com escoriações, hematomas, cortes… Um segundo tipo de hiperatividade tem como característica mais pronunciada, sintomas de dificuldades de foco de atenção. É uma superestimulação nervosa que leva o jovem ou a criança a passar de um estímulo a outro, não conseguindo focar a atenção num único tópico. Assim, dá a falsa impressão de que é desinteressada mas, pelo contrário, é por estar concentrada em tudo, ao mesmo tempo, que não consegue concentrar-se num único estímulo, ignorando os outros…

Hipo atividade – A Hipo atividade caracteriza-se por um nível baixo de atividade psicomotora, com reação lenta a qualquer estímulo. Trata-se daquela criança chamada “boazinha”, que parece estar, sempre, no “mundo da lua”, “a sonhar acordada”. Normalmente o Hipo ativo tem memória pobre e comportamento vago, pouca interação social e quase não se envolve com os seus colegas.

Neste sentido, muitas vezes surge a questão se repetir o ano de escolaridade pode ser benéfico para os disléxicos, mas a resposta é não! Pelo contrário, cria dificuldades acrescidas a nível afetivo emocional: sentimentos de frustração, de incompetência, ansiedade, desvalorização do autoconceito e da autoestima.
O que ajuda a ultrapassar as dificuldades é a implementação, precoce e rigorosa, de programas de intervenção especializada que se apoiem nas recomendações decorrentes da investigação científica.

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