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E O TEMPO DAS PLANTAS?

J. PAULO PACHECO
Este ano, tanto a pluviosidade como as humidades relativas do ar têm sido substancialmente superiores ao que o nosso País nos tem habituado. Simultaneamente, embora o calor tarde a chegar, o frio de todo o Inverno e subsequente Primavera foi efectivamente muito pouco, ficando assim precocemente criadas as condições ideais para o desenvolvimento de doenças das plantas provocadas por fungos, sobretudo míldios e podridões cinzentas.
Enquanto as temperaturas não se elevam, a duração do dia, que só depende da posição do planeta mantém-se! Algumas plantas, mais sensíveis ao fotoperíodo, avançam para a floração e as folhas não conseguem alimentar tanta flor. É o caso das silvas, vejam como as folhas dão o que têm e o que não têm na tentativa de fazer flor, fruto e semente….

(São notórias as carências de nutrientes nas folhas apensas ao cacho de flores)
Outras plantas, como os carvalhos, têm enorme dificuldade em “lutar” contra os problemas provocados por fungos, sobretudo o oídio, sempre a aguardar um dia mais quente para “tomar conta do terreno”. Vejam esta imagem de uns carvalinhos junto ao caminho anexo a uma horticultura, tiradas hoje dia 17/06,, perto do Porto…..

Um horticultor que tivesse meloas ou courgettes ao lado deste caminho, ia ver a sua vida complicada para produzir os seus pepónios, pois o oídio oriundo dos carvalhos (através dos seus oosporos) rapidamente lhes tomaria conta de suas folhas “tão peludinhas”, mesmo boas para manter a humidade quando os dias estão quentes.
Se na agricultura intensiva sob abrigos este problema pode ser parcialmente resolvido pelos sistemas de controlo ambiental, aquecimento e ventilação forçada, nas culturas de ar livre o caso afigura-se bem mais difícil de contornar, sobretudo para aqueles que pretendem obter produtos sem usar os fungicidas de síntese existentes no mercado.
Só mesmo com uma profunda e pensada alteração do modo de produzir, que passa pelo aumento do espaçamento entre linhas e entre plantas, plantações em quincôncio que favorecem mais sentidos de correntes de ar, podas verde de partes afectadas, fertilizações mais cuidadas e em função das análise ao solo, atenção na forma de conduzir e formatar as plantas é que se pode contornar estas alterações climáticas…e temos esquecer as datas de plantar ou de colher…o calendário já não manda.

É melhor dizer: “planto esta, quando aquela florir”, ou “quando chegarem as andorinhas”, é mais certo!

Bom Verão!

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