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A ERA DA CONFUSÃO

HERMÍNIA MENDES
Oiço as notícias, assisto a debates, a manifestações e cada dia solidifico mais a minha firme convicção de estarmos a viver uma era de confusão de valores, de prioridades, de tudo.. ou quase tudo.
E as opiniões oscilam entre o sim e o não, sem convicção, sem opinião formada e fundamentada, mas de acordo com a cor partidária.
Todos temos cor partidária. É inevitável, legítimo e saudável que assim seja. Mas é fundamental e imperioso que não sejamos arregimentados à direita, à esquerda ou ao centro sem sabermos porquê. Por moda, por irreverência… mas, tristemente, sem convicções.
Não é o bem estar colectivo que conta. O individualismo exacerbado e profundamente egoísta é, há muito, o norte da vida.
O Homem deixou de o ser num todo. Agora são interesses, tendências e opções de grupos que levantam vozes, que travam lutas.
A pretensa “defesa” do ensino foi propositadamente bipolarizada entre “ricos e menos ricos”. Os alunos deixaram de contar, assim como as condições e qualidade do ensino. De um lado manifestam-se professores, alunos, pais, a favor da escola púbica, do outro idêntico grupo a favor do ensino particular. Os cartazes tornaram-se deprimentes, ridículos, vergonhosos. Vi um deles que dizia, mais ou menos, que só os ricos têm possibilidade de escolha. Pessoalmente, optei por manter a minha filha num colégio privado desde a pré-primária. E suportei a minha escolha. O mesmo colégio que eu frequentei e ao qual fiquei humbilicalmente ligada para sempre. Por um imenso respeito e amizade ao seu Director e aos professores que conheci.
Depois, fui para uma Faculdade pública, como espero que aconteça com a minha filha. 
Senti e saí-me bem num colégio privado e numa Faculdade pública e nunca tinha assistido a uma luta com tantos ódios pelo meio.
É legítimo que um Governo tome decisões e faça opções, desde que o ponto orientador seja sempre o bem estar social e, no caso da educação, os alunos estejam sempre primeiro.
Os políticos passaram a querer, tantas e tantas vezes, só “mostrar serviço” e pagar promessas e favores eleitorais. Na melindrosa questão das “barrigas de aluguer”, valeu o veto presidencial para obrigar os partidos com assento parlamentar a repensar e aperfeiçoar a lei.
Agora, se o vão fazer de acordo com as recomendações e pareceres do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, é o que veremos a seguir.
Espero sinceramente que impere a opinião e estudo aturado, fundamentado e sensato dos especialistas. O Presidente da Associação Portuguesa de Bioética recomenda que se acautele mais o supremo interesse da criança.
E devia ser este interesse o primus inter pares. No entanto, mais uma vez, é a luta politico-partidária e as promessas que ditam a aprovação e a alteração ou aperfeiçoamento, ou não, do texto legal.
Só no dia em que começarem os conflitos sociais e familiares decorrentes das lacunas legais, é que a sociedade se vai aperceber verdadeiramente da seriedade, perigosidade e verdadeira importância da decisão tomada.
Quando a mãe que carregou a criança no ventre se negar a entrega-la á mãe que não a pôde gerar, não aceitar cortar os laços afectivos, tentar imiscuir-se na sua educação e crescimento, muito provavelmente, estaremos a assistir a diferendos decididos em tribunal, com a consequente devassa da vida da criança e da família.
Será que os adultos irão colocar o supremo interesse da criança á frente dos seus ódios e guerras pessoais? Eu não acredito, mas espero estar enganada.
Outro caso que me chocou profundamente foi o atentado de Orlando. 
E chocou-me tanto como o de Paris, ou qualquer outro por esse mundo fora.
Morreram muitos seres humanos. Não me interessa a sua orientação sexual. Absolutamente nada. No entanto, nas notícias e posteriormente numa marcha de orgulho gay, só se chamava a atenção para o facto das vítimas serem homossexuais. E, mais uma vez, estavam grupos de interesses a captar as atenções. Esses grupos deixam-me confusa. Aprendi e apreendi que a igualdade de direitos não permite a distinção em função da raça, do credo, da orientação sexual. Morreram Homens, Seres Humanos. E aí reside a tragédia.
Os fundamentalistas encontram sempre uma razão para matar. Ou porque as vítimas professam outra religião, ou porque vivem em países diferentes, ou porque têm outra cor de pele. Tudo serve para matar, infelizmente. Em Orlando, por raiva ou frustração, o assassino resolveu matar pela orientação sexual. 
O mundo noticia e alimenta este acentuar da diferença, com a desculpa da exigência de igualdade. Arranja-se uma discussão em torno do que é indiscutível: o ser humano é um só. Sujeito de direitos e obrigações, mas um só. Com a mesma importância, com igual direito à vida e respeito do próximo.
E aqui, quanto a mim, está a inversão e quebra de valores. 
A sociedade tem de se preocupar com o respeito pela vida e bem estar do Homem colectivo, do Homem Universal. Tudo o resto, é uma tentativa de chamar a atenção e cobrar “dividendos” de alguns pretensos “democratas” e “humanistas” atentos só a interesses dúbios e “altruístas”.

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