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E A FEIRA À MODA ANTIGA JÁ BATE À PORTA [DE 1 A 3 DE JULHO, EM AMARANTE]

CRÓNICA DE ANTÓNIO PATRÍCIO
Festeja o seu 5.º aniversário aquela que é já uma tradição com pergaminhos firmados ou não tivesse saído das mãos de um amarantino dos quatro costados. Pedro Pinheiro, popular e amistosamente conhecido por “Pedro Ferreira da Cunha” é a alma e o corpo deste evento que tem trazido a Amarante, sem receio de errar, milhares de pessoas que, plenas de boa disposição, desfrutam de momentos de diversão e degustam uma gastronomia ímpar regada com os melhores vinhos da região e adocicada com os mais afamados doces conventuais. 
Instalada num Largo velhinho e prenhe de história é a recreação fiel da feira de contornos medievais que, em tempos não muito longínquos ali tinha lugar, e faz jus aos pregões, às cantigas ao desafio, às modas populares e tradicionais e, por que não dizê-lo, ao traje que, ao tempo, mais se usava numa tentativa – conseguida – de reviver momentos, maneiras de estar, atitudes e afeições das quais somos os mais fiéis herdeiros.
Honrar as palavras, o modo de vestir, a música, os comportamentos, as ocupações, as crenças e os locais de repasto e de diversão que foram dos nossos de antanho é um dever que nos cumpre respeitar na sua essência e recordar, revivendo, forma única e saudável de transmissão, aos nossos descendentes, como se vivia e convivia.
Queiramos quer não, as nossas raízes ainda absorvem muito do que, neste evento – Feira à Moda Antiga – se vai recreando fazendo com que, de quando em vez, a saudade nos faça sentir um aperto na alma que, logo se esvai, é certo mas, não deixou de se fazer sentir. O antigo e o moderno mostram como é possível viver e conviver e, se uns, abrem a boca ao verem um carro-de-bois cruzar a rua outros, não menos espantados, copiam o bocejo ao verem um casal vestido a rigor e de telemóvel ao ouvido.
O vinho tira o protagonismo à cerveja e as pataniscas relegam para o obscurantismo as francesinhas e os cachorros. Na “Feira à Moda Antiga” não há comida rápida, tudo leva o seu tempo, ou a harmonia de sabores e saberes não falasse mais alto no respeito intrínseco no que de melhor a terra dá.
O rio, testemunha viva de tudo e de todos, sussurra lamentos das dores e cansaços afogados nos cantares das lavadeiras que, com água até aos joelhos fosse Inverno ou Verão, branqueavam, nas suas pedras, as mais finas camisas de cambraia ou os mais rústicos lençóis de tomentos. 
Por isto, que ninguém fique em casa. Todos nos devemos dar por convidados. A Festa/Feira é nossa e, como tal, devemos contribuir com a nossa alegria e boa disposição, vestidos ou trajados como há cem anos e festejar a vida, dádiva que a Natureza nos empresta e que nós, como bons filhos, devemos aproveitar e partilhar em toda a sua plenitude.
Vinde, vinde todos, festejar avida, festejar Amarante.

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