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EM MARÉS DE VACAS VOADORAS É POSSÍVEL SER FELIZ

MOREIRA DA SILVA
Com um clima a fazer inveja a muitos outros povos e um mar que nunca mais acaba (somos uma das maiores potências do mundo, em termos de território debaixo das águas marítimas), com uma importante riqueza natural no território oceânico (há fortes indícios da existência de petróleo, gaz natural, minérios e mesmo microrganismos necessários para várias indústrias), mesmo com estas condições somos um povo tristonho e até infeliz.
É verdade que a grave situação económica não nos abandona e não tem ajudado a que os portugueses andem de sorriso estampado no rosto. São vários os estudos que indicam a crise como principal causadora do agravamento da saúde mental de uma parte significativa dos nossos concidadãos, que têm problemas de depressão ou de ansiedade. O aumento de suicídios e de consumos de medicamentos para o sistema nervoso tem afetado as populações mais carenciadas, com menor nível de educação e com maiores problemas sociais, nomeadamente os desempregados.
As desigualdades sociais no nosso país têm vindo a aumentar e a distanciarem-se de outros países europeus, com que nos habituamos a comparar. O nosso país, que gostamos de o referenciar como «um jardim à beira-mar plantado», embora tenha as qualidades naturais indicadas e ser um país extremamente seguro, mas insatisfeito e com pouca participação cívica e envolvimento na comunidade, nos rácios de bem-estar e satisfação com a vida, tem apresentado índices bastantes maus, considerando o “Índice Vida Melhor” da OCDE.
Obviamente que o aumento significativo, nos últimos anos, do fosso existente entre as famílias portuguesas com maiores rendimentos e as de mais baixos recursos, nada tem contribuído para a satisfação com a vida e o bem-estar da maioria dos portugueses. Bem pelo contrário. Um exemplo desse agravamento é a «desigualdade» entre os salários mais baixos e os mais altos, nas grandes empresas. 
Já nos encontramos na segunda década do século XXI e a divulgação dos estudos científicos nas áreas da Neurociência, Inteligência Emocional e Psicologia Positiva vieram explicar que a felicidade é outra coisa, bem diferente daquilo que nós pensávamos que era. Os fatores materiais podem ajudar, mas muito mais importante que o “Ter”, agora é o “Ser”. Até finais do século XX, o conceito de felicidade era ter casa, automóvel e outros bens materiais. Hoje está provado que muitas pessoas têm esses bens, mas não são felizes e outras pessoas que são parcas em bens materiais são muito felizes.

Como escrevo no meu último livro “Vale a pena viver feliz. E viver a vida. Intensamente!”, cujas receitas da venda do livro (10€) revertem na totalidade a favor da “Muro de Abrigo” (murodeabrigo@gmail.com), uma IPSS ao serviço dos mais frágeis, uma pesquisa recente sugere que existe um “gene da felicidade” e que a felicidade é construída pelos seguintes fatores: 50% é inato; 10% pelas circunstâncias da vida; 40% pela atividade intencional.

Em tempo de «vacas voadoras» é possível ser feliz, pois as propostas práticas da Psicologia Positiva encaixam-se nos 40% das atividades intencionais, elaborando e testando atividades para aumentar o nosso nível de bem-estar e felicidade. Essas atividades são, por exemplo: passar mais tempo com pessoas queridas; expressar gratidão por tudo que temos e vivemos; ter um padrão mais otimista de pensar; usar o que se tem de melhor; saborear os prazeres da vida; viver o momento presente.
Podemos assim concluir que depois do determinismo genético e das condições ambientais temos a nossa atitude. Como mais de metade do fenómeno da felicidade está fora do nosso controlo, seja pelas nossas características genéticas, seja pelas circunstâncias da vida, onde podemos fazer uma grande diferença é nas atividades intencionais do quotidiano. É preciso estar atento às nossas atitudes, pois é através delas que construímos muito da nossa felicidade!

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