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FUTEBOL, FRANÇA E FESTIVIDADE

MARCOS PORTO

Hoje é dia de bola. Quero lá saber das sanções, da Ecofin e do que diz o Schauble, se o Barroso é o novo “cherne-man” da Goldman Sachs ou dos atentados em Bagdad. Tudo isso pode esperar que hoje é dia de final de Euro e Portugal está lá!

O jogo é difícil. O adversário é a França, carrasco de Portugal e anfitrião da prova. A história não está do nosso lado, em jogos de preparação Portugal leva 5 vitorias, um empate e 15 derrotas. Enquanto que as 3 derrotas oficiais, em ‘84, 2000 e 2006 estão cravadas como espinhos na memória dos adeptos da selecção.
Vai ser muito difícil ganhar à França, esse berço e farol do iluminismo e da modernidade, nas artes, na ciência e na cultura. Mas também colo imigrante e multirracial que abriu as portas da Gare de Austerlitz a milhões dos nossos, mesmo que na banlieue e nós de porteiros.
Certamente que os franceses não podem perder a taça para uma equipa que, como eles próprios descreveram, “pratica um futebol nojento”, ainda para mais diante dos seus adeptos. Afinal de contas, foram os franceses que inspirados num tal de Chauvin, soldado de Napoleão que tombou por 10 vez para outras tantas se reerguer, inventaram para si mesmos a palavra chauvinismo, a que os dicionários associam a ideia de um patriotismo tão imenso quanto o desprezo pelos outros, a quem olham por cima da burra como se diz por cá.
Portugal estreou-se neste campeonato da Europa no dia 14 de Junho, com a igualdade a uma bola frente à selecção da Islândia, terminando a fase de grupos em terceiro classificado. As exibições da selecção das quinas foram espelho de um país que se desencantou aos primeiros empates mas logo se apaixonou nos seguintes. Uma vitória sobre a Croácia ao cair do pano, com a Polónia ficou decidido nos penaltis e os dragões de Gales domados nas meias finais, a comitiva portuguesa silenciou a escolta de vozes criticas que a apanhava.
Pepe começou este Europeu debaixo de um coro de assobios, após duros comentários do então seleccionador da Islândia, Lars Lagerback, mas em campo provou o contrário e assumiu-se como um dos melhores jogadores a participar neste Europeu. O nosso melhor do mundo vai escapando às críticas ora com golos de calcanhar, ora com saltos de quase 3 metros. Já Fernando Santos passa de besta a bestial, após provar que estava mesmo a falar a serio quando disse que só regressaria dia 11 a Portugal.
Se ganharmos hoje será a segunda conquista lusitana na competição. Em 2013 a agência portuguesa Brandia Central foi a escolhida pela UEFA para criar a marca do Campeonato Europeu de Futebol de França de 2016, ao apresentar um projecto de design singular que captou a atenção de todos.
“2016 será o ano em que o futebol se converte em arte. É esta a ideia central por trás do projecto. Celebrar a arte do futebol. Movimentos mágicos dos jogadores e saudações coloridas dos adeptos coexistem num espaço onde esperam ser captados”– explica a agência de Branding no seu site.
O “plantel” desta orgulhosa equipa contou com o ilustre Miguel Viana enquanto Creative Design Master, com os designers Patrick Santos, Carlos Constantino, Hélder Pombinho, assim como Juliana Triães (Web-Designer), José Cerqueira (Brand Voice), Rui Henrique (Art Worker), Monika Mishalski (Strategist), Filipa Robalo (Brand Consulting Manager) e Vanessa Henriques (Consultant).
O projecto desenvolvido pela empresa portuguesa está estruturado em três F’s distintos, fundamentais para a uma total compreenção do conceito deste evento: Futebol, como não poderia deixar de ser, representado pela iconografica do troféu Henry Delaunay mas também dos relvados, das bolas, dos estádios entre outros elementos; França afirma-se através das suas cores e monumentos, impõe-se pelos seus traços de influências artísticas gaulesas, tais como a Art Déco, Avant-Gard ou Art Brut; o terceiro “F” é de Festividade. Único e mágico, o ambiente que se vive num Campeonato da Europa só poderia ser representado pelos seus adeptos.
É oportuno referenciar que, pela primeira vez, numa edição das fases finais do Europeu participaram 24 equipas, distribuídas por 6 grupos, contrariamente às habituais 16 selecções divididas em apenas 4 grupos. Para assinalar o facto inédito a equipa portuguesa de designers esmerou-se ao utilizar o hexágono como elemento de correlação entre a estrutura do torneio e o mapa do país anfitrião.
Agora toca à selecção das quinas fazer o mesmo. Hoje é preciso esmerar-nos e ir a Paris para vencer! Que haja Pepe sem dores musculares que o impeçam de apagar os fogos na defesa, que haja Ronaldo e Nani para marcar golos e amanhã capas de jornais com o “miúdo maravilha” a festejar. Venha de lá essa taça que há tanto sonhamos, que se vingue de uma só vez o golo de Platini, a mão de Abel Xavier e o penalti do Bruno Alves. Haja esperança que vai ser desta!

Se não for…faço minhas as palavras do capitão.

FOTOS: DR UEFA

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