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DICAS PARA O SEU CANTINHO DAS AROMÁTICAS

RITA BASTO
Gostaria de criar um jardim de aromáticas? Neste artigo deixo algumas dicas que poderão ser importantes para a planificação do seu jardim, incluindo a plantação e alguns cuidados de manutenção.
Mas, antes de mais, sabe porque é que as plantas libertam uma grande diversidade de aromas? Sucintamente, os aromas resultam da produção dos óleos essenciais, vitais para o bom funcionamento/desenvolvimento da planta. Estes óleos podem estar armazenados nas folhas, flores, caules ou sementes. Cada espécie produz óleos essenciais únicos, sendo diversas as finalidades, seja a atração de polinizadores ou a repulsão de animais, a inibição da germinação de outras espécies vegetais ou, ainda, a retenção de água. Só por este facto, podemos afirmar que as plantas são híper-inteligentes, muito mais inteligentes do que alguns mamíferos!
A quantidade de óleos essenciais depende, principalmente, da fase do ciclo de vida em que a espécie se encontra e das condições ambientais a que se sujeita, podendo variar.
A maioria das plantas aromáticas é aplicada em jardins domésticos uma vez que são bastante utilizadas na culinária, devido às suas características organoléticas e propriedades conservantes. Além disso, podem ser usadas na medicina natural ou cosmética.
Solos secos, ricos em nutrientes e com boa capacidade de drenagem, além de exposição solar direta, de pelo menos 4 a 5 horas por dia, são as condições fundamentais para as plantas aromáticas. No entanto, existem espécies versáteis que resistem a diferenças bruscas de temperatura, mudanças na estrutura do solo ou a ataques e pragas.
Sendo este artigo mais vocacionado para a construção de um jardim doméstico, destacam-se alguns arbustos que funcionam como condimentos na culinária, como o loureiro (“Laurus nobilis”), embora possa atingir o porte arbóreo, muito utilizado na comida tradicional; a lúcia-lima (“Aloysia tryphilla”), de folhas alimonadas; o alecrim (“Rosmarinus officinalis”), de aroma muito intenso e apreciado; a erva-do-caril (“Helichrysum italicum”), com o seu distinto caráter afrodisíaco e, ainda, a alfazema (“Lavandula angustifólia”), utilizada no tempero de carnes e sobremesas.
Relativamente a herbáceas, podemos citar o oregão (“Origanum vulgare”), de uma fragrância muita específica, usado como especiaria em pizzas ou massas; o coentro (“Coriandrum sativum”), cujas folhas e sementes se diferenciam pelos distintos sabores; o manjericão (“Ocimum basilicum”), de aroma estonteante, exímio na cozinha italiana e francesa; a salsa (“Petrosalinum crispum”), tradicional e indispensável; a erva-príncipe (“Cymbopogon citratos”), com folhas de aroma a limão; o tomilho-vulgar (“Thymus vulgaris”) ou o tomilho-limão (“Thymus x citriodorus”); várias espécies do género “Mentha”, de perfumes díspares, muito usadas em saladas, tal como a hortelã-vulgar (“Mentha spicata”), hortelã-pimenta (“Mentha x piperita”), a hortelã-laranja (“Mentha citrata”) ou a hortelã-ananás (“Mentha suaveleons”); a salva-ananás (“Salvia elegans”), de flores vermelhas e aroma a ananás; a erva-cidreira (“Melissa officinalis”), bastante usada em infusões; entre muitas e muitas outras espécies.
Depois de selecionadas as plantas que pretende colocar no seu jardim, tendo em conta as condições do local, terá de ter em atenção à composição das diversas formas, texturas, dimensões, cores e épocas de floração para que o jardim se torne esteticamente mais agradável no que diz respeito à unidade, e sejam estabelecidas as melhores condições para cada uma das espécies que selecionou. Este é um trabalho fundamental para que o seu jardim se torne realmente encantador.
A plantação poderá ser feita diretamente no solo ou, se preferir, em vaso. No primeiro caso deverá, inicialmente, fazer a limpeza e a correção do solo, se assim for necessário.
É recomendável que na camada base coloque argila expandida, seguida de uma tela ou manta de drenagem que facilitará uma boa drenagem e impedirá o escorrimento superficial. Depois, deverá adicionar um bom substrato, rico em nutrientes, que promoverá o desenvolvimento da planta. Na altura da transplantação deverá preservar o torrão de modo a que a planta não sinta uma crise durante a sua adaptação ao novo local.
A multiplicação de plantas aromáticas é diversificada, podendo ser feita através de semente ou estaca.
As suas plantas devem ser regadas periodicamente, necessitando de regas mais frequentes nos meses de mais calor. Evite que o solo fique demasiado húmido ou encharcado, lembre-se que as suas plantas preferem solos secos e porosos.
Quanto mais vezes forem colhidas as plantas, mais vigorosas se tornam, por isso usufrua do seu jardim! O sabor é mais intenso antes da floração e a melhor altura do dia para a colheita é a meio da manhã, já que a quantidade de óleos é mais elevada nessa altura do dia. Evite colher quando as temperaturas são demasiado elevadas para que as folhas não murchem.
Estas são apenas algumas dicas que poderá seguir na altura de plantar e manter um jardim de aromáticas. Muitas mais poderiam ser descritas! No caso de existir alguma dúvida acerca da plantação ou manutenção não hesite em pedir o auxílio de um arquiteto paisagista, que poderá projetar o seu jardim tendo em conta as caraterísticas do local e de cada uma das plantas. Sinta-se à vontade para colocar qualquer questão!
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Bibliografia:
Jardim Botânico da UTAD. Disponível em: http://jb.utad.pt/index.php. Acedido a 16 de Junho de 2016;
The Royal Horticulture Society (RHS). Disponível em: https://www.rhs.org.uk/. Acedido a 15 de Junho de 2016.

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