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UM NOVO PULMÃO EM LISBOA

RITA BASTO
No passado dia 4 de Julho do presente ano iniciaram-se as obras inerentes à 2ª circular de Lisboa, entre o troço do nó do RALIS e a Avenida de Berlim, na freguesia dos Olivais. Este é um assunto já há muito tempo debatido e com bastante polémica e, por isso, não poderia deixar de escrever sobre ele e, de certa forma, engrandece-lo.
A 2ª circular foi construída na década de 60, e projetada como uma avenida urbana. Originalmente era constituída por duas faixas de rodagem com lancis em cantaria, tanto lateralmente, como no separador central, onde estavam os candeeiros de iluminação pública. Com o passar dos anos e no decorrer das necessidades, as entradas e saídas foram aumentadas, por razões de segurança, e o separador central foi substituído por blocos de cimento, pelo que a via rápida urbana se transformou na imagem próxima de uma autoestrada.
Atualmente, a 2ª circular constitui um eixo viário, que se estende cerca de 10 km, formado pelas avenidas Eusébio da Silva Ferreira (entre o início do IC19 e o acesso da Estrada da Luz), Marechal Norton Matos (entre o acesso da Estrada da Luz e o viaduto do Campo Grande) e Marechal Craveiro Lopes (entre o viaduto do Campo Grande e a rotunda da Encarnação).
Uma das problemáticas inerentes ao projeto diz respeito à questão do tráfego, muitas são as opiniões de que a requalificação desta via irá constituir um problema aumentando o trânsito, no entanto foram realizados estudos que sugerem precisamente o contrário. Estarão estes estudos errados?
Os objetivos principais das obras são o aumento da segurança, mais fluidez e maior capacidade e, ainda, o incremento de uma maior sustentabilidade ambiental.
O projeto foi realizado por uma equipa multidisciplinar, trabalhando em conjunto engenheiros, arquitetos, arquitetos paisagistas e outros especialistas.
Considero que o projeto de Arquitetura Paisagista irá valorizar totalmente a cidade. A via urbana passará a ser uma alameda urbana, dando continuidade ao pulmão verde de Monsanto e ao Corredor Verde Oriental do Vale de Chelas.
As plantas selecionadas, de manutenção reduzida, adaptam-se eficazmente ao local. É proposta a inserção de lódão-bastardo (“Celtis australis”), árvore de arruamento mais comum em Lisboa, bordo (“Acer” spp.), freixo-português (“Fraxinus angustifólia”), zambujeiro (“Olea europea” var. “sylvestris”), pinheiro-de-Alepo (“Pinus halepensis”) e, ainda, outras espécies autóctones e muito bem adaptadas à situação edafo-climática de Lisboa. Espécies como o buxo-anão (“Buxus microphyla”), o abrunheiro (“Prunus spinosa”), o rosmaninho (“Lavandula stoechas”), a murta (“Myrtus communis”), a gilbardeira (“Ruscus aculeatus”) e a hera (“Hedera helix”) também serão introduzidas. Outros aspetos podem ser consultados na proposta.
O projeto irá permitir não só o aumento da biodiversidade mas também, e mais importante ainda, a melhoria da qualidade de vida do Homem. A mudança é radical mas absolutamente extraordinária e necessária! Mais projetos como este deveriam ser realizados, sobretudo nas cidades que cada vez estão mais cinzentas.

Bibliografia:
Câmara Municipal de Lisboa. Projeto de requalificação da segunda circular. Disponível em: http://www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/outros-projetos-e-obras/projeto-de-requalificacao-da-segunda-circular/antecedentes. Acedido a 9 de julho de 2016.

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