Home>BIRD Magazine>CARNE DE GADO COM GOSTO DE SANGUE HUMANO
BIRD Magazine

CARNE DE GADO COM GOSTO DE SANGUE HUMANO

MARGARIDA BRASIL 
…A distribuição da terra no território brasileiro, é injusta e fratricida. Especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. E provem da divisão do Brasil, pelos colonizadores, em Capitanias Hereditárias e das Sesmarias, Imensidão de terras para pouquíssimas pessoas. 
… A muitos anos o Governo distribui terras entre os “seus amigos”… depois as recompra em pequena proporção, para lotear para os Agricultores, fornecendo-lhes condições para desenvolver o cultivo : Sementes, implantação de irrigação, eletrificação, financiamentos, infra-estrutura,
assistência social e consultoria, através de Órgãos Governamentais como o INCRA (Instituto de colonização e Reforma agrária). EMBRAPA etc.
…No entanto todos nós sabemos que a Oferta é irrisória para enorme demanda, o que ocasionou o Surgimento do M S T (Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra). O Estado do Maranhão é o exemplo mais estarrecedor, dentre os Estados das regiões NO…NE e CO.
…O Poema abaixo retrata uma Comunidade de Negros e Cearenses, dizimadas pelos fazendeiros que se apossaram daquelas terras no município central do Estado do Maranhão ( Olho D’ água das Cunhãs) na localidade de Colonia.
ESPERANÇA AGRARIA´
No terreiro sentados…
Crianças brincam ao luar…
Ouve-se na “Colonia”…
O povo a gritar
GRITOS.
Gritos de dor…
Gritos de Revolta…
Gritos de perda…
Gritos de raiva…
Gritos de comoção.
As balas que mataram…
DAMIÃO VIANA 
Traspassaram nosso coração…
Mataram nosso amigo…
Nosso líder, nosso irmão…
Pra nos intimidar…
Pra nos escurraçar.
Gente a chorar…
Gente a correr…
Gente a se mudar…
Gente a adoecer…
Gente a morrer…
Cretinos.!. Malvados.!
Nos tiram a vida…
Nos arrancam da terra…
Nos plantam feridas.
Nos privam da lida.
A cada índio excluído… 
A Cada missionário sacrificado…
A cada “Chico Mendes ” Abatido…
A cada terra usurpada…
É nosso sangue que corre…
Clamando por Justiça Agrária.
Não se sabe quem são os filhos do Diabo…
Que venderam…Que compraram nosso Estado.
Deixando nosso povo esparramado…
Nossas famílias dizimadas…
Nossas filhas pelos garimpos…
Nossos maridos pelo mundo rebolados…
Sem terra, sem pão..Sem saúde…
Sem educação… sem instrução.
Procurando a cultura…
Regando a Esperança…
Cultivando a ternura..
Restaurando a confiança…
Fortalecendo o coração…
Povo Bendito…Da “Aliança”.
POVO DO MARANHÃO.
Hoje é o Estado mais pobre da Nação, conforme o poema seguinte, 
MARANHÃO
Tu meu Estado…
O mais lindo do país…
Te vi Floresta Amazônica… 
Destruída …Devastada…
Tenho a alma intoxicada… 
Por gado sendo trocada…
NO ESTADO MAIS POBRE DA NAÇÃO
Foste Meio-Norte, Hoje Nordeste…
Te vestes de lindos palmeirais…
Mais não podemos um só coco caçar..
Pra fazer um leite ou um azeite…
Pra nossos filhos alimentar… 
É tudo cercado…
Misturaram-me ao gado…
São os “Donos do Mundo”…
Que nos vieram saquear..
Queimaram nossas casas…
Nossas florestas derrubaram…
Dos nossos lares expulsaram…
Quem ficou eles mataram…
Nossos filhos esparramaram…
Porque são ” Donos do Mundo’.
Cadê a Saúde.? A Moradia ? Educação?
Cadê a Segurança?. É triste a Situação…
Nascer no Estado mais belo e mais rico…
E O MAIS POBRE ESTADO DA NAÇÃO.
Eis porque a carne leva o cheiro de sangue do Índio, do Negro, do Mestiço : do Brasileiro.!
A nossa esperança é que aqueles que importam a nossa carne, um dia se conscientizem a ponto de exigir que os fazendeiros, (que elegem seus deputados e senadores, e tem suas Organizações, e os Ricos Frigoríficos,
Ajudem a fazer a Reforma Agrária, devolvendo parte da terra que eles usurparam do povo.! 
Ou pelo menos parassem de contratar milícias para matar quem ao menos olhem para “suas” terras.
…Mais um lamento! .Dessa vez nos vem do massacre de índios que invadiram uma fazenda improdutiva.
A BALA DA GANÂNCIA
Com a terra crescemos,
Por ela somos formados,
Nela cultivamos a vida,
Em seus braços somos acalentados.
A mata nossa Uka sagrada,
Protege os pássaros, 
Guarda a onça pintada,
Nela vivem os povos,
Em união com essa dama encantada.
Mas sua terra que há tempos se cobiçou,
Como ouro gerou no branco
Ambição, e assim ele falou:
Pra que tanta terra? Comigo tem mais valor.
Na noite pytuna tocou o terror,
Crianças e mulheres gritavam, um horror!
A bala da ganância manchou de sangue 
Gerou tristeza, ouvi gritos de dor.
O “índio” caído, sangue no chão,
A tua bala matou meu parente – irmão,
A aldeia Tekoha está em aflição,
Estamos no abandono, pra onde iremos então?
Pedimos justiça, pedimos respeito,
Em terras indígenas lutamos por direitos,
Maracás entoam um canto de união,
Chamando os povos para lutar contra dizimação.
Sapopemas entoem chamando Tururucari, Ajuricaba, Mawari.
Tana May-sangara sany iki! Sany iki Mawari!
Texto: Márcia Wayna Kambeba

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.